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Até o
momento em que escrevo esta resenha, a temporada
cinematográfica de 2009 está sendo muito movimentada para os
fãs dos blockbusters de verão. Filmes como
Wolverine,
Star Trek,
e
Anjos e Demônios já foram vistos, e ainda estamos
no início de junho! O próximo "filme-obrigatório" é este
quarto exemplar da franquia O Exterminador do Futuro.
Junto com um novo diretor,
Danny Elfman
foi contratado para criar a trilha sonora de A Salvação,
o que o torna o terceiro compositor a trabalhar na série.
Apesar de sempre ser favorável a novas abordagens de
histórias conhecidas, devo dizer que achei a escolha de
Elfman no mínimo curiosa. Não acreditava que seu estilo
fosse combinar. De qualquer modo o score foi lançado
pela Warner Bros. Records em maio, trazendo 14 faixas de
Elfman e uma canção de Alice in Chains. A maquiagem do
material de Elfman é híbrida, mesclando acompanhamento
eletrônico com elementos orquestrais. A qualidade do áudio é
decente (apesar da orquestra soar às vezes "pequena").
Aqui temos
outra continuação (e, por sua vez, também um reboot)
que propiciaria uma grande oportunidade para um compositor
de cinema. Não somente havia intensos elementos de ficção
científica para serem representados, mas também a luta da
humanidade para escapar da extinção deveria ser traduzida na
música. Como se isso não fosse munição suficiente, também
existia um tema principal, que foi incorporado à cultura
pop por duas décadas, para ser trabalhado. Assim, numa
avaliação inicial você poderia concluir que Elfman, com
todas as suas capacidades criativas e reputação, comporia
uma obra altamente original para Salvation.
Mas você
se enganaria. Na verdade, o que eu achei mais original neste
score foi o ukulelê que Elfman usou! Mas eu não diria
que a música é terrivelmente fraca ou difícil de escutar,
porque realmente não o é. O problema é que a música de
Elfman é a de um filme de ação rotineiro. De certo modo, eu
a comparo com o score de Michael Giacchino para
Star Trek (com a diferença de que a música de Trek
é mais cativante), já que Elfman parece não ter
conseguido abraçar, por completo, o espírito musical da
franquia.
Durante
toda a audição do álbum, eu esperei e esperei que o tema
original, com toda a sua glória mecânica e industrial,
entrasse em cena sob alguma nova forma. Isso nunca
aconteceu. Na verdade Elfman usou um conjunto de
instrumentos eletrônicos para evocar o conceito Homem vs.
Máquina, mas nunca resultando disso qualquer senso de
ameaça. Por comparação, o "Terminator Theme" original sempre
era ameaçador, transmitindo uma constante sensação de medo e
inquietude quando ouvido. Aqui, o underscore
eletrônico apenas passa sem provocar nenhuma sombra de
perigo, pelo menos para mim. Não tenho certeza se essa
abordagem foi intencional para não se sobrepor ao ângulo
mais dramático da história, ou se Elfman simplesmente não
foi capaz de atingir esse objetivo.
E falando
de temas... em Salvation, Elfman parece ter utilizado
um fragmento da composição original de
Brad Fiedel
como tema principal. É um motivo simples, não complicado,
que falha em provocar qualquer tipo de impacto significativo
quando ouvido. Novamente, melhor seria basear-se no tema
original, em uma reinterpretação completa, ao invés de
apenas em um fragmento dele. E convenhamos, não seria
memorável ouvirmos o tema clássico inserido em uma moldura
orquestral?
Terminator Salvation chega
trazendo um score que é tão decepcionante quanto os
de outros blockbusters da temporada (com a exceção de
Anjos e Demônios). A guinada do score rumo a
um componente mais humano é apreciável, mas seu impacto
global é pífio. Na verdade, penso que a partitura de Elfman
para
O
Planeta dos Macacos (2001) combinaria muito melhor
com este T4 do que a apresentada aqui.
Ao final,
a música de O Exterminador do Futuro: A Salvação
tem alguns momentos para atrair alguma atenção, mas ela
não consegue se conectar ao ouvinte como o score
brutal e inovador que deveria ter sido. Espero que este não
seja um mau sinal para o filme em si. |