STAR TREK V: THE FINAL FRONTIER
Música composta e regida por Jerry Goldsmith


Selo:
Epic
Catálogo:
EK 45267
Ano: 1989
Faixas:
1. Mountain 
2. Barrier 
3. Without Help 
4. A Busy Man  
5. Open the Gates 
6. Moon's a Window to Heaven - Hiroshima 
7. Angry God 
8. Let's Get Out of Here 
9. Free Minds 
10. Life Is a Dream  

Duração: 42:
22
Cotação:


Comentário de
J
orge Saldanha

 

Estranha ironia. Uma das últimas trilhas sonoras de Jerry Goldsmith que comentei foi a de Jornada nas Estrelas: Nêmesis, e no texto apontei como a avaliação daquele trabalho poderia ser afetada pelo aspecto emocional, já que à época recém fora divulgado que o compositor sofria de câncer. Pois bem, Goldsmith faleceu poucos dias antes deste comentário, e mais uma vez o aspecto emocional poderia ser um fator de grande influência na análise desta trilha original. Por sorte o trabalho que Goldsmith realizou para Jornada nas Estrelas V: A Última Fronteira é simplesmente o segundo melhor que compôs para a franquia, perdendo somente para o antológico Jornada nas Estrelas: O Filme. Portanto, é legítimo enaltecer suas qualidades, já que temos aqui um dos melhores momentos do compositor na série, o que podemos facilmente constatar comparando-se com as subseqüentes trilhas que compôs para Primeiro Contato, Insurreição e o já citado Nêmesis, que progressivamente foram perdendo o brilho e a inspiração.

O filme é quase uma unanimidade: a estréia na direção de William Shatner (o Capitão Kirk) é considerado um dos piores da franquia, se não o pior. Particularmente não acho que seja o pior, mas é forçoso reconhecer que nele há uma abundância de problemas, que vão desde um roteiro cheio de absurdos aos efeitos especiais ruins, passando pela própria direção de Shatner, que pode ser considerada, na melhor das hipóteses, medíocre. Apesar de tudo é neste filme que vemos a melhor e mais profunda exploração da amizade que une o trio Kirk-Spock-McCoy. É dos três personagens que vêm os mais divertidos, sinceros e emocionais momentos do filme, e toda a vez que vejo suas cenas no Parque Yosemite, em volta da fogueira, meus olhos brilham. E também brilha o talento de Goldsmith, que conseguiu minimizar muitas das falhas da produção com uma partitura que fornece grandes momentos de ação e emoção ao espectador/ouvinte. A maior característica deste score é a forma como Goldsmith habilmente reutiliza temas prévios que, juntamente com novas idéias musicais, ajudam a impulsionar a trama do filme. O compositor trouxe de volta seu tema de Jornada nas Estrelas: O Filme, que lhe valeu a indicação ao Oscar em 1979 e um Emmy em 1987 (pela série de TV da Nova Geração).

O álbum e o filme iniciam com "The Mountain", o main title que é introduzido pela fanfarra original de Alexander Courage e que segue com o tema de Goldsmith para O Filme. À época este tema ainda não havia sido tão utilizado no cinema, e dá um ar de grandiosidade às cenas de abertura. Na parte final da faixa o tema cede lugar a uma delicada música pastoral, que acompanha Kirk escalando a montanha. Este belo motivo claramente delineia os sentimentos que levam o Capitão tanto a escalar montanhas quanto a lançar-se aos locais mais inóspitos da galáxia. Do filme original Goldsmith resgata também o tema klingon, usado aqui de forma mais intensa já que os klingons ganham maior relevância na ação. E falando em ação, faixas como "Without Help", "Let's Get Out Of Here" e "Open The Gates" mostram Goldsmith em sua melhor forma. Elas são tão boas quanto o material presente em O Vingador do Futuro, trilha composta no mesmo ano. Delas destaca-se "Without Help", ouvida enquanto a nave auxiliar que leva Kirk, Sybok e cia. tenta retornar à Enterprise, sob a ameaça do ataque iminente dos klingons. A música enriquece a cena com tensão e um grande senso de perigo.

Porém o ponto alto do score é um novo tema de Goldsmith, dedicado a "Deus" e melhor desenvolvido na faixa "A Busy Man". Este tema possui uma beleza etérea, e faz-se presente de forma muito eficaz também em "The Barrier" e "An Angry God". De um modo geral, Star Trek V: The Final Frontier é uma trilha original que possui qualidades características de Goldsmith:  metais pesados e envolventes, percussão eclética, sintetizadores aqui e ali, e um cativante tema que, convenientemente já que o filme trata da busca por Deus, faz milagres. Goldsmith, como já fizera em outros momentos de sua carreira, demonstrando ter grande inspiração até em filmes problemáticos como esse, criou um score capaz de complementar perfeitamente as imagens e sendo, ao mesmo tempo, um sólido trabalho sinfônico que possui vida própria mesmo estando delas apartado, em disco. Portanto, apesar da desnecessária faixa do grupo Hiroshima ("Moon's a Window to Heaven", em versão diferente da ouvida no filme), a trilha de A Fronteira Final merece ser ouvida e apreciada não apenas por trekkers e fãs do legado de Goldsmith, mas por qualquer um que aprecie uma trilha sonora de grande qualidade.

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