QUO VADIS
Música composta e regida por Miklós Rózsa. Interpretação: The Royal Philharmonic Orchestra & Chorus

Selo: Ártemis
Catálogo: 008

Ano: 2001

Duração: 40:39
Cotação:


Comentário de
Jorge LuisViera

 

Com a chegada da televisão durante a década de 50 nos EUA, a indústria cinematográfica se viu obrigada a responder de algum modo, com o objetivo de não deixar seus espectadores serem convertidos em meros telespectadores. Assim nasceram as grandes superproduções “hollywoodianas”, como um testemunho da luta da indústria do cinema para manter sua grandeza (e suas bilheterias) a qualquer preço. A incorporação de novas técnicas para aumentar o impacto das imagens (como o 3D, o Cinemascope e o Cinerama) encontrou sua razão de ser nas fantasias pseudo-históricas situadas na antigüidade. A primeira delas foi Quo Vadis (1951), por cuja trilha sonora original seu compositor, o grande Miklós Rózsa, recebeu uma indicação ao Oscar da Academia de Artes e Ciências de Hollywood. Este prolífico criador mudaria por completo o estilo de suas composições ao chegar à produtora Metro Goldwyn Meyer (após encerrar seu ciclo de filmes "noir"), e se dedicaria por mais de uma década a este tipo de mega-produções.

Sem dispor de nenhum tipo de informação sobre como se empregavam os instrumentos na música da Roma Antiga, Rózsa estudou a música da Grécia no período, já que a civilização grega teve enorme influência nos campos da religião, arquitetura e literatura romanas. Desta maneira, para Quo Vadis ele empregou três motivos, que se encontram claramente representados nesta regravação do autor (anteriormente disponível em edição da Decca/London, de 1985). O primeiro, relacionado com a música romana ("Prelude" , "Ave Cesar", "Hail Galba"), o segundo evocando as danças gregas ("Fertility Hymn") e o terceiro inspirado nos cantos cristãos da época ("Marcus and Ligia", "Finale"), mesclando sons hebraicos e gregos. Tudo convenientemente emoldurado com altas doses de grandiosidade – técnica que lhe rendeu tão bons dividendos nos posteriores Ben Hur e King of Kings.

Assim, Rózsa voltou a demonstrar que continuava sendo (também neste estilo) uma figura indispensável para o cinema de sua época, o qual dotou de atmosferas cálidas e passionais. Ninguém melhor do que ele para criar um mundo e povoá-lo com a melhor música de cinema que se pode imaginar. Bem vinda esta reedição em CD de Quo Vadis, um álbum sem dúvida a ser recomendado.

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