THE QUIET AMERICAN
Música composta por Craig Armstrong

Selo: Miramax Records
Catálogo: Promo

Ano: 2002

Faixas:
1. The Quiet American
2. Saigon 1952
3. Pyle's Best Friend/Asking For A Divorce
4. Drive Up Holy Mountain/The General
5. Brothers In Arms
6. Escape From Watchtower/Dreams of Phuong
7. Death In The Square
8. Fowler's Temptation
9. The Quiet American (Piano Solo)
10. The Ritual of Revenge
11. Do You Still Miss Him?
12. End Titles (Nothing In This World)

Duração: 47:56
Cotação:


Comentário de
J
orge Saldanha

 

O Americano Tranqüilo é uma produção da Miramax, baseada em um romance de Graham Greene ambientado no Vietnam por volta de 1952. Basicamente trata de um triângulo amoroso entre um veterano jornalista inglês (Michael Caine), um jovem representante do governo norte-americano (Brendan Fraser) e uma bela vietnamita (Do Thi Hai Yen), tendo como pano de fundo a guerra que franceses e comunistas travavam pelo controle da região. Com lançamento previsto originalmente para 2001, o filme foi engavetado pela produtora após os atentados de 11 de setembro. Mas por insistência de Michael Caine e para que a produção fosse elegível para as indicações ao Oscar, ela finalmente teve um lançamento limitado nos EUA em dezembro de 2002, precedendo à distribuição nacional e internacional. Entre as indicações buscadas para o filme pela Miramax estavam a de Melhor Trilha Sonora Original e a de Melhor Canção, o que motivou a distribuição aos membros da Academia de um CD promo com a música do filme.

Quando escrevi esta resenha, o score de Craig Armstrong ainda não havia sido lançado pela Varèse Sarabande, mas graças à agência do compositor, recebi uma cópia do CD promocional para avaliação, que foi a base para este comentário. Como sabem, o escocês Armstrong consagrou-se com seu original trabalho em Moulin Rouge, pelo qual ganhou o Globo de Ouro e os prêmios AFI e BAFTA. Nesta segunda reunião com o diretor Phillip Noyce (a primeira foi em The Bone Collector) o compositor entregou um trabalho mais tradicional do que aquele que o consagrou, mas ainda assim apresentando algumas liberdades formais. Tendo pesquisado a cultura e a música vietnamitas, Armstrong agregou à sua partitura orquestrações clássicas, instrumentos de corda e sopro típicos do Vietnam e vocais femininos, que muitas vezes entoam letras no idioma vietnamita, a fim de dar o tom místico/ambiental exigido pelo trabalho. Mas um tanto quanto inesperadamente, até por ser um filme que se passa há mais de 50 anos, a formação pop do compositor (que já trabalhou com artistas tão diversos como Madonna, U2, Bjork e Massive Attack), faz-se mais uma vez presente através da utilização parcimoniosa de sintetizadores e de percussão eletrônica em determinados momentos.

O que poderia ser uma combinação indigesta revela-se uma obra atraente e que agrega elementos da música ocidental e oriental, certamente que de modo não tão marcante como em Green Dragon, dos irmãos Danna, para realçar a trama e a cultura presentes na produção. O score inicia com "The Quiet American", onde somos apresentados ao tema principal do filme, desenvolvido sobre um ciclo de cinco notas interpretadas inicialmente por piano (instrumento de grande realce na partitura) e cordas. Logo temos um acompanhamento percussivo/eletrônico e a primeira aparição do vocal feminino, colaborando para tornar esta uma composição bela e triste. Na segunda faixa, "Saigon 1952", a cantora entoa letras em vietnamita sobre um acompanhamento que mescla sons eletrônicos, percussão e cordas. "Pyle´s Best Friend/Asking for a Divorce" é outra faixa triste, com a intervenção de vocal feminino, cordas e piano. Em "Drive Up Holy Mountain" temos em maior destaque os instrumentos de sopro típicos, juntamente com percussão e novamente voz feminina.

A orquestra, que até o momento vinha sendo ouvida em intensidade média/baixa, ganha volume em "Brothers in Arms", que apresenta em seu final uma interessante e sutil utilização de coral. O tema principal retorna na metade de "Death in The Square", enquanto que em "Fowlers Temptation" Armstrong mais uma vez lança mão de instrumentos de sopro e percussão típicos. "The Quiet American Piano Solo" é, como o nome indica, uma interpretação do tema principal apenas no piano - no CD não há qualquer informação a respeito, mas presumo que seja o próprio Armstrong seu intérprete. "The Ritual of Revenge" retoma a linha e o clima da faixa inicial, porém com o uso mais agressivo de orquestra e percussão, tudo entremeado pelo já familiar vocal feminino. Encerrando a partitura, voltamos a um tom mais intimista e triste com piano e cordas em "Will you Let my Hair Down?", que encerra-se com mais uma repetição do tema e da voz feminina.

Para os "End Titles", Armstrong compôs a música e foi o co-autor da letra de "Nothing in This World (Song for Phoung)" em parceria com a cantora vietnamita Hong Nhung, que interpreta a canção - também oferecida à apreciação da Academia. The Quiet American acabou não conseguindo suas almejadas indicações musicais ao Oscar. O que era previsível, até porque, em que pesem os critérios (ou falta de) para as indicações, dificilmente alguém sairá do cinema assobiando ou cantarolando as composições de Armstrong: temos aqui música essencialmente complementar às imagens, mas que graças às habilidades do autor, fica também atraente para a audição em separado.

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