TAXI DRIVER
Música composta e regida por Bernard Herrmann

Selo:
Arista
Catálogo:
19005-2
Ano: 1998

Faixas

1. Taxi Driver (Theme)
2. Thank God For The Rain
3. Cleaning The Cab
4. I Still Can't Sleep / They Cannnot Touch Her (Betsy's Theme)
5. Phone Call / I Realize How Much She Is Like The Others / A Strange Customer / Watching Palantine ...
6. The .44 Magnum Is A Monster
7. Getting Into Shape / Listen You Screwheads / Gun Play / Dear Father & Mother / The Card / Soap Opera
8. Sport And Iris
9. The $20 Bill / Target Practice
10. Assassination Attempt / After The Carnage
11. A Reluctant Hero / Betsy / End Credits
12. Diary Of A Taxi Driver - (Album Version)
13. God's Lonely Man - Alternate Ending (Album Version)
14. Theme From Taxi Driver
15. I Work The Whole City
16. Betsy In A White Dress
17. The Days Do Not End
18. Theme From Taxi Driver (Reprise)


Duração: 61:31

Cotação:


Comentário de
J
orge Saldanha

 

Bernard Herrmann, após ter composto tantas obras-primas da música de cinema, entrou em uma espécie de ostracismo em meados dos anos 60. E o responsável maior por isso foi ninguém menos que Alfred Hitchcock, cujos clássicos O Homem Que Sabia Demais, Um Corpo Que Cai e Psicose (entre outros) não seriam os mesmos não fossem as magistrais partituras de Herrmann. Em 1966, Hitch, em busca de uma música "mais contemporânea", rejeitou a trilha sonora que seu habitual colaborador compusera para Torn Curtain (Cortina Rasgada), o que encerrou a parceria entre o lendário diretor e o genial (mas irascível) compositor. A trilha sonora  acabou ficando a cardo de John Addison, e após este fato Herrmann passou a ser visto como uma espécie de dinossauro ultrapassado, sendo esquecido por Hollywood.

Foi graças principalmente a François Truffaut, um grande admirador seu, que o compositor manteve-se em atividade (Fahrenheit 451, The Bride Wore Black), até ser redescoberto por uma nova geração de diretores norte-americanos e retornar à Meca do Cinema no início dos anos 70. Para o roteirista-diretor Larry Cohen Herrmann compôs o inquietante It's Alive (Nasce um Monstro, 1973), mas foi para o então jovem Brian De Palma, que estava iniciando uma série de filmes inspirados por Hitchcock, que ele produziu suas melhores obras do período: Sisters (Irmãs Diabólicas, 1973) e Obsession (Estranha Obsessão, lançado em 1976). Em 1975, após concluir seu trabalho para De Palma, o veterano compositor, já com a saúde bastante debilitada pelo scotch e pelo cigarro, dois prazeres dos quais não abria mão, foi contratado por outro jovem e promissor diretor que aprendera a admirar e reverenciar sua obra, Martin Scorcese: o filme, o magistral Taxi Driver.

O próprio Scorcese, nas notas deste CD expandido, conta um pouco das dificuldades para contratar o genial (e genioso) Herrmann, mas o esforço compensou. Muito da opressão e da melancolia do filme advém da partitura, que materializou a obsessão do protagonista, uma interpretação antológica de Robert De Niro, ao som de fortes metais e percussão. Para as visões noturnas de New York, filtradas através do pára-brisas do táxi de De Niro, o compositor utilizou um estilo incomum para ele, o jazz. E o fez como um especialista. Após uma introdução com percussão e metais, no "Main Title" Herrmann nos apresenta uma primeira versão de seu tema principal, uma composição elegante conduzida por sax alto. "Thank God for the Rain" e "Cleaning The Cab" acompanham a rotina miserável do motorista de táxi, com os acordes da orquestra, suaves mas sempre opressivos, sendo acompanhados pela bateria de jazz.

Na faixa 4 retorna o saxofone cool do tema principal, ao qual posteriormente, na interpretação do "Betsy´s Theme" se juntam cordas e um trompete com surdina que nos lembram mais Alfred Newman, em seus trabalhos orientados para o jazz, do que propriamente Herrmann. O underscore prossegue, agregando elementos e acordes de suspense típicos do compositor, que transmitem ao ouvinte a sensação de que algo oculto nas sombras irá surgir ameaçadoramente a qualquer instante. A partir de "The .44 Magnum is a Monster", é utilizado um tratamento similar ao de It's Alive, com fortes acordes dos metais, sopros, harpa e percussão. A isto o compositor agrega o piano Fender nos momentos mais lentos, inclusive solando o tema principal. O resultado é um conjunto de faixas opressivas e psicológicas, sem concessões ao lirismo - exceção feita apenas às ocasionais notas  do motivo principal.

As faixas de nºs 1 a 11 contêm as gravações originais conduzidas por Herrmann, sendo as mais longas a reunião de composições criadas para diferentes momentos do filme e disponíveis pela primeira vez em disco. Algumas delas, com outra mixagem, já faziam parte do álbum original, onde no entanto predominavam regravações de temas de Herrmann arranjadas e regidas por Dave Blume, também incluídas nesta reedição da Arista. No dia 23 de dezembro de 1975, Bernard Herrmann terminou de gravar a música para Taxi Driver, voltou para o seu hotel e faleceu à noite, enquanto dormia. Morria o homem e nascia o mito que legou à música de cinema uma obra de qualidade excepcional, presente até a última nota gravada. Em 1991 Scorcese prestou um belo tributo ao seu ídolo quando, ao refilmar Cape Fear (Cabo do Medo), convidou o colega e amigo do compositor, Elmer Bernstein, para adaptar a trilha que Herrmann compusera para o filme original. Bernstein foi além, e também utilizou trechos do score rejeitado de Torn Curtain. Mas esta já é outra história...

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