THE SPY WHO LOVED ME
Música composta e regida por Marvin Hamlisch

Selo: EMI/Capitol
Catálogo:
41469
Ano: 2003
Faixas:
1. Nobody Does It Better - Carly Simon 
2. Bond 77
3. Ride To Atlantis 
4. Mojave Club 
5. Nobody Does It Better 
6. Anya 
7. The Tanker 
8. The Pyramids 
9. Eastern Lights 
10. Conclusion 
11. End Titles-Nobody Does It Better - Carly Simon 
Duração: 36:22

Cotação:


Comentário de
Hugo Moya Arancibia

 

Para 007 - O Espião que me Amava, a responsabilidade de compor a trilha sonora foi entregue a Marvin Hamlisch, um músico à época com trinta e três anos e cujo maior êxito era ter ganho três prêmios Oscar em 1973, dois pelo filme The Way we Were (melhor partitura e melhor canção original) e o terceiro pelo filme Golpe de Mestre (The Sting, melhor partitura adaptada). Depois de O Espião que me Amava, Hamlisch não mais teve participação ativa em trilhas sonoras, situação que pode ser comprovada ao se pesquisar na web informações sobre o compositor, não sendo encontrado nada especial - salvo uma lista bem reduzida de outras trilhas sonoras que compôs, das quais se destaca a comédia musical A Chorus Line e algumas trilhas sonoras para películas de Barbara Streisand. Para a música de The Spy who Loved Me, Hamlisch ajustou-se por completo à fórmula padrão que caracterizava as trilhas sonoras de Bond.

Em primeiro lugar compôs a canção principal “Nobody Does It Better” juntamente com Carole B. Sayer, que foi interpretada por Carly Simon. Esta foi a primeira vez na história de Bond em que a canção dos créditos principais teve um título diferente do filme. Seu conteúdo é uma clara alegoria às "virtudes" de James Bond e sem dúvida deve ser uma das canções mais destacadas da série.
Como se pode notar, estamos quase à frente de uma alegoria erótica de James Bond. Hamlisch declarou que já era tempo de se dedicar ao personagem uma canção relativa às façanhas amorosas pelas quais era conhecido. “Nobody Does It Better” marca o retorno da balada às canções de Bond, estilo que se manteria pelos três filmes seguintes. Comentar a trilha sonora de O Espião que me Amava é bem difícil para mim, devido à contradição que ela me provoca. Para poder compreender esta contradição peço licença para contar-lhes o seguinte relato pessoal: até 1993, havia assistido somente três filmes de Bond, e entre eles não estava O Espião que me Amava, o qual, pelo que haviam comentado e tinha lido, era uma das películas mais espetaculares e lembradas da série. Como não tinha nenhuma possibilidade de assisti-la ou comprá-la, tive de me conformar em possuir sua trilha sonora e aguardar que aparecesse para locação em vídeo. Quando comprei a trilha minha expectativa era altíssima, porém esta rapidamente se desvaneceu. Ao terminar de ouvi-la minha reflexão foi: como um filme supostamente tão espetacular poderia ter uma trilha sonora tão débil e curta? Esta reflexão posso sustentar com os seguintes argumentos:

O disco contém somente 11 temas e tem uma duração de 36 minutos, enquanto o filme tem 125. Esta diferença de duração poderia nos fazer supor que no disco foi omitida muita música, contudo não foi assim, já que é muito pouca a música que falta, ou dizendo de outra forma, não é muita a música ouvida no filme. Em todo caso, para ser justo devo reconhecer que a duração aproximada de quase todos os discos originais é a mesma, porém diferentemente de outros filmes, alguns temas foram usados em mais de uma cena, situação que é bastante incomum nas trilhas sonoras de Bond. Analisemos o disco:

-  As faixas 1 e 11 são as mesmas, correspondem à canção principal composta por Marvin Hamlisch e Carole B. Sager e interpretada por Carly Simon. Na faixa 11 há uma pequena introdução instrumental, mas  no fundo é a mesma canção. O curioso é que a seqüência de créditos finais do filme é distinta, já que começa com uma versão com coral masculino da mesma canção;
- A faixa 2 corresponde ao tema utilizado em todas as cenas de perseguição de Bond (na neve, na estrada, sob o mar). Erroneamente o disco assinala entre parênteses “
James Bond Theme”, já que há somente uma breve referência ao tema, ouvida na seqüência de pré-títulos. Nas demais perseguições somente escutamos a composição original;
- A faixa 3 é uma das
melhores do disco, sendo muito agradável ao ouvido, ainda que não seja fácil relacioná-la com um tema composto para James Bond. Ainda assim, é um bom tema, que foi muito bem utilizado no filme;
- 
As faixas 4 e 9 correspondem aos temas mais absurdos e ilógicos do filme. Quando se filma em locações exóticas ou lugares com culturas chamativas, usualmente se inclui sua música típica em algumas cenas, porém esta música não é parte da música incidental, já que se trata de música ambiental retirada do folclore local para ser incluída na montagem da seqüência (source music). Como exemplos podemos destacar a música que se ouve em restaurantes, teatros, feiras, etc.). Para este filme, Hamlisch compôs este tipo de música para um par de cenas, as quais correspondem a duas danças típicas egípcias que são parte do show apresentado no Club Mojave. Seu efeito dramático é nulo, já que esta música não tem vinculação com o desenvolvimento argumental do filme. Na minha opinião, dois temas desnecessários para esta trilha;
- 
A faixa 5 corresponde exatamente ao indicado no disco, uma versão instrumental da canção principal, que não é muito ouvida durante o filme;
- 
A faixa 6 é ouvida somente no álbum, nunca é utilizada no filme. Outro tema desnecessário, que demonstra que a edição do disco não foi feita com o cuidado apropriado;
- 
A faixa 7 é claramente a melhor da trilha, de grande força e efetividade ao melhor estilo Bond, e muito bem sucedida na cena em que foi utilizada;
- 
As faixas 8 e 10 correspondem a uma mesma seqüência. Quando ouvidas isoladamente resultam bastante hostis, apesar de que no filme funcionam eficientemente. O segundo tema, em todo o caso, não corresponde à conclusão do filme, mas somente à de uma seqüência do filme.

Então, poderíamos resumir esta trilha da seguinte forma:

Total de faixas: 11
Relacionadas com a canção principal: 3
Sem efeito dramático: 2

Não utilizadas no filme: 1
Realmente música incidental: 5

Creio que este resumo indica a pobreza da trilha. Mas onde está a contradição? Bem, tal como assinalei anteriormente, ao escutar a música isoladamente ela claramente não agrada, mas ao ouvir toda esta música inserta no filme e combinada com as cenas, a percepção muda bastante. Efetivamente se trata da mesma música que aparece no disco (apesar de algumas diferenças na instrumentação indicarem que para o álbum a música foi regravada), mas que então resulta absolutamente funcional e útil às seqüências que acompanha, exceto, obviamente, as duas danças do Club Mojave. Esta é a contradição, absolutamente impopular para o ouvido, mas absolutamente funcional para a visão, quando a escuto não me agrada muito,  mas quando combinada com as imagens, a encontro absolutamente consistente com o que estou vendo.
Pelo jeito o mesmo pensou a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas ao indicar esta trilha ao Oscar de Melhor Canção Original e Melhor Trilha Sonora Original.

A
respeito do uso do “Tema de James Bond”, Marvin Hamlisch não teve nenhum  problema. Não o combinou nem o inseriu dentro de suas composições originais. Simplesmente quando o utilizou, o incluiu  sem nenhum arranjo especial e com um som bastante similar ao que lhe deu Barry na década de sessenta. Durante o filme se pode escutar este tema em quatro cenas, não muito extensas. Conforme já referido, há alguns temas que se ouvem no filme mas não no disco, mas que também não fazem falta. Em resumo esta é uma trilha sonora absolutamente funcional para a película, mas não muito atraente para desfrutá-la unicamente em uma aparelhagem de som.

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