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Syriana,
thriller geopolitíco
baseado em um livro de Robert Baer, foi dirigido e escrito por Stephen
Gaghan, ganhador do Oscar pelo roteiro de
Traffic. Dadas as
similaridades entre os dois filmes, não seria surpresa se o compositor
de Traffic, Cliff
Martinez, retornasse para criar o
score de Syriana.
Mas Gaghan optou pelo francês Alexandre Desplat, que após ter musicado
mais de 60 filmes em seu país natal, em um curto espaço de tempo, que
começou há poucos anos com Girl with
a Pearl Earring - que valeu a Desplat uma indicação ao Globo
de Ouro -, desenvolveu uma sólida carreira em Hollywood, tendo
trabalhado apenas em 2005 em sete filmes.
Com uma nova indicação ao Globo de Ouro para Melhor Trilha Sonora
Original, Syriana junta-se
a Birth e
Hostage como os trabalhos
mais reconhecidos do compositor. Estes filmes, por sua vez, estão longe
de serem blockbusters, e
dividem entre si algumas similaridades musicais; contudo, o
score de
Syriana soa muito mais como a
música ambiental de Cliff Martinez do que as próprias obras orquestrais
de Desplat. O filme dramatiza a atuação da indústria internacional do
petróleo através de várias tramas paralelas, e o compositor optou por
empregar um ensemble que
consiste de uma pequena orquestra de percussão e cordas, mais piano e
instrumentos do Oriente Médio como
duduk e ney. O
duduk, tocado por Djivan
Gasparyan, é empregado de um modo bem mais autêntico do que na maioria
dos scores
norte-americanos de linha étnica. Mas, como ocorre nas interpretações do
ney e do
cello, é utilizada uma
mixagem muito discreta para incorporar o instrumento à trilha sonora.
A intenção de Desplat foi restringir sua música para criar um
score sutil, que não
competisse com as situações e o drama dos personagens. Consequentemente,
o tema principal de duas notas é contido e triste, desenvolvido
principalmente pelas cordas e o piano ("Syriana (Piano Solo)", "Falcons",
"Fathers and Sons"). O álbum oferece sua faixa mais ritmicamente ativa
já bem perto de seu início, com "Driving in Geneva", que apresenta um
repetitivo, hipnótico baixo elétrico, ou um seu equivalente eletrônico.
Um ponto alto desta faixa é a performance do piano sobre um magnífico
scherzo.
Desplat usa o ostinato
para retratar a violência, faz um uso ameaçador dos timbales ("Ill Walk
Around ", "Truce"), introduz uma atraente percussão árabe na energética
"Beirut Taxi" e explora dois motivos em "The Abduction", que é encerrada
por um intenso caos orquestral. No entanto, apesar de todos estes
esforços, Syriana não é
uma experiência auditiva cativante. Em disco, sua estrutura minimalista,
fria e às vezes impermeável, isolada das imagens, fracassa em expressar
o suspense ou a intriga típicos deste gênero de filme.
Com seu tratamento nada ambicioso,
Syriana mostra não ser o tipo de
score que você ouvirá muitas
vezes. Ainda que seja um trabalho original, em comparação ao que hoje é
produzido em massa por Hollywood (e isto por si já é uma qualidade), ao
menos para mim esta é uma trilha sonora difícil de apreciar. |