THE TOWERING INFERNO
Música composta e regida por John Williams

Selo: Film Score Monthly
Catálogo:
FSMCD Vol. 4, nº 3
28 Faixas

Duração:
75:31
Cotação:

 
Uma das poucas grandes trilhas dos anos 70 de John Williams que ainda não haviam ganho uma edição oficial, Inferno na Torre (1974) foi o maior sucesso cinematográfico do lendário diretor/produtor Irwin Allen, e sua última colaboração com o mais famoso compositor do cinema. Para Allen, Williams compusera anteriormente scores e temas para as famosas séries de TV  Perdidos no Espaço, Túnel do Tempo e Terra de Gigantes, além da trilha do sucesso de 1972 O Destino do Poseidon. A Film Score Monthly, que já havia editado Poseidon, lança The Towering Inferno em um CD que possui o dobro de duração do antigo LP (75:31), coloca as músicas em ordem cronológica e restaura faixas memoráveis como "Let There Be Light" (uma fanfarra explosiva para a inauguração do arranha-céu) e praticamente toda a seção intermediária do filme. O CD inclui, também, tanto a versão do LP da canção premiada com o Oscar "We May Never Love Like This Again" (de Al Kasha e Joel Hirschhorn, cantada por Maureen McGovern, ausente no CD Promo lançado em 1999, também comentado neste site), como a versão interpretada no filme.

Towering Inferno é uma trilha que reflete o estilo de Williams da época, ou seja, uma combinação de músicas puramente orquestrais com alguns temas jazzísticos ou pop, mais ou menos nos moldes de Earthquake (Terremoto), outro filme-catástrofe para o qual ele compôs, neste mesmo ano. Porém, há uma clara predominância de composições eminentemente orquestrais, já apontando para o padrão que o compositor imporia a seus trabalhos, já a partir da metade da década de 70. Neste sentido, destaca-se um dos mais vibrantes temas de abertura já compostos por Williams, arranjado para orquestra completa, que em seus 5 minutos de duração, acompanha o vôo de um helicóptero até o topo do edifício mais alto do mundo - e durante o qual somos apresentados ao motivo utilizado nas cenas de resgate, mas também aos nomes do grande e estelar elenco.
A
gora, o "Main Title" pode ser ouvido em toda a sua glória original, já que para esta edição foram utilizadas principalmente as matrizes originais estéreo de 35 mm.

Fui, provavelmente, um dos primeiros a receber o CD fora dos EUA, e o que vou dizer pode parecer incrível, mas é a pura verdade: mesmo conhecendo muito bem esta trilha, ouvi-la nesta nova edição da FSM é uma experiência nova, quase uma redescoberta. Fato que se torna ainda mais significativo, se considerarmos que o LP original, ao contrário da maioria dos álbuns da época, não era uma regravação: continha as gravações realmente utilizadas no filme. As diferenças na audição, portanto, originam-se da nova mixagem. O CD também inclui faixas bônus, como um arranjo jazzístico para a canção de The Poseidon Adventure, além de 3  faixas inéditas que apresentam defeitos no som. Ao invés de deixá-las de fora, a FSM decidiu incluí-las mesmo assim, para satisfazer aos completistas. Um item indispensável para qualquer fã de Williams e da boa música de cinema, o CD pode ser adquirido no site www.filmscoremonthly.com. Mas atenção, como todos os lançamentos da FSM, este também é uma edição limitada de 3.000 cópias.
Jorge Saldanha

A inexistência de um lançamento oficial em CD de The Towering Inferno até o lançamento da FSM é um mistério inexplicável. Para além da importância deste trabalho no output de Williams, o filme, com todos os seus méritos e falhas, ainda é hoje recordado, pelo que uma edição em CD nunca seria um desastre absoluto. A comprovar o interesse dos fãs fica o fato de as três mil cópias terem sido totalmente vendidas em apenas alguns meses, juntando agora esta edição ao grupo de álbuns procurados a qualquer preço pelos colecionadores. O CD apresenta as faixas que faziam parte do LP original, sequenciando-as de forma cronológica e expandindo a duração do álbum para cerca do dobro do original. Há muita música nova, que vai desde a que está associada à tragédia, normalmente usando uma escrita mais modernista, até à apresentações com o som pop dos anos 70 do material composto para as personagens interpretadas por Faye Dunaway e Fred Astaire. De realçar a curta e brilhante fanfarra "Let There Be Light", para a abertura do prédio. Basicamente Williams apresenta três temas: o que surge na abertura, associado com os bombeiros, um para Susan (Dunaway) e outro para Harlee (Astaire). Estes dois últimos começam por surgir como peças pop e vão ganhando uma qualidade mais requintada à medida que o filme avança. As duas recebem um tratamento orquestral na música para os créditos finais "An Architect's Dream".

Williams adapta também a canção do duo Kasha e Hirchhorn "We May Never Love Like This Again", usando-a em várias ocasiões, sempre associado ao drama de um casal de amantes ("Not a Cigarette" e "Trapped Lovers", que combinam passagens mais exigentes com o tema da canção). Mas o mais interessante do disco é o material associado com a tragédia e o esforço dos bombeiro, onde é usado extensivamente o tema da abertura, que convêm um sentido de urgência e dedicação. A abertura só por si é um dos grandes momentos do CD, e Williams vai usar o tema que lhe serve de base de forma dramática em várias ocasiões. Há faixas que usam um som atmosférico com recurso à atonalidade como em "Doug's Fall/Piggy Back Ride" ou "Lisolette's Descent". Muito deste material deixa antever muito do que chegaria pela mão deste compositor nos anos seguintes. Grande parte do material na segunda parte do álbum concentra-se nestas ambiências, com o surgimento de vários solos para flauta, mas ao contrário do que acontece com The Poseidon Adventure e no claramente inferior Earthquake (também de 1974), o resultado é muito mais satisfatório, já que Williams consegue criar uma paisagem musical completa, integrando estas passagens atmosféricas com o restante material, como acontece na já mencionada faixa "Trapped Lovers" (um dos melhores momentos do score) e mais à frente "Down the Pipes/The Door Opens". A conclusão climática da partitura está no extenso "Planting the Charges" com cerca de nove minutos, juntamente com o "Main Title" e "Trapped Lovers", o ponto alto da partitura. Continuando a usar efeitos orquestrais para criar tensão como noutras faixas anteriores, "Planting the Charges" usa extensivamente e de forma inteligente o tema da abertura. Seguimos para o "Finale" e "An Architect's Dream", com a apresentação algo elegíaca em tom, dos dois temas associados com algumas das personagens, concluindo com uma última apresentação do tema principal do "Main Title".

Adicionalmente a FSM resolveu incluir várias versões instrumentais (uma delas arranjada pelo próprio Williams) e cantadas (por Mauren McGovern) da canção de Kasha e Hirchhorn, e no final do disco, várias faixas bônus, que foram para aqui remetidas por estarem danificadas ou por serem versões usadas no álbum original. Embora o que seja de maior interesse já estivesse disponível na edição original do LP, no CD pirata que era uma reprodução do próprio LP, ou na regravação da Varèse Sarabande, uma edição oficial deste trabalho era realmente necessária. Este é um trabalho de grande importância na obra deste compositor, um dos pontos altos (no que respeita à música) no gênero do filme catástrofe, e embora na minha modesta opinião me agrade mais as escolhas programáticas que Williams fez para o LP, não faria grande sentido prescindir de todo este material adicional, que traz nova luz para o trabalho de Williams dos anos 70 (particularmente permite entender como ele trabalha as melodias pop, transformando-as em afirmações dramáticas). A FSM consegue apresentar mais uma vez um excelente CD, dando um brilho desconhecido à gravação. Excelentes notas de Jeff Bond, do expert em Williams Jeff Eldridge e Lukas Kendall, completam um CD que é um must para todos os interessados em música para cinema. Miguel Andrade

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