VATEL
Música composta, orquestrada e regida por Ennio Morricone, faixas 10, 12, 16, 17 e 18 regidas por Patrick Bismuths
Selo: Virgin
Catálogo: 8493652
Lançamento: 2000
Faixas

1. Theme de Vatel
2. L’Amour Suspendu
3. Overture pour Vatel
4. Symphonie Avec Voix
5. Vertige
6. Theme de Vatel
7. kaleidoscope
8. Deuxieme Symphonie
9. Fête et Cynisme
10. Hipplyte and Aricie “Temple Sacré”
11. Secundo Pezzo
12. L’Air D’Absalom
13. Deux Courtisanes
14. Début de la Fête
15. Ouverture de la Cour
16. La Bourrée
17. Les Indes Galantes
18. The Royal Fireworks


Duração: 53:37
Cotação:


Comentário de
Tarso Ramos

 

Ambientado na França em 1671, Vatel conta a história de um chefe de cozinha que trabalhava para o príncipe, em uma província no oeste da França. Por motivo de uma visita do Rei Luís XIV, François Vatel tem a incumbência de preparar o banquete, além de todo o entretenimento para o Rei. Por se passar no século dezessete, o barroco é o estilo musical da trilha sonora. E não teria nome melhor do que Ennio Morricone para esse trabalho. Como já havia feito em A Missão, do mesmo diretor, Morricone nos transporta para a época de maneira brilhante, mostrando todo seu eruditismo, seu conhecimento sobre a História da Música e sua capacidade em passear por todos os estilos de composição. Utilizou-se da orquestra AMIT (Accademmia Musicale Italiana), do Cammerton Vocal Ensemble Musicanova Choir e de grandes solistas.

A primeira faixa do CD não é a primeira que aparece no filme. O que se ouve no início são as primeiras notas de “Ouverture Pour Vatel”. “Theme de Vatel” aparece durante o filme, mas nunca por inteiro. Talvez Roland Joffé devesse ter deixado mais espaço para essa maravilhosa música. Não só para essa mas  para todas, pois a edição do filme faz com que escutemos vários trechos de música. Nunca completas. A segunda faixa, “L’Amour Suspendu”, é a mais melódica e talvez a mais arrebatadora para os fãs do maestro, já que ali aparece todo o estilo morriconiano. Dramático e melódico. Sublime! Podemos considerar como o tema de amor, mas aparece com todo seu esplendor no momento em que Vatel se suicida. O solo de flauta de Paolo Carpici, que inicia a música, é o mesmo que encerra o filme nos créditos finais.

Ennio Morricone foi detalhista em toda a trilha. Na música “kaleidoscope” ele mostra todo o seu domínio sobre a orquestra em uma composição muito alegre, condizente com o estilo da época. Alegria que se repete em “Deuxieme Symphonie”. “Secundo Pezzo” é um belíssimo tema para voz e harpsichord, típico do século XVII. Inexplicavelmente, no momento adequado, onde uma cantora se apresenta acompanhada apenas por um harpsichord o que se ouve no filme é um outro tema e não o que está no CD. Em um evento musical para o rei, é apresentado “L’Air d’Absalom”, o segundo ato da ópera Absalom, composta por Giovanni Paolo Colonna. Nessa faixa temos a oportunidade de ouvirmos a impecável interpretação da mezzo soprano catalã Gemma Coma-Alabert.

Outro compositor escolhido para completar a trilha foi Jean-Philippe Rameau, um dos mais importantes do período barroco. Talvez tenha sido esse o motivo pelo qual o diretor utilizou-se de suas músicas, pois Rameau nasceu em 1683 e, lembremo-nos, o filme se passa em 1671. Se o diretor quisesse ser mais fiel à época, uma opção poderia ter sido o compositor italiano Lully, que além de ser contemporâneo do rei Luís XIV, tornou-se monarca absoluto em sua corte e sua importância histórica se deve justamente ao fato dele ser o criador da ópera francesa. Mas “Hippolyte and Aricie”, interpretada pela americana Arielle Dombasle, “La Bourrèe” e “Les Indes Galantes”, todas de Rameau, fazem parte do CD e são composições maravilhosas.

Quando o rei Luís XIV está diante de um show musical e pirotécnico, a obra escolhida foi “The Royal Fireworks”. Curiosamente esta foi escrita em 1749, ou seja, setenta e oito anos depois de 1671. Poderia ser considerada mais uma gafe, mas na tradução para o português o título passa a ser Concerto para Fogos de Artifício. Então podemos considerá-la como uma homenagem do diretor a outro importantíssimo compositor do Barroco, o alemão George Frederic Handel.

Voltando à trilha sonora original, Vatel é mais uma obra de arte de Ennio Morricone, que só por sua assinatura já valeria a pena ouvi-la. O perfeccionismo do compositor e seu estudo abrangente sobre a época, transformam essa trilha em uma aula sobre música barroca e História da Música. Sua instrumentação, orquestração e interpretação são perfeitas. Vale lembrar que, além de suas composições originais, Morricone assina também a orquestração de “Hippolyte and Aricie” e “La Bourrée”, regidas por Patrick Bismuth, que também regeu a orquestra La Tempesta nas outras músicas que não são de Morricone.

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