RUNAWAY JURY
Música composta e regida por Christopher Young


Selo:
Varèse Sarabande
Catálogo:
302 066 524 2
Ano: 2002

Faixas:
1. Runaway Jury (5'35)
2. Dumb Witness (1'31)
3. Cheaper by the Dozen (3'05)
4. The Game's Afoot (1'22)
5. Not Lady Liberty (1'54)
6. Shark Tactics (4'26)
7. The Divine Komeda (1'57)
8. Jury for Sale (2'49)
9. Easter's Con (1'00)
10. Voir Dire (6'04)
11. Habeas Corpus (2'41)
12. Rankin Fitch (3'42)
13. Spilt Whiskey (2'07)
14. The Devil's Not Such a Bad Guy After All (2'01)
15. Erase Her from my Heart (4'16)
16. Fayeth in Fate no More (8'31)
17. Who Hurt You? (3'05)
18. Unconditional Love (2'51)

Duração: 59:37
Cotação:


Comentário de
J
orge Saldanha

 

Quero iniciar este comentário fazendo uma declaração sincera: eu realmente gosto do trabalho do Christopher Young, tendo escutado e apreciado seus scores ao longo dos anos, iniciando com o marcante Hellraiser, de 1987. Certamente ele é um dos meus compositores contemporâneos favoritos, porém eu não consigo reconhecer sua música em uma primeira audição. Na minha opinião, Young ainda não possui uma voz musical característica como autor, algo que colegas de sua geração, como James Newton Howard e Elliot Goldenthal, já definiram há tempos. Dito isto, eu não penso que isto seja um grande problema, em vista da alta qualidade de sua produção. Este O Júri (Runaway Jury), por exemplo, não apresenta o que poderia ser uma marca registrada de Young. Às vezes ele soa como um trabalho de Newton Howard, às vezes até como um score de Thomas Newman. Entretanto, como qualquer partitura de Christopher Young, ela serve perfeitamente bem ao filme e é apreciável como um álbum de trilha sonora.

O compositor não é estranho aos gêneros do suspense e dramas de tribunal, tendo composto sólidos scores para filmes como Judicial Consent (1994) e Murder In The First (1995). Desta vez, a música de Young acompanha um filme baseado no livro de John Grisham, que trata de um processo que atinge os interesses da indústria de armas de fogo norte-americana. Tanto os advogados de defesa como de acusação tentam manipular o corpo de jurados, a fim de obter uma sentença que lhes seja favorável, e no desenrolar do filme terão de lidar com o poder da poderosa corporação e seus dilemas morais. Sob a trama, ambientada em Nova Orleans e conduzida por um elenco de primeira (Dustin Hoffman, Gene Hackman, Rachel Weisz e John Cusack), a música consegue estabelecer com sucesso o cenário, a atmosfera e a tensão do filme. Young compôs um motivo principal baseado em piano e cordas, e dois motivos blues/jazz secundários que representam o cenário sulista onde transcorre o filme, bem como as atividades relacionadas ao tribunal. Todos são, às vezes, enriquecidos pelo vocal de Teresa James.

“Runaway Jury” abre o CD e introduz o tema principal do score. Os violinos e o violão logo se juntam ao piano e à voz de Teresa James. É uma faixa sombria, melancólica, que termina com o retorno do trio voz/piano/cordas. Em “Dumb Witness” o vocal está de volta, desta vez introduzindo um motivo secundário interpretado por piano elétrico, percussão e um trompete jazzístico. Aqui, posso ouvir ecos do antológico score de Quincy Jones para o clássico policial de Sidney Lumet de 1967, No Calor da Noite (In The Heat of The Night), que também se passava no sul dos EUA. “Cheaper by the Dozen” começa com instrumentação eletrônica e ritmo funk; na sua segunda metade, a composição ganha tons de suspense. Na curta “The Game's Afoot”, a guitarra elétrica é ouvida pela primeira vez, juntamente com a seção de cordas da orquestra. “Not Lady Liberty” traz um interessante trabalho de cordas ascendentes, um solo de trompete e trechos do motivo principal. “Shark Tactics” é uma atraente faixa de suspense conduzida por orquestra e eletrônicos, que se transforma em material de ação com afiadas intervenções de cordas e metais.

“The Divine Komeda” traz de volta o motivo jazzístico, desta vez com guitarra elétrica e bateria funky. “Jury for Sale” e “Easter's Con” contém alguma percussão oriental no estilo de Thomas Newman. Em “Voir Dire” temos orquestra, contudo a composição é baseada em sintetizadores e percussão eletrônica, alternando momentos de suspense e ação. “Habeas Corpus” combina o motivo secundário do tribunal com outra interpretação do tema principal. “Rankin Fitch” inicia de modo ambiental, com uma lenta introdução de teclado, percussão e eletrônicos. Permanece ambiental, com os efeitos de sintetizador aumentando perto de sua conclusão. “Spilt Whiskey” tem seu sabor blues pontuado por guitarras e teclado. “The Devil's Not Such a Bad Guy After All” é um exercício de ritmo sem bateria, baseado apenas em piano elétrico e um pouco de percussão criativa.

“Fayeth in Fate no More” é a faixa mais longa do disco, que traz de volta alguns elementos e motivos anteriormente ouvidos no score. Basicamente é uma peça de suspense, com efeitos percussivos e eletrônicos. “Who Hurt You?” nos apresenta a melhor e mais intimista versão do tema principal, seguida por “Unconditional Love”, onde a partitura é concluída com um trabalho de cordas muito bom, onde ouvimos pela última vez a voz feminina.
Runaway Jury é uma trilha às vezes sutil, mas na maior parte do tempo poderosa, uma das melhores para este gênero de filmes (que, de regra, não apresenta trilhas de destaque), com um bem merecido álbum de 1 hora de duração da Varèse Sarabande.

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