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Devo confessar que quando soube
que Aaron Zigman seria o compositor de A Ponte para
Terabithia minhas expectativas eram as piores possíveis,
já que eu nunca tinha visto ele compor para nenhuma produção
grande. Eu esperava um ótimo filme e uma trilha fraca. Ao
ver o filme mais uma vez as ironias do destino me deixaram
boquiaberto, o filme foi exatamente fraco, salvo, em parte,
por uma trilha bem interessante. Algumas faixas desta trilha
seriam perfeitas para
Harry Potter.
Até me pergunto porque a Warner não chamou alguém com o
talento de Aaron Zigman para dar continuidade ao trabalho de
John Williams,
quando o mestre deixou a série. O CD comercial de A Ponte
para Terabithia traz canções, e apenas quatro faixas de
Zigman que totalizando 17 minutos de música. Felizmente
podemos avaliar melhor seu trabalho neste CD promocional,
que traz 50 minutos do score e no qual se baseou esta
resenha.
No meio do cinema de Hollywood existem muitos compositores,
mas posso enumerar nos dedos de duas mãos os que realmente
são bons orquestradores, e criam texturas e atmosferas
mágicas de verdade. Acho que um ponto que já faz a trilha
ganhar mais ênfase é o fato dela ser quase que toda
orquestral. O compositor chegou a dar um ar mais pop
no "Main Title" com alguns violões, mas de forma bem
moderada, e sem aqueles efeitos eletrônicos horríveis que
Graeme Revell e
Marco
Beltrami gostam tanto de usar. Isso já faz esta trilha
ganhar um espaço especial na minha coleção. Saber dar um ar
pop sem perder a sonoridade orquestral é algo bem
difícil e que eu aprecio muito. Compositores como
James Newton
Howard quando são solicitados para fazer um som mais
pop, simplesmente abandonam a orquestral e partem para o
eletrônico. Zigman fez diferente, e por isso essa trilha é
tão fantástica. Pena que Zigman faz uma utilização tão
repetitiva do tema principal na maioria das faixas, que faz
você enjoar. Pena também que as faixas sejam bem curtas,
tendo em média um minuto e meio a dois - se foi por falta de
material composicional original ou por escolha da produtora
isso não sei, mas a julgar pelas repetições de temas na
trilha acho que a primeira é a que mais se encaixa. Isso
denotaria uma certa preguiça do compositor em desenvolver
melhor seus temas, o que é lamentável.
A trilha consegue criar seu próprio universo de temas
deixando alguns motivos bem estabelecidos e claros durante o
filme. O estilo de orquestração em alguns momentos me lembra
James Horner
e John Williams, como na faixa “The Battle”, uma das
melhores do disco na minha opinião. Outra faixa que merece
destaque é “Entering the Forest”, que é também a faixa mais
longa do CD. A faixa começa mais silenciosa com cordas
tocando suavemente, e entra uma melodia de madeiras com
piano e uma celesta que parece estar tocando bem suave,
sendo difícil de perceber. A faixa segue se arrastando neste
clima alegre até mais ou menos 2:35, onde entra um motivo
sombrio de metais e cordas; logo entra um motivo de acordes
menores nas cordas e coro, e em seguida o mesmo motivo
repete na flauta e violinos. Aos 3:37 um novo clima começa,
agora não é mais tão sombrio, mas sim misterioso, como se
algo estivesse à espreita. A faixa finaliza com um novo tema
que começa aos 4:39 e vai se desenvolvendo até se
transformar no tema principal.
“Janice the Bully” é outra faixa que me lembra Williams,
pena que seja bem curta, mas mesmo assim consegue ser
interessante. “Trap Goes Off” começa com um ar de
Esqueceram de Mim, se o compositor tivesse feito a
trilha no estilo desta faixa - clima que é estragado por um
final ridículo. Perto do fim uma mudança brusca e sem
sentido aparente de tom menor para maior quebra toda a
atmosfera da faixa. Claro que provavelmente a cena pedia
algo assim, mas nesse caso o compositor deveria ter feito
uma versão diferente para o promo da trilha, pois do
jeito que está ficou completamente desconexo.
“Squorgres” é uma das minha faixas preferidas, que começa
com ar de que algo está espreitando, e tem seu clímax com
acordes menores tocados pelos metais em um estilo bem de
música de vilão de desenho animado. Estas foram as faixas
que me chamaram a atenção. Masterpieces como
“Entering the Forest”, “The Battle” e “Squorgres” fazem o
disco valer a pena. Se a trilha toda seguisse essa mesma
linha, teria sido uma das melhores trilhas dos últimos anos. |
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