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Sempre quando escrevo algo sobre Kaczmarek, é realmente
muito difícil que não faça uma resenha extremamente
positiva. Também,não é para menos, Jan é simplesmente um dos
maiores compositores da atualidade, se não o melhor. Dono de
uma sensibilidade impar, ele já compôs obras primas como
Em Busca da Terra do Nunca e Infidelidade, além
da lindíssima Ao Entardecer. Com o inédito The Visitor
não é diferente.
Protagonizado por Richard Jenkins (forte candidato a ocupar
uma vaga de melhor ator no Oscar 2009), o longa conta a
história de Walter, um professor
universitário viúvo e solitário que vive em Connecticut. Até
o dia em que tem que ir a Nova Iorque para apresentar um
trabalho acadêmico, e lá encontra Tarek e Zanaib, um jovem
casal de imigrantes ilegais vivendo em seu apartamento. De
maneira singular, Walter se apega ao casal, e quando ocorre
um mal entendido, fazendo com que Tarek seja preso, Walter
fará de tudo para ajudar o casal.
Já é normal, quando se refere à Kaczmarek, que a trilha seja
composta quase que inteiramente no piano. Mas o que é
incrível neste compositor é que suas composições nunca caem
na mesmice, já que ele está sempre se reinventando e criando
verdadeiras obras-primas. A primeira faixa da trilha, “The
Visitor Overture”, é simplesmente uma das canções mais
bonitas criadas por Jan em toda sua carreira. Melancólica,
doce, inteligente, mas contida, ela toca sem querer ser
tocável, mergulhando fundo nos sentimentos do personagem
principal, e de quem a ouve.
Outro destaque é “Walter Drives Through New York”, que sem
muitos rodeios tem sua sensibilidade exposta na medida
certa. Devo realmente ressaltar que, de maneira incrível
(sim porque as trilhas de Infidelidade e Ao
Entardecer são excelentes), esta trilha só perde em
“genialidade” para Em Busca da Terra do Nunca, sendo
que ainda penso que ela se iguala a esta. Realmente Jan
estava inspirado quando compôs uma trilha tão bonita e bem
acabada. Não são todas as trilhas que me emocionam, mas esta
me emociona do inicio ao fim, dando um nó na garganta
daqueles que a estão escutando.
Seguindo para outras faixas, em “Evening with Mouna” o
sentido de nostalgia é sóbrio o suficiente para manter o
publico conectado à música. “The Loneliness” é a faixa mais
emotiva, ao nos trazer um piano que transcende às barreiras
de tudo que se põe em vista, ao norte, em sol, em si... e
“Walter Feels Alive Again” cria uma esfera de recomeço ao
ter um piano e cordas se misturando como se fossem feitos de
um só instrumento.
O que dizer então de um score magnânimo, humilde,
cativante, bem acabado, bem feito, inteligente e completo?
Que até agora é uma trilha imbatível, a mais bela de 2008, e
provavelmente a mais inatingível dos últimos anos. Se não
vierem os prêmios não há problema, pois a trilha de The
Visitor já é um premio por si mesma. |