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Tendo chegado meio que de mansinho na temporada de Festas de
fim de ano, o
Sherlock Holmes
de Guy Ritchie foi forçado a enfrentar
o "Titanic" de James Cameron
Avatar,
mas se saiu bem por méritos próprios. Esta versão de
Hollywood de Holmes requeria um score comercial adequado ao
projeto, e assim Ritchie empregou os serviços de
Hans Zimmer
e Lorne
Balfe. O álbum com a trilha sonora oferece 12 faixas, que apresentam tempos
de duração incomuns. Por exemplo, a faixa 11 tem mais de 18 minutos,
portanto seu conteúdo é atípico para um CD de trilha sonora.
A abordagem de Hans Zimmer para Sherlock Holmes
é a que se poderia esperar do compositor (e de sua equipe). O score
fornece uma visão modernizada, melódica do personagem de Holmes e propicia
uma experiência auditiva que pode não soar "autêntica", mas tem seu
charme. De modo similar ao modo com que Guy Ritchie transformou Holmes em um intelecto
com músculos (e variadas habilidades em artes marciais), a música da era Holmes
transmutou-se para uma moderna visão que referencia o período do filme, mas
nunca se encaixa completamente nele. Em outras palavras, a música não é tão
descaradamente deslocada do tempo e local da trama como a de
Piratas do Caribe,
mas da forma como foi concebida se apega às suas raízes modernistas.
O score
é levado por seu tema principal bem-humorado, facilmente identificável,
apresentado na faixa inicial e mais tarde utilizado em todo o disco como uma
espécie de coringa. Ele funciona muito bem para definir o tom dos
personagens, dando uma vibração irreverente que cai bem no contexto da
história mas que ao final creio que soa demasiadamente polido, com um som
de "estúdio". Este tipo de sound design não é uma distração tão
grande quando os instrumentos solo são empregados, de forma eloquente e até
surpreendente, mas o tema principal poderia ter se beneficiado de um toque
mais clássico e imprevisível, de forma a parecer menos com uma mixagem
moderna de estúdio.
O modo pelo
qual as faixas foram organizadas neste disco causa uma certa perplexidade.
Na sua maioria elas são curtas, até que chegamos às duas faixas
finais. A que realmente se destaca é a faixa 11, com seus mais de 18 minutos
de duração. Sou favorável a faixas estendidas ou suítes, mas uma com 18
minutos é um tanto dura de digerir. Ainda mais se notamos que há áreas que
claramente poderiam ter sido separadas em faixas isoladas, mas por alguma
razão essa decisão não foi tomada. Ironicamente, esta longa peça contém
alguns dos melhores momentos do álbum, então basicamente você terá de
sentar-se e ouvi-la na íntegra para apreciá-los.
Sherlock Holmes
é um score que se coloca um pouco acima da média, mas que para mim
nunca parece se conectar com o tipo certo de energia. No todo ele parece
demasiadamente calculado para o meu gosto; é preciso demais. Dito isto ele tem seus
grandes momentos, portanto há méritos suficientes para que seja adquirido -
ou baixado digitalmente por um preço mais em conta. |