SHERLOCK HOLMES
Música composta por Hans Zimmer

Selo: New Line Records
Catálogo: NLR 39175
Lançamento: 2010
Faixas

1. Discombobulate
2. Is It Poison, Nanny?
3. I Never Woke Up In Handcuffs Before
4. My Mind Rebels At Stagnation
5. Data, Data, Data
6. He's Killed The Dog Again
7. Marital Sabotage
8. Not In Blood, But In Bond
9. Ah, Putrefaction
10. Panic, Shear Bloody Panic
11. Psychological Recovery... 6 Months
12. Catatonictes


Duração: 52:30
Cotação:


Comentário de
Tom Hoover

 
Tendo chegado meio que de mansinho na temporada de Festas de fim de ano, o Sherlock Holmes de Guy Ritchie foi forçado a enfrentar o "Titanic" de James Cameron Avatar, mas se saiu bem por méritos próprios. Esta versão de Hollywood de Holmes requeria um score comercial adequado ao projeto, e assim Ritchie empregou os serviços de Hans Zimmer e Lorne Balfe. O álbum com a trilha sonora oferece 12 faixas, que apresentam tempos de duração incomuns. Por exemplo, a faixa 11 tem mais de 18 minutos, portanto seu conteúdo é atípico para um CD de trilha sonora.

A abordagem de Hans Zimmer para Sherlock Holmes é a que se poderia esperar do compositor (e de sua equipe). O score fornece uma visão modernizada, melódica do personagem de Holmes e propicia uma experiência auditiva que pode não soar "autêntica", mas tem seu charme. De modo similar ao modo com que Guy Ritchie transformou Holmes em um intelecto com músculos (e variadas habilidades em artes marciais), a música da era Holmes transmutou-se para uma moderna visão que referencia o período do filme, mas nunca se encaixa completamente nele. Em outras palavras, a música não é tão descaradamente deslocada do tempo e local da trama como a de Piratas do Caribe, mas da forma como foi concebida se apega às suas raízes modernistas.

O score é levado por seu tema principal bem-humorado, facilmente identificável, apresentado na faixa inicial e mais tarde utilizado em todo o disco como uma espécie de coringa. Ele funciona muito bem para definir o tom dos personagens, dando uma vibração irreverente que cai bem no contexto da história mas que ao final creio que soa demasiadamente polido, com um som de "estúdio". Este tipo de sound design não é uma distração tão grande quando os instrumentos solo são empregados, de forma eloquente e até surpreendente, mas o tema principal poderia ter se beneficiado de um toque mais clássico e imprevisível, de forma a parecer menos com uma mixagem moderna de estúdio.

O modo pelo qual as faixas foram organizadas neste disco causa uma certa perplexidade. Na sua maioria elas são curtas, até que chegamos às duas faixas finais. A que realmente se destaca é a faixa 11, com seus mais de 18 minutos de duração. Sou favorável a faixas estendidas ou suítes, mas uma com 18 minutos é um tanto dura de digerir. Ainda mais se notamos que há áreas que claramente poderiam ter sido separadas em faixas isoladas, mas por alguma razão essa decisão não foi tomada. Ironicamente, esta longa peça contém alguns dos melhores momentos do álbum, então basicamente você terá de sentar-se e ouvi-la na íntegra para apreciá-los.

Sherlock Holmes é um score que se coloca um pouco acima da média, mas que para mim nunca parece se conectar com o tipo certo de energia. No todo ele parece demasiadamente calculado para o meu gosto; é preciso demais. Dito isto ele tem seus grandes momentos, portanto há méritos suficientes para que seja adquirido - ou baixado digitalmente por um preço mais em conta.

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