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Em 2001 fomos
finalmente brindados por uma das adaptações para a telona mais esperadas
pelos gamers: Tomb Raider. O jogo protagonizado por Lara
Croft já era um sucesso desde sua estréia nos games (96) e quando este
filme chegou às telonas, o “Império Tomb Raider” já estava consolidado.
O primeiro impasse foi escolher quem interpretaria a protagonista, e
nomes como o de Sandra Bullock, Genna Davis e, se não me engano, até o
de Julia Roberts foram cotados. Felizmente nenhuma destas estrelas foi a
felizarda, e a recém oscarizada e bela Angelina Jolie levou o papel.
Depois partiram para o diretor, o fator de menor importância neste tipo
de produção. Tiveram a brilhante idéia de contratar o péssimo Jan de
Bont, mas como os céus também esperavam por esse filme, o ex-fotógrafo
estava concentrado em sua mais nova aberração, A Casa Amaldiçoada,
e não pôde aceitar. O que fizeram então? Chamaram mais uma cria do
produtor Jerry Bruckheimer, Simon West (Con Air).
O mais fácil porém foi escolher o músico para a trilha incidental
e é óbvio que ele estaria lá só para fazer um score que
não seria utilizado, pois algo bem maior já estava sendo bolado.
Contrataram e despediram o finado
Michael Kamen para
depois chamarem o inexpressivo Graeme Revell.
O score de
Graeme, bacana, também comentado neste site, foi mutilado na
projeção e finalmente chego na razão desta matéria: este CD (music
from motion picture) de Tomb Raider é perfeito, sendo uma das
melhores compilações jamais realizadas para um filme. Perdoem-me pela
afirmação clichê mas é a realidade! Não sei o que Simon West aprontou,
mas ele conseguiu reunir os maiores nomes da música eletrônica e do
rock para um álbum que vale cada minuto perdido em sua audição.
Começamos com "Elevation" do U2 e já percebemos algo diferente. A
banda que nos anos anteriores flertava com o experimentalismo e com a
eletrônica parecia voltar as origens com o rock sem burocracia de
"Elevation". A música exaltando os lábios de Croft (A corner
of your lips) é pura doideira! O rock continua com a
pancada "Deep" do Nine Inch Nails e depois é a vez da dupla
Chemical Brothers abalar as estruturas com a funk "Galaxy
Bounce", música esta composta especialmente para o filme. A
rapper Missy Elliot vem acompanhada da portuguesa Nelly
Furtado para agitar com "Get Ur Freak On", hit de Missy numa
roupagem irresistível. Galera, é inacreditável! Mesmo quem não gosta de
música eletrônica não consegue ficar parado com essa música.
Logo após vem os caras do
Outkast (mais conhecidos agora no país pela grudenta Hey Ya!)
e sua "Speedballin" é marcada pela irreverência nos versos:
"Livin by the grace of God
At the pace of the Devil life is hard, we speedballin/
My God, my heart, my start,
my saviour, my soul
My end, my friend, my sin now when can I go?
"
"Ain’t Never Learned" consegue um feito inédito: se destacar
num álbum onde todas as músicas batalham pela sua predileção. Mas não é
para menos, a música é criação do gênio da eletrônica, o DJ Moby.
Fantástica, sombria, a música conta com samplers geniais e assim
como "Galaxy Bounce" também foi composta especialmente para as aventuras
de Lara na telona. Seguem "The Revolution" (BT) e sua previsão
apocalíptica do futuro, "Terra Firma" do Delerium (grupo com o
som parecido do Enigma, new age) para culminar na eletrizante "Where’s
Your Head At", do Basement Jaxx. Aqui
recomendo o clipe que é um exemplo de boa direção e humor. Fatboy
Slim e o baixista Bootsy Collins derrubam a casa para
apresentar a seita de fanáticos que perseguem Lara. "Illuminatti"
é uma música doida e barulhenta, perfeita para quando você quer
atormentar aquele seu vizinho insuportável. Absurdo é "Absurd" e suas
referencias ao mundo fantástico, King Kong, Spiderman, Snoopy, Capitão
Kirk... todos em situações bizarras, combinando bem com o clima de
fábula que é o universo de Lara.
"Song of Life" do Leftifeld é perfeita para as encrencas
que a arqueóloga enfrenta no Camboja. Ela começa misteriosa com batidas
nativas e atinge o extremo numa ensurdecedora batida dance.
Lady Croft agradece! O
duo Groove Armada tem o mérito de apresentar a melhor canção do
álbum: "Edge Hill" é uma balada eletrônica (também conhecida como
lounge) onde em seus 7:00 minutos apresenta uma melodia suave (o
arranjo de cordas no meio da música é belíssimo). O Ministério da Boa
Vizinha adverte: a partir de hoje é permitido ouvir "Satellite" no
volume máximo a partir das 22 horas. Etâ música boa! A festa termina com
a estranha "Devil’s Nightmare" (Oxide) e o rock "In Control" do
Die Toten Hosen. Encerrando, se
você curte a boa música eletrônica (ao contrário das bobagens que
toca no rádio) não perca tempo e adquira este CD. Se não gosta do gênero
a aquisição também é obrigatória: você irá se orgulhar de ter a melhor
trilha compilada já feita para um filme. Tomb Raider pode ser um
filme mediano, mas sua trilha certamente não o é.
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