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Jornada
nas Estrelas III: À Procura de Spock
nunca foi um dos melhores filmes da
série, ficando em um razoável meio termo entre os que considero os
melhores e aqueles que considero os piores (estes, na minha opinião,
dominados por praticamente todos os longas da Nova Geração). Por
ser uma continuação direta de
A Ira de Khan,
houve uma flagrante intenção de corrigir pretensas falhas do capítulo
anterior (se naquele Kirk nunca confrontou pessoalmente Khan, neste foi
providenciado um confronto físico entre o almirante e o vilão klingon
Kruge).
Mas acima de tudo o filme, conceitualmente, foi produzido para trazer o
capitão Spock de volta do além, e seu roteiro teria de arranjar soluções
satisfatórias para esta demanda.
A partir de uma cena-chave do filme
anterior, na qual Spock faz um rápido elo mental com o Dr. McCoy, o
produtor-roteirista Harve Bennett criou um script que girava em
torno da desativação da Enterprise original, da tentativa dos klingons
se apoderarem do torpedo Gênesis (mais uma vez ele é o alvo da cobiça
dos vilões) e do misticismo vulcano, tudo costurado a fim de tornar
plausível a ressurreição de Spock. Apesar de não ter resultado tão bom
como poderia ser, o fato é que este terceiro longa acabou sendo um marco
para a mitologia de Jornada nas Estrelas, já que nele
testemunhamos acontecimentos de importância capital, como a primeira
aparição de uma Ave de Rapina klingon, a morte do filho de Kirk, a
destruição da Enterprise original e, é claro, a volta de Spock ao mundo
dos vivos e o seu reencontro com os amigos, na tocante cena final.
No aspecto musical, os produtores não hesitaram em novamente contratar
James Horner
para compor a trilha, já que sua música para A Ira de Khan
tornara-se simplesmente antológica. Infelizmente, apesar do compositor
desta vez ter recebido um cachê bem mais polpudo, a partitura para
The Search for Spock resultou pouco mais do que satisfatória. Horner
tentou apresentar uma música mais elaborada para esta seqüência, e
apesar da orquestra soar melhor na maior parte do tempo, o todo não
possui o frescor e a vitalidade do trabalho anterior. Se em alguns
momentos The Search for Spock soa mais impressionante que The
Wrath of Khan, há muitos outros que são, simplesmente,
monótonos. O score é "requentado" - não houve a introdução de
nenhum grande novo tema, e nem os apresentados no filme anterior foram
significativamente alterados. A partir de "Prologue and Main Title"
temos uma amostra do que virá, uma partitura cuja espinha dorsal é o
tema místico composto para Spock no filme anterior. As longas e
pretensamente majestosas versões desta composição, ouvidas
principalmente na metade do álbum, quebram em muito o dinamismo do
trabalho.
Já o tema Klingon introduzido por Horner em "Klingons" é uma variação do composto por
Jerry Goldsmith, basicamente um conjunto superficial de metais e
percussão sem o impacto de seu equivalente de
The Motion Picture.
Mas certamente temos pontos positivos e deles faz parte "Stealing The
Enterprise", faixa na qual temos os momentos mais vibrantes da partitura
e que, de todo o score, considero a única capaz de rivalizar com
a trilha de Horner para The Wrath of Khan - apesar de,
obviamente, boa parte dela ser baseada em material pré-existente.
Iniciando com um tom otimista que marca a reunião dos protagonistas com
vistas ao roubo da Enterprise da doca espacial, a faixa transita por
momentos de suspense, pelo tema de Horner para a nave estelar e outros
tantos nos quais a orquestra dá o melhor de sua interpretação. Até mesmo
o "Blaster Beam", instrumento marcante da trilha de The Motion
Picture e utilizado timidamente por Horner em The Wrath of Khan,
é ouvido novamente mais ao seu final. Além disso, na trilha sonora
Horner faz um melhor uso do tema de
Alexander Courage
criado para a Série Clássica da TV: dele ouvimos até mesmo um
trecho inteiro, além da conhecida fanfarra.
O LP original da trilha foi lançado pela gravadora Capitol em 1984, e o
CD chegou em 1990 pela GNP Crescendo. Esta edição em CD ainda está em
catálogo, e repete exatamente o conteúdo do LP original, contendo
inclusive a desnecessária e datada versão pop do tema principal.
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