STAR WARS: THE PHANTOM MENACE- THE ULTIMATE EDITION
Música composta e regida por John Williams

Selo:
Sony Classical
Catálogo:
S2K 89460
68 Faixas (2 CDs)
Duração: 123:58
Cotação:


Comentário de
J
orge Saldanha

 
Os fãs de Star Wars tiveram razões para se aborrecer com o lançamento do Episódio I da saga de George Lucas: para muitos o filme ficou abaixo das expectativas, não saiu em DVD e, ainda por cima, a Sony Classical lançou um CD simples da trilha sonora, que apesar de possuir 70 minutos de duração, omitia quase a metade da música originalmente composta por John Williams, principalmente para as seqüências de ação. Agora, chegou esta “Edição Definitiva”, em uma bela embalagem metalizada em tons azuis, contendo um encarte repleto de fotos coloridas do filme e dois CDs, que totalizam mais de 2 horas de música espalhadas em 68 faixas. The Ultimate Edition, apesar de sua duração, nos proporciona uma audição bem mais satisfatória e dinâmica, com elementos ausentes na edição anterior. Por exemplo, os temas da Força e de Darth Vader, anteriormente apenas sugeridos, agora ganham maior relevo, e várias faixas permitem uma perfeita identificação com a trilogia original.

Em "Escape From Naboo”, ouvimos uma típica música de ação Star Wars, militar e movimentada, também utilizada em grande parte da Corrida de Pods. Já em "Fighting the Destroyer Droids" , Williams evoca o clima das composições originais para a série, ao iniciar a faixa com metais no melhor estilo de Erich Wolfgang Korngold. Para a batalha espacial, o maestro faz uma releitura dos ritmos da clássica "Mars, Bringer of War", do mesmo modo que no primeiro Guerra nas Estrelas – porém sem chegar perto da intensidade e empolgação de "The Last Battle”. O compositor também nos brinda com momentos de sensibilidade, como em "Anakin is Free", composta para violas e cellos. Devo frisar que, além das muitas músicas adicionais, esta nova edição possui marcantes diferenças quanto à ordem cronológica e a edição das faixas, já que a trilha é apresentada exatamente na forma em que é ouvida no filme. O que significa dizer que, em virtude das mudanças que o filme sofreu na sala de edição, o álbum não apresenta o score como originalmente gravado por Williams.

Isto é mais fácil de constatar em sua parte final, que acompanha as batalhas no planeta Naboo e o duelo entre o vilão Darth Maul e os Cavaleiros Jedis. Faixas como "Duel of The Fates" foram divididas e editadas para acompanhar a nova ordem das cenas, sendo que, muitas vezes, os cortes não são muito sutis. Encerra o álbum uma versão de "Duel of the Fates" que inclui diálogos e efeitos sonoros de várias cenas. É a mesma versão do vídeo musical que, inclusive, foi incluído no game baseado no filme. Ou seja, quem quiser ouvir a versão para concerto de "Duel of The Fates", sem interrupções ou diálogos, terá de comprar ou manter o CD anterior - o que me permite concluir que,  dificilmente, esta será a versão definitiva (ou, pelo menos, a última) da trilha de The Phantom Menace.

Por importante, deixo com vocês as palavras de um Scoretracker, que pede para permanecer anônimo (pensem a respeito!): "
Tenho claro que a principal finalidade de uma trilha sonora é servir ao filme para o qual foi composta. Assim, não vejo nada de errado quando as gravações são alteradas ou reeditadas quando o filme é sonorizado. Mesmo que isto altere a "concepção" original do compositor, acho válido, ainda mais quando o resultado final acaba melhorando o produto. É o caso específico deste Star Wars, e penso que a Sony realizou o sonho de muita gente - lançou em 2 CDs toda a música e do modo que é ouvida no filme! É muito melhor ouvir um CD com faixas mais curtas, mas contendo toda a música ouvida no filme, do que ouvir um CD com versões regravadas, nas quais as faixas foram combinadas e metade da trilha ficou de fora! Pensem em quantos CDs que há por aí, que contém apenas uma fração de grandes trilhas! Se todos os CDs fossem como esse da Sony, aposto que as reedições completas ou expandidas diminuiriam muito. Também, nunca me interessei muito por "versões alternativas" ou mesmo faixas não utilizadas, por que estas simplesmente são dispensáveis por não terem servido ao filme. E em CD, acabam sendo uma experiência auditiva entediante. Quanto à sensibilidade criativa do compositor, muitas vezes atingida com as alterações posteriores à gravação (casos notórios: Williams e Goldsmith): alguém aí já ouviu um técnico em efeito especial chorar porque alguma cena sua foi alterada ou cortada na edição final, ou um cinegrafista reclamar porque certa tomada ficou na sala de edição? São decisões criativas (muitas certas, outras erradas) tomadas pelo diretor. Os compositores também são profissionais que foram pagos para produzir uma parte do filme: terminada a sua participação, a música integra-se aos demais elementos para formar o produto final."

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