WAR OF THE WORLDS (2005)
Música composta e regida por
John Williams

Selo:
Decca
Catálogo:
B0004568-02
Ano: 2005

Faixas:
1. Prologue *
2. Escape from the City
3. Reaching the Country 
4. The Intersection Scene 
5. Ray and Rachel 
6. The Ferry Scene 
7. Probing the Basement 
8. Refugee Status 
9. The Attack o­n the Car 
10. The Separation of the Family 
11. The Confrontation with Ogilvy 
12. The Return to Boston 
13. Escape from the Basket 
14. The Reunion *
15. Epilogue
* Inclui narração por Morgan Freeman
Duração: 61:08
Cotação:


Comentário de
J
arbas Abdala

 

Quando soube que Steven Spielberg dirigiria a refilmagem de Guerra dos Mundos, cuja primeira versão é de 1953, confesso que fiquei a imaginar como John Williams trabalharia o tema principal do filme. Alguma melodia que com certeza ficaria na cabeça de quem saísse do cinema ou, na melhor das hipóteses, no assovio dos  admiradores e colecionadores de trilhas. Ledo engano! Tive a oportunidade de ouvir este novo trabalho de Williams antes de ver o filme, e para minha surpresa não consegui encontrar um tema ou melodia que se repetisse ao longo da audição. No entanto, nada que o transformasse numa decepção. Talvez para os fãs mais ardorosos do estilo empregado em Star Wars ou Indiana Jones, este seja um trabalho decepcionante. Os que ainda gostam de Williams em filmes como Nixon, Sleepers, no tom descritivo de Minority Report ou em grande parte da trilha atonal de Contatos Imediatos do 3° Grau, acharão muita coisa interessante. E é nestes dois últimos filmes que podemos encontrar mais semelhanças com a partitura de Guerra dos Mundos.

E, após ter assistido o filme pude entender porque o habitual colaborador de Steven Spielberg optou por compor uma música bastante atonal, dissonante e pesada. Adjetivos que podemos empregar com propriedade em praticamente todos os 60 minutos do álbum e que na película reforçam o tom frio, amedrontador e caótico valorizado pelo diretor. Duas faixas, particularmente, me chamaram a atenção por sua proximidade com a veia experimental que Williams aplicou 28 anos atrás em Contatos Imediatos: “Probing the Basement” e “The Confrontation with Ogilvy”. Nos dois casos, as cordas dissonantes, os momentos de silêncio intercalados pelo som nas alturas e a intromissão ameaçadora e atonal da sessão de metais relembram o estilo empregado em “Barry´s Kidnapping”. Na verdade, a segunda faixa em questão bem poderia se chamar “Rachel´s Kidnapping”. Mais apropriado para a cena que representa.

Outros pontos que merecem destaque incluem a música minimalista de “Prologue”  e “The Reunion”, acertadamente incluídas no álbum com a narração de Morgan Freeman; os ostinatos e ritmo ameaçador presentes em “The Ferry Scene”, “The Intersection Scene”,  “Escape from the City” (reutilizada nos créditos finais) e “The Attack on the Car”; a ótima utilização da percussão (com destaque para os tímpanos), o discreto coral, os solos de piano, e o registro grave dos metais representando a ameaça alienígena em momentos-chave. Sobram ainda reminiscências de A Vingança dos Sith  e As Cinzas de Ângela na melodia de  “Refugee Status”, o tom militarista de  “The Return to Boston” e o fechamento atonal dos trompetes e cordas em “Epilogue”, bem ao estilo “Cybertronics” de A.I.

Em suma, um trabalho que não guarda muitas semelhanças com o John Williams das fanfarras, temas marcantes ou motivos wagnerianos. Mas que se centra na experimentação, atonalidade e dissonância muito bem apresentados pelo habitual apuro orquestral do compositor. O que, apesar de garantir uma audição tecnicamente perfeita, exige mais do ouvinte acostumado a melodias fáceis e por isso mesmo pode afastar com sua frieza, digamos assim, a maior parte dos colecionadores de trilhas sonoras.

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