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É normal
dizer que um bom filme traz o melhor de um compositor... e talvez isso
explique o desencanto de alguns admiradores de Goldsmith, já que o
compositor veterano parece não escolher com o devido cuidado os projetos
em que se envolve. The Russia House é uma clara exceção, um
interessante e inteligente filme de espionagem, mas que também é um
emocionante romance, vivido no final da guerra fria. E de fato, este
ótimo filme faz vir o melhor do compositor, uma partitura cheia de
jazz e mistério, e que apresenta uma das mais belas melodias de
Goldsmith. "Katia"
,
apresenta logo na primeira faixa esse tema, realmente uma de suas mais
belas composições, e que representa com mestria a beleza da personagem
interpretada pela sempre deslumbrante Michelle Pfeiffer (Katia), assim
como o romance que vive com Barley (interpretado por Sean Connery).
Este tema é a peça central do score, que apresenta apenas mais
dois temas que surgem no decorrer de seus pouco mais de sessenta minutos
de duração. O primeiro deles, muito sincopado, e que cria um certo
sentido de urgência, é associado com as atividades dos serviços secretos
(ouvido em faixas como "Introductions", "Training" e "The Meeting"). O
segundo, muito mais atmosférico, pode ser ouvido em "The Conversation",
"First Name, Yakov", no final de "The Meeting" e "I'm With You".
Habilmente, Goldsmith trabalha o pouco material temático que optou por
usar, escrevendo arranjos variados, que permitem sentir cada faixa como
se fosse um novo tema, fresco e cheio de invenção, e que acima de tudo
aproveitam as fantásticas capacidades dos seus três solistas. Patitucci
e Marsallis são dois reconhecidos músicos de Jazz, famosos pelo seu
extraordinário virtuosismo. Michael Lang, é um pianista que começou a
sua carreira nos estúdios em Hollywood, e os seus dotes como pianista de
jazz foram rapidamente reconhecidos pelos principais compositores
(um álbum solo, com temas de
Henry Mancini, está
disponível no catálogo da Varèse Sarabande).
Nos vários arranjos, o compositor reinventa o material temático ao
chamar os seus três solistas de formas diversas, e esse é sem dúvida um
dos pontos fortes do CD, que se mantém interessante durante toda a sua
duração, coisa infelizmente rara nos dias que correm, e que parece ser
cada vez mais uma coisas que só poucos conseguem (Goldsmith, Williams e
Bernstein são os únicos que atualmente o conseguem fazer em quase todos
os seus trabalhos). É de referir ainda, para além das faixas já
mencionadas, a versão do tema principal, transformada em canção em "Alone
In The World", com letra do casal Alan & Marilyn Bergman, que encapsula
todo o espírito do filme. "What Is This Thing Called Love", não é da
autoria de Goldsmith, mas é digna de nota, pelo magnífico arranjo e
interpretação de Marsalis e da sua banda de jazz, deste clássico
de Cole Porter.
O finale, "The Family Arrives", apresenta os temas principais, e
em particular o tema principal, que ouvimos logo no início, recebe um
tratamento muito mais jazzístico, para acentuar a chegada de Katia (Pfeiffer)
e da sua família ao ocidente. Uma obra prima, um dos melhores trabalhos
da década de 90, não só de Goldsimth mas de toda a música para cinema.
Ninguém tem a sua coleção completa sem esta preciosidade de CD.
Simplesmente sublime!
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