BRIDGE TO TERABITHIA (Promo)
Música composta por Aaron Zigman

Selo: Hollywood Records
Catálogo: Promo
Lançamento: 2007
Faixas

1. Main Title
2. Into the Forest
3. The Battle
4. The Giant's Hand
5. At the Museum
6. Janice Down
7. Troll Hunting
8. Running through the Paddocks
9. Squogres
10. To the Museum
11. Seeing Terabithia
12. Jesse's Bridge
13. Painting
14. Jess Takes the Bus
15. Building the Fort
16. Darkmaster
17. Searching for the Giant
18. Getting Janice
19. The Race
20. Jess Punished
21. The Trap goes Off
22. Main Title Alt.
23. Leslie Dies
24. It's All Gone
25. All of Terabithia
26. Paying Respects
27. Jess Grieves
28. Leslie's Driving
29. Free the Pee
30. Janice the Bully

Duração: 50:09
Cotação:


Comentário de
Renan Fersy

 
Devo confessar que quando soube que Aaron Zigman seria o compositor de A Ponte para Terabithia minhas expectativas eram as piores possíveis, já que eu nunca tinha visto ele compor para nenhuma produção grande. Eu esperava um ótimo filme e uma trilha fraca. Ao ver o filme mais uma vez as ironias do destino me deixaram boquiaberto, o filme foi exatamente fraco, salvo, em parte, por uma trilha bem interessante. Algumas faixas desta trilha seriam perfeitas para Harry Potter. Até me pergunto porque a Warner não chamou alguém com o talento de Aaron Zigman para dar continuidade ao trabalho de John Williams, quando o mestre deixou a série. O CD comercial de A Ponte para Terabithia traz canções, e apenas quatro faixas de Zigman que totalizando 17 minutos de música. Felizmente podemos avaliar melhor seu trabalho neste CD promocional, que traz 50 minutos do score e no qual se baseou esta resenha.

No meio do cinema de Hollywood existem muitos compositores, mas posso enumerar nos dedos de duas mãos os que realmente são bons orquestradores, e criam texturas e atmosferas mágicas de verdade. Acho que um ponto que já faz a trilha ganhar mais ênfase é o fato dela ser quase que toda orquestral. O compositor chegou a dar um ar mais pop no "Main Title" com alguns violões, mas de forma bem moderada, e sem aqueles efeitos eletrônicos horríveis que Graeme Revell e Marco Beltrami gostam tanto de usar. Isso já faz esta trilha ganhar um espaço especial na minha coleção. Saber dar um ar pop sem perder a sonoridade orquestral é algo bem difícil e que eu aprecio muito. Compositores como James Newton Howard quando são solicitados para fazer um som mais pop, simplesmente abandonam a orquestral e partem para o eletrônico. Zigman fez diferente, e por isso essa trilha é tão fantástica. Pena que Zigman faz uma utilização tão repetitiva do tema principal na maioria das faixas, que faz você enjoar. Pena também que as faixas sejam bem curtas, tendo em média um minuto e meio a dois - se foi por falta de material composicional original ou por escolha da produtora isso não sei, mas a julgar pelas repetições de temas na trilha acho que a primeira é a que mais se encaixa. Isso denotaria uma certa preguiça do compositor em desenvolver melhor seus temas, o que é lamentável.

A trilha consegue criar seu próprio universo de temas deixando alguns motivos bem estabelecidos e claros durante o filme. O estilo de orquestração em alguns momentos me lembra James Horner e John Williams, como na faixa “The Battle”, uma das melhores do disco na minha opinião. Outra faixa que merece destaque é “Entering the Forest”, que é também a faixa mais longa do CD. A faixa começa mais silenciosa com cordas tocando suavemente, e entra uma melodia de madeiras com piano e uma celesta que parece estar tocando bem suave, sendo difícil de perceber. A faixa segue se arrastando neste clima alegre até mais ou menos 2:35, onde entra um motivo sombrio de metais e cordas; logo entra um motivo de acordes menores nas cordas e coro, e em seguida o mesmo motivo repete na flauta e violinos. Aos 3:37 um novo clima começa, agora não é mais tão sombrio, mas sim misterioso, como se algo estivesse à espreita. A faixa finaliza com um novo tema que começa aos 4:39 e vai se desenvolvendo até se transformar no tema principal.

“Janice the Bully” é outra faixa que me lembra Williams, pena que seja bem curta, mas mesmo assim consegue ser interessante. “Trap Goes Off” começa com um ar de Esqueceram de Mim, se o compositor tivesse feito a trilha no estilo desta faixa - clima que é estragado por um final ridículo. Perto do fim uma mudança brusca e sem sentido aparente de tom menor para maior quebra toda a atmosfera da faixa. Claro que provavelmente a cena pedia algo assim, mas nesse caso o compositor deveria ter feito uma versão diferente para o promo da trilha, pois do jeito que está ficou completamente desconexo.

“Squorgres” é uma das minha faixas preferidas, que começa com ar de que algo está espreitando, e tem seu clímax com acordes menores tocados pelos metais em um estilo bem de música de vilão de desenho animado. Estas foram as faixas que me chamaram a atenção. Masterpieces como “Entering the Forest”, “The Battle” e “Squorgres” fazem o disco valer a pena. Se a trilha toda seguisse essa mesma linha, teria sido uma das melhores trilhas dos últimos anos.

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