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Com a chegada da
televisão durante a década de 50 nos EUA, a indústria cinematográfica se
viu obrigada a responder de algum modo, com o objetivo de não deixar
seus espectadores serem convertidos em meros telespectadores. Assim
nasceram as grandes superproduções “hollywoodianas”, como um testemunho
da luta da indústria do cinema para manter sua grandeza (e suas
bilheterias) a qualquer preço. A
incorporação de novas técnicas para aumentar o impacto das imagens (como
o 3D, o Cinemascope e o Cinerama) encontrou sua razão de ser nas
fantasias pseudo-históricas situadas na antigüidade. A primeira delas
foi Quo Vadis (1951), por cuja trilha sonora original seu
compositor, o grande Miklós Rózsa, recebeu uma indicação ao Oscar da
Academia de Artes e Ciências de Hollywood. Este prolífico criador
mudaria por completo o estilo de suas composições ao chegar à produtora
Metro Goldwyn Meyer (após encerrar seu ciclo de filmes "noir"), e se
dedicaria por mais de uma década a este tipo de mega-produções.
Sem dispor de nenhum tipo de informação sobre como se empregavam os
instrumentos na música da Roma Antiga, Rózsa estudou a música da Grécia
no período, já que a civilização grega teve enorme influência nos campos
da religião, arquitetura e literatura romanas. Desta maneira, para
Quo Vadis ele empregou três motivos, que se encontram claramente
representados nesta regravação do autor (anteriormente disponível em
edição da Decca/London, de 1985). O primeiro, relacionado com a música
romana ("Prelude"
,
"Ave Cesar", "Hail Galba"), o segundo evocando as danças gregas ("Fertility
Hymn") e o terceiro inspirado nos cantos cristãos da época ("Marcus and
Ligia", "Finale"), mesclando sons hebraicos e gregos. Tudo
convenientemente emoldurado com altas doses de grandiosidade – técnica
que lhe rendeu tão bons dividendos nos posteriores Ben Hur e
King of Kings.
Assim, Rózsa voltou a demonstrar que continuava sendo (também neste
estilo) uma figura indispensável para o cinema de sua época, o qual
dotou de atmosferas cálidas e passionais. Ninguém melhor do que ele para
criar um mundo e povoá-lo com a melhor música de cinema que se pode
imaginar. Bem vinda esta reedição em CD de Quo Vadis, um álbum
sem dúvida a ser recomendado.
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