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O ano de 1985 é um marco
para a música de James Bond, já que pela primeira vez na história da
série, a canção principal ficou em primeiro lugar nas paradas de sucesso
da Inglaterra e dos Estados Unidos. A canção tinha o mesmo título que o
filme em inglês, “A View To A Kill”, foi composta por John Barry e Jason
Corsaro e interpretada pelo então destacado grupo britânico Duran Duran.
Ela se ajusta perfeitamente ao estilo pop
predominante da época, que aliás se encaixava absolutamente com o estilo
musical e interpretativo do Duran Duran. Esta canção, além disso, tinha
algumas reminiscências das primeiras canções da série, como
“Goldfinger”, “Thunderball” ou “On Her Majesty's Secret
Service”. Seguindo a tendência de canções anteriores, sua letra não tem
qualquer relação com o argumento da película. Salvo a transcendência da
canção principal e de um apropriado tema de ação recorrente, esta trilha
sonora não possui atrativos especiais. John Barry novamente se ajusta à
fórmula padrão, mas sem o brilho de ocasiões anteriores.
Com este trabalho, de alguma maneira se
regressa à normalidade, já que as duas trilhas anteriores compostas por
Barry foram um tanto especiais (leia as análises da música de
Moonraker e
Octopussy).
Novamente o “Tema de James Bond” é utilizado de forma moderada, ainda
que neste caso tenha sido ainda menos que isso, já que foi ouvido apenas
em uma seqüência (“May Day Jumps”), inserido dentro de outra composição
original. Nesta breve aparição do tema, novamente é utilizada sua versão
sinfônica, porém de forma menos majestosa que em trilhas anteriores.
A canção principal foi utilizada
instrumentalmente, mas não em seu espírito original, já que serviu para
acompanhar cenas românticas. Esta situação implicou na necessidade de
que fosse adaptada para uma interpretação mais lenta, trabalho que
resultou surpreendentemente satisfatório (em especial se recordarmos o
ocorrido em The
Man with the Golden Gun). Se alguém fosse assistir 007 Na
Mira dos Assassinos apenas para ouvir Duran Duran, sairia do cinema
muito frustrado, já que ele é escutado apenas nos créditos principais e
finais, e acredito que a versão instrumental
não tenha agradado aos fãs do grupo.
Como Barry quase não utilizou o “Tema de James Bond”, ele compôs o tema
que referi ao início, para substituí-lo nas seqüências principais do
filme, denominado genericamente no álbum como “He´s Dangerous”. Esta
melodia é ouvida inicialmente na seqüência pré-títulos (“Snow Job”), na
cena culminante do filme sobre a ponte Golden Gate, na perseguição pelas
ruas de São Francisco e finalmente no enfrentamento dentro da residência
de Stacey. Este tema certamente corresponde ao estilo Bond, ainda que se
possa discutir se foi apropriada sua utilização. O restante da trilha
sonora é constituída de música sem maior importância, a qual
estranhamente - dado o estilo musical de Barry – não resulta em uma
audição muito agradável, de modo não vale a pena tecer maiores
comentários sobre ela.
Como em várias de suas antecessoras, existe
música ouvida no filme que não foi incluída no disco original, e
tampouco nesta reedição remasterizada. O disco “Bond Back In Action 2”
resgata somente uma destas composições (“Fanfare”), uma poderosa
fanfarra sinfônica baseada no estribilho da canção principal. Em resumo,
se John Barry não estava em sua melhor forma para este trabalho,
tampouco o protagonista e o próprio filme.
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