REIGN OF FIRE
Música Composta por Edward Shearmur


Selo: Varèse Sarabande
Catálogo:
VSD-66374-2
Ano: 2002

14 Faixas

Duração: 50:40
Cotação:


Comentário de
Mariano J. Sister e Fernando Pereyra

 

Depois do passo em falso dado em O Conde de Montecristo, o compositor Edward Shearmur saiu vitorioso desta “prova de fogo”, e desde seu crédito no disco (no qual aparece seu nome completo, e não o habitual “Ed”), ele avisa que está disposto a provocar várias surpresas com esta partitura. Reino de Fogo é um filme futurista, ambientado em uma Inglaterra assolada por uma horda de dragões sedentos de carne humana, com uma estética pós-apocalíptica herdada de Mad Max. Para este trabalho o compositor prescindiu voluntariamente de melodias, submergindo na exploração das texturas instrumentais e conseguindo obter uma atmosfera obscura e agoniada, que por momentos (apenas por momentos) guarda alguns pontos em comum com o Alien 3 de Elliott Goldenthal. Feito nada casual, se levarmos em conta que Robert Elhai, orquestrador habitual de Goldenthal, tomou parte no projeto. De qualquer modo, Shearmur parece sinceramente decidido a buscar um estilo próprio.

Com ritmo endiabrado, o compositor recorre a uma orquestra sinfônica com uma enorme seção de metais (na qual repousa a maior parte desta partitura) e a um ativo fundo sonoro de sintetizadores, como fica demonstrado nas faixas “Prologue” ou “Enter The Dragon” . Junto a passagens de grande tensão, como a notável “Archangels” (com influências de música techno), a partitura também possui seu lado épico, evocando ares marciais quando o improvisado batalhão encarregado de exterminar os dragões surge em “Meet Van Zam” ou “Dawn Burial”. Ainda assim, o que mais se destaca desta composição é a sua aposta em uma linguagem harmônica que surpreende por suas fortes dissonâncias, onde não resta nenhuma margem para a sutileza, convertendo-se, assim, em uma das trilhas originais mais provocantes – e chocantes - de 2002.

Reign of Fire pode soar estridente ou aborrecida, vibrante ou fria. Mas deve-se reconhecer que Edward Shearmur criou uma “ópera heavy” tão pessoal como poderosa e provocante, capaz de atingir os nervos do ouvinte mais adormecido. No insosso panorama atual da música de cinema, representa outra exceção que não podemos deixar de celebrar.

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