THE SUM OF ALL FEARS
Música composta e regida por Jerry Goldsmith. Orquestrações de Mark McKenzie

Selo:
Elektra
Catálogo:
62786-2
Ano: 2002

16 Faixas

Duração:
49:37
Cotação:


Comentário de
J
orge Saldanha

 

Um Jerry Goldsmith ruim ou medíocre é melhor do que nenhum Jerry Goldsmith? Particularmente acredito que sim, apesar de ter desejado que scores como Along Came a Spider e The Last Castle fossem bem melhores do que são. O fato é que a partir de 1999 o veterano compositor diminuiu drasticamente a sua produção, e seus últimos trabalhos não vêm sendo muito inspirados: hoje, com seus problemas de saúde tornados públicos, sabemos a razão disso. Mas pelo menos Jerry continua trabalhando, The Sum of All Fears, o primeiro de seus dois scores de 2002 a chegar às lojas (o outro foi Star Trek: Nemesis), marca o retorno do compositor aos blockbusters e, se não chega a ser uma obra clássica no currículo de seu autor, pelo menos é um grande avanço em relação aos scores anteriormente citados. Está pelo menos no mesmo nível de Hollow Man, ou daí para cima.

E tratando-se de filmes com o personagem Jack Ryan, posso afirmar com certeza que esta partitura é bem superior às duas que James Horner compôs para Clear and Present Danger e Patriot Games. Um dos maiores problemas com o CD de The Sum of All Fears é que o melhor está concentrado em sua parte inicial. A audição inicia satisfatoriamente com “If we Could Remember”, com vocal de Yolanda Adams. Em seguida temos a impressionante “The Mission, de longe o ponto alto do álbum e sem dúvida uma das melhores composições de Goldsmith em anos. Deveria ter sido deslocada mais para o final do CD, já que colocada como está, ela empalidece a maior parte das músicas que lhe seguem. “The Mission”, ouvida na abertura do filme, é uma bela ária com letras em latim cantadas por Shana Blake Hill e com acompanhamento de coral, que introduz o primeiro dos três temas dominantes da partitura. É uma pena que este tema ressurja somente ao final do score, já que possui uma beleza rara de encontrarmos nos temas de Goldsmith.

Seguem-se algumas boas faixas que evocam o Oriente Médio, lembrando seus scores de temática similar como QB VII e Masada, e que se beneficiam em muito com o uso do coral. Porém, com a progressão do álbum, a criatividade inicial de Goldsmith parece diminuir e ele retorna ao sintetizador e a faixas de ação/suspense muito parecidas com outras de sua produção recente, que não acrescentam muito ao ouvinte. Para piorar um pouco a situação, os outros dois temas principais do score não são particularmente imaginativos. Um deles é uma simples fanfarra que representa os EUA, o outro, mais ricamente orquestrado e majestoso, mas que por vezes evoca Air Force One, representa a Rússia.

Felizmente, o tema principal retorna em "How Close?" e "The Same Air”, que antecede a uma versão pop de “If We Could Remember”, feita para fechar o filme/álbum. Ao final, analisados os prós e os contras, The Sum of All Fears é um trabalho no qual Goldsmith mostrou estar mais inspirado que em suas últimas composições. É um score que, apesar de algumas fraquezas intrínsecas, merece ser apreciado e prestigiado pelos scoretrackers.

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