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Um Jerry Goldsmith ruim ou medíocre é melhor
do que nenhum Jerry Goldsmith? Particularmente acredito que sim, apesar
de ter desejado que scores como Along Came a Spider e
The Last Castle
fossem bem melhores do que são. O fato é que a partir de 1999 o veterano
compositor diminuiu drasticamente a sua produção, e seus últimos
trabalhos não vêm sendo muito inspirados: hoje, com seus problemas de
saúde tornados públicos, sabemos a razão disso. Mas pelo menos Jerry
continua trabalhando, The Sum of All Fears, o primeiro de seus
dois scores de 2002 a chegar às lojas (o outro foi
Star Trek:
Nemesis), marca o retorno do compositor aos blockbusters
e, se não chega a ser uma obra clássica no currículo de seu autor, pelo
menos é um grande avanço em relação aos scores anteriormente
citados. Está pelo menos no mesmo nível de
Hollow Man,
ou daí para cima.
E tratando-se de filmes com o personagem Jack Ryan, posso afirmar com
certeza que esta partitura é bem superior às duas que
James Horner
compôs para Clear and Present Danger e Patriot Games. Um
dos maiores problemas com o CD de The Sum of All Fears é que o
melhor está concentrado em sua parte inicial. A audição inicia
satisfatoriamente com “If we Could Remember”, com vocal de Yolanda
Adams. Em seguida temos a impressionante “The
Mission”
,
de longe o ponto alto do álbum e sem dúvida uma das melhores composições
de Goldsmith em anos. Deveria ter sido deslocada mais para o final do
CD, já que colocada como está, ela empalidece a maior parte das músicas
que lhe seguem. “The Mission”, ouvida na abertura do filme, é uma bela
ária com letras em latim cantadas por Shana Blake Hill e com
acompanhamento de coral, que introduz o primeiro dos três temas
dominantes da partitura. É uma pena que este tema ressurja somente ao
final do score, já que possui uma beleza rara de encontrarmos nos
temas de Goldsmith.
Seguem-se algumas boas faixas que evocam o Oriente Médio, lembrando seus
scores de temática similar como QB VII e Masada, e
que se beneficiam em muito com o uso do coral. Porém, com a progressão
do álbum, a criatividade inicial de Goldsmith parece diminuir e ele
retorna ao sintetizador e a faixas de ação/suspense muito parecidas com
outras de sua produção recente, que não acrescentam muito ao ouvinte.
Para piorar um pouco a situação, os outros dois temas principais do
score não são particularmente imaginativos. Um deles é uma simples
fanfarra que representa os EUA, o outro, mais ricamente orquestrado e
majestoso, mas que por vezes evoca Air Force One, representa a
Rússia.
Felizmente, o tema principal retorna em "How Close?" e "The Same Air”,
que antecede a uma versão pop de “If We Could Remember”, feita
para fechar o filme/álbum. Ao final, analisados os prós e os contras,
The Sum of All Fears é um trabalho no qual Goldsmith mostrou estar
mais inspirado que em suas últimas composições. É um score que,
apesar de algumas fraquezas intrínsecas, merece ser apreciado e
prestigiado pelos scoretrackers. |