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Jornada nas
Estrelas: Generations
marcou a estréia no cinema dos personagens da
Nova Geração da franquia,
e havia uma justificada expectativa de que o filme seria um sucesso,
como a série de TV na qual se baseou. Foi dirigido por um veterano da
série, o competente inglês David Carson, e teve um orçamento superior ao
da maioria dos longas anteriores. Alguma coisa, porém, deu errado... e o
filme hoje é mais lembrado pela morte do Capitão Kirk, que é
simplesmente imbecil. O produtor Rick Berman, que não morre de amores
pela Série Original de Jornada
nas Estrelas, arranjou um jeito de humilhar este personagem
icônico. Ao final, espremido entre os muito melhores
Jornada nas
Estrelas VI: A Terra Desconhecida e
Jornada nas
Estrelas: Primeiro Contato, este filme - e sua trilha sonora -
ficou perdido na transitoriedade entre os filmes com o elenco da
Série Original e os da Nova Geração.
Foi a primeira (e a última, até agora)
tentativa dos produtores de usar um compositor das séries de TV ao invés
de um músico eminentemente cinematográfico. Dennis McCarthy pode ser
considerado um veterano da franquia a partir da série da Nova Geração,
tendo colaborado para todas as séries derivadas até a mais recente,
Enterprise.
Para a sua primeira incursão cinematográfica o compositor,
reconhecidamente talentoso, buscou realizar um trabalho mais ambicioso,
mas que ainda assim mantivesse algo da música que criara para a série de
TV. Neste sentido, cabe esclarecer que a música escrita rapidamente para
os episódios da Nova Geração obedecia a certas regras ditadas
pelos produtores aos compositores (que incluíam limitação temática e
ênfase em ambientação, no lugar de faixas individuais marcantes).
O resultado é um score que possui os elementos de uma trilha
sonora de um filme de Jornada nas Estrelas - grande orquestra, a
fanfarra do tema televisivo de
Alexander Courage,
tudo enriquecido por um coral completo - mas que, ao mesmo tempo, mantém
suas raízes demasiadamente fincadas na TV. O resultado é que a
música de Star Trek: Generations, em que pese sua maior variedade
harmônica e temática e a boa performance da orquestra, soa mais
como uma trilha de televisão expandida do que uma obra feita para o
cinema. Este é o sentimento que persiste, mesmo considerando que
McCarthy empregou uma orquestra de 95 instrumentos e um coral. A música
para os créditos iniciais é baixa e quase sem melodia, um contraste
enorme com as barulhentas fanfarras que estavam presentes nas aberturas
dos outros filmes. O final da faixa, contudo, apresenta um dos pontos
altos deste trabalho. Enquanto a garrafa de champanhe se quebra no casco
da recém-lançada Enterprise-B, McCarthy apresenta uma das mais
inspiradas utilizações do tema original de Courage.
Outros bons momentos são o emotivo encontro de Picard com a família que
ele nunca teve, no interior do Nexus ("The Nexus / A Christmas
Hug"), e "To Live Forever", a faixa de encerramento do álbum, quando a
partitura empurra as naves da Federação para a velocidade de dobra. O
restante do trabalho, ainda que cumpra com competência a função de um
underscore, não provoca maior reação no ouvinte, especialmente
quando ouvido isoladamente em disco. É uma pena, já que problemas do
filme à parte, esta foi a oportunidade (perdida) de McCarthy efetuar a
transição da tela pequena para a grande, com uma partitura que fosse
realmente envolvente e cativante. |