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Para 007 - O Espião que me Amava, a responsabilidade de compor a
trilha sonora foi entregue a Marvin Hamlisch, um músico à época com
trinta e três anos e cujo maior êxito era ter ganho três prêmios Oscar
em 1973, dois pelo filme The Way we Were
(melhor partitura e melhor canção original) e o terceiro pelo filme
Golpe de Mestre (The Sting, melhor partitura adaptada).
Depois de O Espião que me Amava, Hamlisch não mais
teve participação ativa em trilhas sonoras, situação que pode ser
comprovada ao se pesquisar na web informações sobre o compositor,
não sendo encontrado nada especial - salvo uma lista bem reduzida de
outras trilhas sonoras que compôs, das quais se destaca a comédia
musical A Chorus Line e algumas trilhas sonoras para películas de
Barbara Streisand. Para a música de The Spy who Loved Me,
Hamlisch ajustou-se por completo à fórmula padrão que caracterizava as
trilhas sonoras de Bond.
Em primeiro lugar compôs a canção principal “Nobody Does It Better”
juntamente com Carole B. Sayer, que foi interpretada por Carly Simon.
Esta foi a primeira vez na história de Bond em que a canção dos créditos
principais teve um título diferente do filme. Seu conteúdo é uma clara
alegoria às "virtudes" de James Bond e sem dúvida deve ser uma das
canções mais destacadas da série.
Como se pode notar, estamos quase à frente
de uma alegoria erótica de James Bond. Hamlisch declarou que já era
tempo de se dedicar ao personagem uma canção relativa às façanhas
amorosas pelas quais era conhecido.
“Nobody Does It Better”
marca o retorno da balada às canções de Bond, estilo que se manteria
pelos três filmes seguintes. Comentar a trilha sonora de O Espião que
me Amava é bem difícil para mim, devido à contradição que ela me
provoca. Para poder compreender esta contradição peço licença para
contar-lhes o seguinte relato pessoal: até
1993, havia assistido somente três filmes de Bond, e entre eles não
estava O Espião que me Amava, o qual, pelo que haviam comentado e
tinha lido, era uma das películas mais espetaculares e lembradas da
série. Como não tinha nenhuma possibilidade de assisti-la ou comprá-la,
tive de me conformar em possuir sua trilha sonora e aguardar que
aparecesse para locação em vídeo. Quando comprei a trilha minha
expectativa era altíssima, porém esta rapidamente se desvaneceu. Ao
terminar de ouvi-la minha reflexão foi: como um filme supostamente tão
espetacular poderia ter uma trilha sonora tão débil e curta?
Esta reflexão
posso sustentar com os seguintes argumentos:
O disco
contém somente 11 temas e
tem uma duração de 36 minutos, enquanto o filme
tem 125. Esta diferença de duração poderia nos fazer supor que no disco
foi omitida muita música, contudo não foi assim, já que é muito pouca a
música que falta, ou dizendo de outra forma, não é muita a música ouvida
no filme. Em todo caso, para ser justo devo
reconhecer que a duração aproximada de quase todos os discos originais é
a mesma, porém diferentemente de outros filmes, alguns temas foram
usados em mais de uma cena, situação que é bastante incomum nas trilhas
sonoras de Bond. Analisemos o disco:
-
As faixas 1 e 11 são as mesmas,
correspondem à canção principal composta por Marvin Hamlisch e Carole B.
Sager e interpretada por Carly Simon. Na faixa 11 há uma pequena
introdução instrumental, mas no fundo é a mesma canção. O curioso é que
a seqüência de créditos finais do filme é distinta, já que começa com
uma versão com coral masculino da mesma canção;
- A
faixa 2 corresponde ao tema utilizado em todas as cenas de perseguição
de Bond (na neve, na estrada, sob o mar). Erroneamente o disco assinala
entre parênteses “James Bond Theme”, já que há
somente uma breve referência ao tema, ouvida na seqüência de
pré-títulos. Nas demais perseguições somente escutamos a composição
original;
- A
faixa 3 é uma das melhores do disco, sendo
muito agradável ao ouvido, ainda que não seja fácil relacioná-la com um
tema composto para James Bond. Ainda assim, é um bom tema, que foi muito
bem utilizado no filme;
- As
faixas 4 e 9 correspondem aos temas mais absurdos e
ilógicos do filme.
Quando se filma em locações exóticas ou lugares
com culturas chamativas, usualmente se inclui sua música típica em
algumas cenas, porém esta música não é parte da música incidental, já
que se trata de música ambiental retirada do folclore local para ser
incluída na montagem da seqüência (source music). Como exemplos
podemos destacar a música que se ouve em restaurantes, teatros, feiras,
etc.). Para este filme, Hamlisch compôs este tipo de música para um par
de cenas, as quais correspondem a duas danças típicas egípcias que são
parte do show apresentado no Club Mojave. Seu efeito dramático é nulo,
já que esta música não tem vinculação com o desenvolvimento argumental
do filme. Na minha opinião, dois temas desnecessários para esta trilha;
- A
faixa
5
corresponde exatamente ao indicado no disco, uma versão instrumental da
canção principal, que não é muito ouvida durante o filme;
- A
faixa 6 é ouvida somente no álbum, nunca é utilizada no filme. Outro
tema desnecessário, que demonstra que a edição do disco não foi feita
com o cuidado apropriado;
- A
faixa
7 é
claramente a melhor da trilha, de grande força e efetividade ao melhor
estilo Bond, e muito bem sucedida na cena em que foi utilizada;
- As
faixas
8 e 10 correspondem a uma mesma seqüência. Quando ouvidas isoladamente
resultam bastante hostis, apesar de que no filme funcionam
eficientemente. O segundo tema, em todo o caso, não corresponde à
conclusão do filme, mas somente à de uma seqüência do filme.
Então, poderíamos resumir esta trilha da seguinte forma:
Total
de faixas: 11
Relacionadas com a canção principal: 3
Sem efeito dramático: 2
Não utilizadas no filme: 1
Realmente música incidental: 5
Creio que este resumo indica a pobreza da trilha. Mas onde está a
contradição? Bem, tal como assinalei anteriormente, ao escutar a música
isoladamente ela claramente não agrada, mas ao ouvir toda esta música
inserta no filme e combinada com as cenas, a percepção muda bastante.
Efetivamente se trata da mesma música que aparece no disco (apesar de
algumas diferenças na instrumentação indicarem que para o álbum a música
foi regravada), mas que então resulta absolutamente funcional e útil às
seqüências que acompanha, exceto, obviamente, as duas danças do Club
Mojave. Esta é a contradição, absolutamente impopular para o ouvido, mas
absolutamente funcional para a visão, quando a escuto não me agrada
muito, mas quando combinada com as imagens, a encontro absolutamente
consistente com o que estou vendo. Pelo jeito o mesmo
pensou a Academia de Artes e Ciências
Cinematográficas ao indicar esta trilha ao Oscar de Melhor Canção
Original e Melhor Trilha Sonora Original.
A respeito do uso do “Tema de James Bond”,
Marvin Hamlisch não teve nenhum problema. Não o combinou nem o inseriu
dentro de suas composições originais. Simplesmente quando o utilizou, o
incluiu sem nenhum arranjo especial e com um som bastante similar ao
que lhe deu Barry na década de sessenta. Durante o filme se pode escutar
este tema em quatro cenas, não muito extensas. Conforme já referido, há
alguns temas que se ouvem no filme mas não no disco, mas que também não
fazem falta. Em resumo esta é uma trilha sonora absolutamente funcional
para a película, mas não muito atraente para desfrutá-la unicamente em
uma aparelhagem de som.
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