TOMBSTONE (COMPLETE)
Música composta e regida por Bruce Broughton


Selo: Intrada Special Collection
Catálogo: MAF 7097
Ano: 2006
Faixas:

Disco 1
1. Logo (Jerry Goldsmith)
2. Prologue/Main Title/And Hell Followed
3. A Family
4. Arrival In Tombstone
5. The Town Marshall/A Quarter Interest
6. Josephine
7. Gotta Go To Work
8. Ludus Inebriatus
9. Fortuitous Encounter/Wyatt And Josephine
10. Thinking Out Loud
11. Opium Den; Law Dogs/You Got A Fight Comin'
12. Virgil Thinks
13. The Antichrist/Gathering For A Fight/Walking To The Corral/OK Corral Gunfight
14. Aftermath
15. The Dead Don´t Dance/Dehan Warns Josephine/Upping The Ante/Morgan´s Murder
16. Defections
17. Morgan´s Death
18. Hell´s Comin´/Wyatt´s Revenge
19. No More Curly Bill
20. The Former Fabian
21. Brief Encounters/Ringo´s Challenge/Doc And Wyatt
22. You´re No Daisy; Finishing It
23. Doc Dies
24. Looking At Heaven/End Credits

Disco 2
1. Arrival In Tombstone (W/Alt Intro)
2. Josephine (Short Version)
3. Fortuitous Encounter (W/Alt Mid-Section)
4. Morgan´s Death (Short Version)
5. Tombstone (Main Theme Only)
6. Pit Orchestra Warm Up
7. Thespian Overture
8. Tympani
9. Waltz
10. Piano/Cello Duet
11. Faust
12. Thespian Overture
Duração: 85:30
Cotação:


Comentário de
José-Vidal Rodriguez

 

Quase coincidindo com a estréia do Wyatt Earp de Lawrence Kasdan, George P. Cosmatos (à época ainda célebre por seu Rambo II) entregou em 1993 sua versão do clássico duelo entre os irmãos Earp e a quadrilha de cowboys liderados por Curly Bill Brocious. Mesmo sendo bem mais simples e rotineiro que as outras adaptações da história, o filme contava com méritos indiscutíveis, como um grupo de atores de prestígio (Kurt Russell, Val Kilmer, Sam Elliot e Bill Paxton) encarnando os quatro membros da família mais emblemática do Velho Oeste.

O californiano Bruce Broughton foi o encarregado de musicar esta nova revisão do famoso duelo do OK Corral, ainda que seja necessário assinalar que ele não foi a primeira escolha do diretor. Antes Cosmatos ofereceu o projeto ao maestro Jerry Goldsmith, seu colaborador habitual no período, mas este teve que recusar a oferta por problemas de agenda - mas não sem antes recomendar ardorosamente seu bom amigo Broughton como possível substituto. Assim, oito anos depois de seu esplêndido score para Silverado, e após incursões televisivas como O Pioneers!, o compositor retornava ao gênero western onde, tradicionalmente, para satisfação de seus apreciadores, sempre deu o melhor de si.

De fato, o score de Broughton comprova sua consolidação e maturidade em um gênero onde, em que pese sua inatividade, ele continua sendo uma referência. Ainda que, curiosamente, Tombstone seja o trabalho de sua filmografia que menos aparência tenha de western. Dada a estética e o novo tratamento dado à lenda de Earp, sua música se apresenta aqui sombria e agressiva, muito mais do que a de Silverado e num tom radicalmente distinto do que James Newton Howard aplicou em Wyatt Earp. Enquanto Kasdan abordou o tema de forma mais introspectiva e sentimentalista, Cosmatos enfatiza indiscutivelmente os aspectos bélicos do confronto, tocando apenas de leve na história familiar paralela, em prol de dinamizar as seqüências de ação de que tanto gostava o falecido cineasta. Neste sentido, Broughton tende a evitar as orquestrações típicas do Velho Oeste, dando relevância especial à percussão e aos instrumentos de som contundente (trombones graves, por exemplo). Como ele mesmo reconhece nas notas do álbum, a violência implícita da história o fez evitar o uso de recursos locais como violões ou gaitas de boca, em favor de uma aproximação mais dramática visando sublinhar o lado agreste do enfrentamento.

Assim, os que esperam o Broughton heróico e vivaz de seus primeiros trabalhos, provavelmente ficarão desapontados; basta ouvir o sensacional tema central - que funciona igualmente como motivo do próprio Wyatt -, para apreciar o tom melodramático que o autor busca em todos os momentos. Outra diferença fundamental de sua anterior Silverado, é que o californiano agora desenvolve a técnica do leitmotiv com maior clareza, apresentando três temas, além do central, que constituem o preciso elo de coesão de que aquela carecia em determinados instantes. Portanto, para a quadrilha dos cowboys (“Prologue/Main Title/And Hell Followed”), ouviremos um leitmotiv que possui a agressividade rítmica como carta de apresentação, mediante uma cadência baseada em percussão metálica, associada à maldade representada pelos membros da temida gangue.

Em “A Family”, o tema representativo dos quatro irmãos, Broughton troca radicalmente de registro e se recria para desenvolver uma frase de suma delicadeza, dominada por amplas cordas (sensacional a interpretação da Sinfonia of London Orchestra) similares à utilizadas no terceiro e melhor leitmotiv, “Josephine”, dedicado ao grande amor de Earp. As madeiras são as encarregadas de interpretá-lo na faixa 6, para posteriormente surgirem cordas épicas durante os primeiros minutos da sublime “Looking At Heaven/End Credits”, um destes temas que, por justiça, deveria figurar em toda boa compilação do western.

Por trás destas peças fundamentais, o score progride com certa complexidade, adquirindo paulatinamente maior ferocidade sonora em consonância com os acontecimentos. A faixa 13, por exemplo, inclui toda a música que acompanha o tiroteio no OK Corral, uma clara demonstração de como Broughton enfatiza a tensão, contrastando cordas graves com fortes arranques de percussão, metais e piano, enquanto pouco a pouco sugere os leitmotivs das duas forças que se enfrentam. E para a seqüência final de luta, o músico escreve o furioso tour-de-force “You´re No Daisy; Finishing It”, repleto de força e hábil utilização em crescendo do tema central.

O selo Intrada relança agora este admirável trabalho num CD duplo onde, pela primeira vez, a partitura de Silverado está disponível na íntegra. Mas é uma edição que, acima de tudo, podemos qualificar como um autêntico “caça-níqueis”, já que o disco original de 1993 já parecia suficiente com seus cerca de 70 minutos de duração. A nova edição agrega somente 15 minutos de música adicional, faixas pouco significativas tanto em qualidade como em duração (“Thinking Out Loud” ou o “Logo” de Goldsmith para a produtora Cinergi) se misturam com algumas peças isoladas (“Virgil Thinks”, “No More Curly Bill”) que, sem chegarem a justificar o elevado preço deste álbum duplo, ao menos oferecem algo inédito para ouvirmos. Igualmente, foi incluída no segundo CD, sob a denominação “Fabian Theatre Music”, a maior parte da música ouvida nas cenas da representação teatral de Billy Zane.

No entanto, é material que não evita o merecido “puxão de orelhas” na Intrada, um selo tradicionalmente respeitoso com o apreciador, que não deveria entrar neste jogo de despropósitos comerciais que outras gravadoras parecem gostar tanto.

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