PULSE
Música composta por Elia Cmiral

Selo: Lakeshore Records
Catálogo: LKS 33866
Lançamento: 2006
Faixas

1. Goodness Of The Girl (Intercooler)
2. Delay The Wait (Overnight Lows)
3. Josh's Secret
4. Lost Soul in Library
5. Ghost in Bath
6. Computer Center
7. Izzy Deceased
8. Mattie Walks Home
9. Stone's Death
10. Alone with Ghosts
11. Suicide
12. Remembering Izzy
13. Video Diary
14. Mattie Has a Dream
15. Leaving
16. Mattie's Hallucination
17. Dancing Ghost
18. Sad and Scared
19. Phantoms Attack
20. Printer
21. Dexter Gets a Visitor
22. Crazy Ziegler
23. Wall of Pipes
24. Mattie's Nightmare
25. Escape
26. Not Over Yet
27. Esto Es Lo Que Hay (Los Amigos Invisibles)

Duração: 48:09
Cotação:


Comentário de
Jorge Saldanha

 
A onda de refilmagens inspiradas em filmes japoneses continua com Pulse, um thriller escrito por Wes Craven que conta a história de jovens hackers de computador que sintonizam um misterioso sinal que abre um portal para outro mundo, habitado por forças que tentam vir para cá a fim de criar o caos. O filme, dirigido por Jim Sonzero, traz um score do compositor tcheco Elia Cmiral.

Cmiral já havia composto partituras para vários filmes europeus e três balés, antes de chegar nos Estados Unidos a fim de cursar o famoso programa de técnica de composição para o cinema da USC. Seu primeiro trabalho em sua nova fase foi a música baseada em tango de Apartment Zero. Em meados dos anos 1990, após compor para a série de televisão Nash Bridges, Cmiral foi escolhido para criar o score do thriller de ação de John Frankenheimer Ronin, estrelado por Robert DeNiro - para mim, sua melhor trilha sonora até o momento. Seguindo o sucesso de Ronin, Elia continuou a compor scores originais e evocativos para filmes de grandes estúdios de Hollywood e também para cineastas independentes, como Stigmata, Battlefield Earth, Bones e Species 3.

Pulse é a segunda colaboração de Cmiral com Craven, sendo a primeira Wes Craven Presents: They, de 2002. Desta vez, Cmiral construiu um score moderno e contemporâneo, com elementos eletrônicos. Segundo as informações divulgadas a respeito deste trabalho, Cmiral, usando uma conexão ISDN a partir de sua casa em Los Angeles, regeu setenta minutos de score interpretado por uma orquestra de sessenta instrumentos localizada na sua nativa República Tcheca. Com três programadores para realizarem a grande quantidade de sound design e cinco orquestradores, ele utilizou extensamente sintetizadores e percussão, um coral programado e vozes reais - incluindo a sua própria. De acordo com o compositor o trabalho foi intenso, e Sonzero fez com que ele explorasse cada nuance musical e sônica, possível ou impossível.

De concreto, após ouvir os 38 minutos do score de Cmiral presentes no CD, percebemos que a música de Pulse é atonal, dissonante, muito experimental e de fato é pesadamente baseada em sound design. Infelizmente, apesar do esforço criativo empregado, separado das imagens o score mostra ser uma experiência auditiva bem difícil: não há um claro desenvolvimento estrutural, nenhum tema ou motivo para prender nossa atenção - apenas a faixa "Video Diary", com suas solenes notas interpretadas pelas cordas, nos dá um arremedo de idéia temática. Na maior parte do tempo há apenas um certo número de sons significativamente reconhecíveis, que o compositor usou por toda a partitura, como uma adequada pulsação extremamente grave. Piano suave ocasionalmente faz aparições, mas atmosfera e sustos, cortesia de cordas sinistras e sons eletrônicos, permanecem sendo a essência deste trabalho.

Ao final, o compositor até merece ser parabenizado por sua decisão de evitar os clichês do clássico score orquestral de horror que os produtores queriam. No lugar dele, criou uma sucessão de música ambiental de suspense, interrompida de tempos em tempos por arroubos orquestrais/eletrônicos. Apesar do resultado não ter me agradado muito, pelo menos ele demonstra ser uma genuína tentativa de esforço criativo, algo atualmente muito raro.

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