|
Para poder fazer
frente a uma invasão extraterrestre, o diretor M. Night Shyamalan
recorreu a Mel Gibson para ser seu protagonista, mas fundamentalmente
apostou em uma colaboração que já dura, com este, três filmes; aquela
com o compositor
James Newton Howard,
autor também de Unbreakable e The Sixth Sense. A solução
de um enigma - tema recorrente nos dois filmes antes mencionados- é
visto sob um novo enfoque do diretor, que transita aqui pelo caminho do
suspense para - de forma absolutamente deliberada – ombrear o grande
mestre do gênero, Sir Alfred Hitchcock. Esta decisão artística modifica
também o enfoque da música incidental, o qual invariavelmente leva
Newton Howard até os domínios daquele que é considerado o mais eficaz
intérprete de Hitchcock sob a perspectiva musical, o maestro
Bernard Herrmann.
Agora, a pergunta que fica é: será possível a Newton Howard alcançar
semelhante efeito sem que caia em uma simples imitação de um estilo
intransferível? Alguns fracassaram, como George Fenton em Final
Analysis, e outros, como
Alan Silvestri em
What Lies Beneath, não souberam estar à altura das circunstâncias.
Não é o caso de James Newton Howard, que enfrentou o desafio com muita
decisão e compôs uma partitura com o necessário sabor "Herrmaniano", mas
sem afastar-se do estilo musical que impusera nos filmes anteriores do
diretor. Assim, seu trabalho está construído metodicamente sobre o tema
principal, cuja repetição forçada nos remete diretamente ao tema de
Vertigo, clássica composição de Bernard Herrmann para Hitchcock.
Este motivo, que indica primeiro o mistério que circunda a família
protagonista e cresce até, em seu clímax, converter-se no tema do ataque
extraterrestre, se resolve nos dois temas finais, ambos intitulados "The
Hand of Fate" ("Part I & II").
Mas o principal é que o conjunto funciona como nos bons filmes de
suspense, agregando mistério e tensão de maneira progressiva. Também
possibilita que o compositor adote uma linha que quase lhe é estranha -
com exceção de A Perfect Murder, outra revisão de Hitchcock,
neste caso uma nova versão de Dial M for Murder. Colocado a
trabalhar, Newton Howard entregou um trabalho impecável, pleno de
intriga e muitas vezes com tensão interna, o veículo ideal para
transmitir a batalha emocional que fundamentalmente envolve os
personagens. Nigth Shyamalan/Newton Howard, outro binômio
compositor/diretor que, sem dúvida, vai se consolidando a cada novo
trabalho. Em boa hora. |