Signs

Música composta por James Newton Howard

Selo:
Hollywood Records
Catálogo:
2061-62368-2
Ano: 2002

13 Faixas

Duração:
45:36
Cotação:


Comentário de
Jorge Luiz Viera

 

Para poder fazer frente a uma invasão extraterrestre, o diretor M. Night Shyamalan recorreu a Mel Gibson para ser seu protagonista, mas fundamentalmente apostou em uma colaboração que já dura, com este, três filmes; aquela com o compositor James Newton Howard, autor também de Unbreakable e The Sixth Sense. A solução de um enigma - tema recorrente nos dois filmes antes mencionados- é visto sob um novo enfoque do diretor, que transita aqui pelo caminho do suspense para - de forma absolutamente deliberada – ombrear o grande mestre do gênero, Sir Alfred Hitchcock. Esta decisão artística modifica também o enfoque da música incidental, o qual invariavelmente leva Newton Howard até os domínios daquele que é considerado o mais eficaz intérprete de Hitchcock sob a perspectiva musical, o maestro Bernard Herrmann.

Agora, a pergunta que fica é: será possível a Newton Howard alcançar semelhante efeito sem que caia em uma simples imitação de um estilo intransferível? Alguns fracassaram, como George Fenton em Final Analysis, e outros, como Alan Silvestri em What Lies Beneath, não souberam estar à altura das circunstâncias. Não é o caso de James Newton Howard, que enfrentou o desafio com muita decisão e compôs uma partitura com o necessário sabor "Herrmaniano", mas sem afastar-se do estilo musical que impusera nos filmes anteriores do diretor. Assim, seu trabalho está construído metodicamente sobre o tema principal, cuja repetição forçada nos remete diretamente ao tema de Vertigo, clássica composição de Bernard Herrmann para Hitchcock. Este motivo, que indica primeiro o mistério que circunda a família protagonista e cresce até, em seu clímax, converter-se no tema do ataque extraterrestre, se resolve nos dois temas finais, ambos intitulados "The Hand of Fate" ("Part I & II").

Mas o principal é que o conjunto funciona como nos bons filmes de suspense, agregando mistério e tensão de maneira progressiva. Também possibilita que o compositor adote uma linha que quase lhe é estranha - com exceção de A Perfect Murder, outra revisão de Hitchcock, neste caso uma nova versão de Dial M for Murder. Colocado a trabalhar, Newton Howard entregou um trabalho impecável, pleno de intriga e muitas vezes com tensão interna, o veículo ideal para transmitir a batalha emocional que fundamentalmente envolve os personagens. Nigth Shyamalan/Newton Howard, outro binômio compositor/diretor que, sem dúvida, vai se consolidando a cada novo trabalho. Em boa hora.

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