THE GOLDEN VOYAGE OF SINBAD
Música composta e regida por Miklos Rozsa

Selo: Prometheus
Catálogo: PCD 148
Lançamento: 1998
Faixas

1. Prelude
2. Arrival Of Homunculus
3. The Dream
4. The Storm
5. Marabia Beach
6. Koura's Pursuit
7. The Destiny
8. Night Time
9. The Siren
10. The Chart
11. Making Of The Homunuculus
12. Temple Of The Oracle
13. Escape From The Temple
14. Sinbad Discovers Koura / Sinbad Fights Kali
15. Fountain Of Destiny
16. The Centaur / Death Of The Centaur
17. Koura's End
18. Sinbad's Decision

Duração: 53:38
Cotação:


Comentário de
Jorge Saldanha

 

Após Simbad e a Princesa (1958), o herói das Mil e Uma Noites não voltaria ao cinema até 1973, ano em que Gordon Hessler realizou A Nova Viagem de Simbad, filme que também contaria com os efeitos especiais de Ray Harryhausen. Como à época o grande Bernard Herrmann, autor da partitura do filme anterior, já estava adoentado e menos disponível, para compor a trilha sonora foi escolhido simplesmente o próprio autor da trilha do clássico do gênero O Ladrão de Bagdá (1940), o lendário Miklos Rozsa. Apesar de hoje ser mais lembrado por seus massivos scores para produções épicas como Quo Vadis, Ivanhoé, Ben-Hur, El Cid e O Rei dos Reis, foi a partitura exótica e sensual de O Ladrão de Bagdá que consagrou Rozsa como um compositor dinâmico e criativo, introduzindo-o no cinema americano, onde ele trabalharia proficuamente por mais de 40 anos. Assim, A Nova Viagem de Simbad permitiu que Rozsa retornasse à música que impulsionou sua carreira, e isso ele fez de forma criativa e vigorosa, dando origem a uma partitura que não fica atrás de nenhum dos clássicos scores de capa-e-espada de Hollywood.

Aliás, não seria exagero dizer que a partitura e os efeitos stop-motion de Harryhausen são os maiores trunfos desta produção modesta. Rozsa possuía um estilo muito distinto do de Herrmann, e portanto, apesar de a partitura ser um clássico exemplo da grande trilha orquestral do cinema, ela possui grandes diferenças em relação à de Simbad e a Princesa. De fato, ela difere até da própria O Ladrão de Bagdá, que era extremamente melódica. Tendo por exceção os temas para Simbad (John Phillip Law) e Margiana (Caroline Munro), além de um que outro momento lírico, a força do score está mesmo no material para as cenas de ação. "The Prelude" introduz o tema do herói, trazendo ao ouvinte um mundo de magia, romance e aventura. A emotiva "Sinbad's Decision", que encerra o álbum, traz alguns destes momentos melodiosos, além de reprisar pela última vez o tema do herói no momento final da aventura.

As criaturas exóticas ou monstruosas do filme também são representadas musicalmente, porém mais em variações de arranjo e orquestração do que em motivos distintos; por exemplo, em "Arrival of the Homunculus", um sintetizador fantasmagórico, interpretando o tema do mago vilão, assinala a chegada de uma pequena e bizarra criatura alada, o homúnculo; os efeitos em staccato e o sintetizador marcam o ataque da criatura a Simbad em "Escape from the Temple"; e a estátua da deusa Kali recebe uma vibrante descrição musical em "Sinbad Fights Kali", que acompanha sua luta de espadas com Simbad. Já "The Centaur / Death of Centaur" traz as sonoridades que identificam os principais monstros do filme: uma seqüência de quatro notas interpretadas pela tuba marca a aparição do Centauro, enquanto seu oponente, o Grifo, é identificado pelos metais. O combate mortal de ambos é acompanhado por metais em fúria, cordas em tremollo e percussão.

Já o vilão do filme, o mago Koura (Tom Baker), recebe um tema marcante que é mais desenvolvido em "Koura’s Pursuit", e ouvido com destaque, pela última vez, no seu duelo de espadas com Simbad em "Koura’s End". A partitura também traz as marcas estilísticas do maestro, como sua típica “música de batalha” ouvida em "The Storm", e a "música de outro mundo" que pontua visões ou alucinações. Nos clássicos de 1945 Quando Fala o Coração e Farrapo Humano Rozsa utilizou em cenas do gênero o theremim, um precursor do sintetizador que, em A Nova Viagem de Simbad, é utilizado de modo similar.

Enfim, desde os primeiros até seus últimos acordes, esta partitura é uma maravilhosa jornada que leva o ouvinte não apenas para dentro das mágicas aventuras do mítico capitão, mas também de volta a um clássico gênero musical que ironicamente, à época em que foi composta, havia sido posta de lado em favor de linguagens musical-cinematográficas mais modernas e pop. Infelizmente esta obra recebeu apenas uma rara edição em CD no final dos anos 1990, através do selo belga Prometheus, trazendo as mesmas gravações do LP original, com pouco brilho sonoro. Uma nova edição remasterizada, ou mesmo uma regravação desta obra, seria mais do que bem-vinda. Uma amostra do que ela poderia ser está na compilação de dois CDs "Swashbuclers: Swordsmen of the Siver Screen", na qual The Golden Voyage of Sinbad se faz presente numa suíte de quase cinco minutos, com uma ótima interpretação da City of Prague Philarmonic, regida por Paul Bateman, registrada em excelente gravação digital.

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