THE QUEEN
Música composta por Alexandre Desplat

Selo: Milan
Catálogo: M2-36185
Lançamento: 2006
Faixas

1. The Queen
2. Hills Of Scotland
3. People’s Princess I
4. A New Prime Minister
5. H.R.H.
6. The Stag
7. Mourning
8. Elizabeth & Tony
9. River Of Sorrow
10. The Flowers Of Buckingham
11. The Queen Drives
12. Night In Balmoral
13. Tony & Elizabeth
14. People’s Princess II
15. Queen Of Hearts
16. Libera Me (Verdi)

Duração: 44:28
Cotação:


Comentário de
Ignácio Garrido

 

Com “The Queen”, um tema ascendente de duas notas levemente fanfárrico, de ar nobre e aristocrático para metais e percussão, seguido de um acorde para clavicórdio e pela repetição do tema em cordas suaves e elegantes, inicia este estupendo trabalho do compositor francês Alexandre Desplat, indicado ao Oscar 2006 (e para muitos, o que deveria ter sido vencedor). Este tema lembra em sua orquestração, em especial em seus recursos percussivos e na presença dos sopros, a brilhante composição do mesmo autor para a soberba partitura de Birth, sem dúvida uma de suas obras mais audaciosas e interessantes, cinematograficamente falando. Com o uso da celesta, um hábito do compositor, se desenvolvem as duas faixas seguintes: a primeira, “Hills of Scotland”, é um delicado scherzo de cadência morriconiana e melodia interpretada por flauta; a segunda, “People’s Princess I”, revela uma magnífica passagem rítmica pontuada pelo mandolin, onde vão se enredando sopros, piano e de novo o clavicórdio, culminando num tema bem estruturado, orquestrado e resolvido.

A partir daqui Desplat deixa a orquestração empregada nestas três primeiras faixas de forma brilhante, para ir revelando uma obra cuidada e atraente com ocasionais variações das melodias mais importantes como em “H.R.H.”, onde volta a aparecer o motivo da Rainha, em “The Stag”, em que de forma dramática e intensa surge a passagem cortesã que apareceu no scherzo inicial, e “People’s Princess II”, estupenda volta ao tema da princesa. Além destes, em momentos mais lúgubres como a dramática “Mourning”, com a percussão surgindo como solene e fúnebre voz da inesperada morte da princesa Diana, ou o jogo de harpa, celesta, pizzicatos e corda de “Elisabeth & Tony”, o compositor amplia maravilhosamente as inicialmente poucas possibilidades de um filme que, a priori, pouco poderia inspirar em sua narrativa musical.

Nada mais distante do resultado sonoro final, pois Alexandre Desplat, atualmente um dos músicos mais inspirados e talentosos que atuam na música de cinema, consegue elevar com sua obra, na medida do possível, a qualidade de um filme centrado num dos mais recentes capítulos da historia popular inglesa contemporânea. Trata da morte de Lady Di e suas repercussões na vida da monarquia, vistas através dos olhos da Rainha Elisabeth II, interpretada de forma magistral por Hellen Mirren. O filme, dirigido pelo britânico Stephen Frears, contou para sua partitura original com o compositor francês, em detrimento de outros nomes que poderiam ter se encarregado do projeto sem problemas e com maior razão de ser, se levarmos em conta a nacionalidade do autor de
Syriana. Nomes de gabarito como George Fenton, Stephen Warbeck, Patrick Doyle ou Rachel Portman seriam opções em razão de seu país de origem, mas fica a dúvida se teriam obtido a elegância com que Desplat abordou musicalmente o terreno aristocrático inglês, onde se move como um peixe na água, brilhando com luz própria as orquestrações de sua própria mão, com a ajuda nas mesmas de Jean-Pascal Beitus.

Composições formosas e contemplativas como “River of Sorrow”, ou mais intensas em seu emprego das cordas como “The Queen Drives”, completam uma audição que é curta, apesar do repetido uso de alguns temas, e que culmina ao final em “Queen of Hearts”, uma peça que resume todas as virtudes melódicas deste trabalho, assim como a perícia orquestral de seu criador.

Em complemento à música original de Desplat foi incluído o tema “Libera me”, composto por Verdi e que foi interpretado durante o funeral de Diana, uma peça soberba que é a chave de ouro para uma trilha sonora totalmente recomendável e um firme passo adiante na carreira de um compositor que, se continuar nessa linha de trabalho sério e de qualidade, poderá ser um dos mais importantes músicos cinematográficos do nosso tempo.

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