THE WORLD IS NOT ENOUGH
Música composta por
David Arnold

Selo: MCA
Catálogo:
0881121012
Ano: 1999

Faixas:
1. World Is Not Enough - Garbage
2. Show Me the Money
3. Come in 007, Your Time Is Up
4. Access Denied
5. M's Confession
6. Welcome to Baku 
7. Casino 
8. Ice Bandits 
9. Elektra's Theme 
10. Body Double 
11. Going Down/The Bunker 
12. Pipeline 
13. Remember Pleasure 
14. Caviar Factory 
15. Torture Queen 
16. I Never Miss 
17. Submarine 
18. Christmas in Turkey 
19. Only Myself to Blame - Scott Walker
Duração: 68:11
Cotação:


Comentário de
J
orge Saldanha

 
Depois da fascinação provocada pela música de Tomorrow Never Dies,  o "clamor popular" pedia que David Arnold continuasse a cargo da música da série 007, e assim como os produtores deram ouvidos ao descontentamento com a música de GoldenEye e mudaram de rumo, neste caso tomaram a decisão correta em manter o compositor no filme seguinte. Musicalmente, The World is not Enough marca alguns acontecimentos que me parecem dignos de nota: pela primeira vez um músico que não John Barry compôs mais de uma trilha sonora para a série; estes trabalhos ocorreram de forma consecutiva e foi restabelecida a antiga tradição de que toda a música do filme é de responsabilidade do compositor da partitura principal. Assim, tendo Arnold como dono absoluto da música desta película, temos uma trilha com as seguintes características:

1. Existe uma canção principal, “The World Is Not Enough”, composta por David Arnold e Don Black e interpretada pelo grupo Garbage, que acompanha a seqüência de créditos iniciais. A seqüência de créditos finais utiliza, depois de muito tempo, uma versão instrumental do “Tema de James Bond”;
2. A canção principal serve como padrão para ser utilizada instrumentalmente dentro da trilha
sonora, especialmente em cenas de ação;
3. Durante o filme se escuta o “Tema de James Bond”. 

A canção principal, “The World Is Not Enough”, é um tema atípico, já que é difícil classificá-la claramente em alguma categoria. De fato, é uma balada interpretada por um grupo mais identificado à musica pop/rock. A interpretação da vocalista do grupo, Shirley Manson, é bastante sensual e dá um toque especial ao tema. Esta canção é bem superior à sua antecessora “Tomorrow Never Dies”, ainda que seja inferior a “Surrender”, também de Tomorrow Never Dies. Seguindo com a tendência, novamente esta canção não possui qualquer conexão com o argumento do filme. Além da canção principal composta por Arnold e Black, a dupla também compôs outra canção que serviu de padrão para inspirar a música incidental para as cenas românticas. Esta canção tem por título “Only Myself To Blame”, e a escutamos somente ao final do CD, já que nunca foi utilizada durante o filme. Segundo a lógica ou de acordo com experiências anteriores, esta canção deveria ter constado na seqüência dos créditos finais, onde finalmente se optou por uma versão instrumental do “Tema de James Bond”, que resultou igualmente satisfatória. Esta canção tem uma particularidade nunca antes vista na série, já que foi a única canção incluída em uma trilha sonora somente utilizada para inspirar temas instrumentais, e que jamais foi ouvida no filme. Alguns poderão mencionar outros casos similares, como temas instrumentais nunca utilizados ou substituídos por outros, porém nenhum deles está na mesma situação que esta. Se alguém está pensando na canção de Thunderball “Mister Kiss Kiss Bang Bang”, também ela não se  encontra nesta condição, já que nunca foi incluída na edição original da trilha sonora e permaneceu desconhecida até ser incluída em um CD comemorativo ao trigésimo aniversário da série. Confesso que, depois da experiência musical de Tomorrow Never Dies, minhas expectativas para esta trilha sonora eram bastante altas. No entanto, o resultado mostrou ser um tanto diferente.

Neste trabalho, Arnold continuou com sua tendência de manter uma equilibrada combinação de arranjos instrumentais e eletrônicos. Em alguns casos inclusive combinou ambos em um mesmo tema, o que nem sempre funcionou bem. A utilização do “Tema de James Bond” se restringiu a um par de seqüências bem evidenciadas. Especialmente destacado é o arranjo musical da seqüência de pré-títulos. No caso do combate na fábrica de caviar, a música não tem a grandiosidade da composição anterior. Neste trabalho Arnold definitivamente trata de mostrar seu estilo de composição, utilizando recursos mais pessoais e não amparando-se tanto no “Tema de James Bond” ou nas canções. Neste este sentido se destacam “Ice Bandits”, “Pipeline”, “I Never Miss” e “Submarine”. O arranjo para o tema romântico de Elektra King (baseado en “Only My Self To Blame”) é realmente belíssimo e emotivo, ainda que a cena correspondente não o seja (recomendo ouvir este tema em um sistema de áudio, sem nenhuma imagem associada). Outros arranjos baseados nesta mesma canção não resultam tão satisfatórios (“Casino”, “Remember Pleasure”).  Devo assinalar que sob o meu ponto de vista, o momento musical mais emocionante do filme não foi incluído no disco, se trata da seqüência de esqui quando Bond e Elektra se lançam do helicóptero. É um arranjo instrumental muito breve baseado na canção principal, e que constitui uma verdadeira homenagem ao estilo de orquestração que caracterizou John Barry. Se não soubéssemos que Arnold está por trás deste tema, facilmente poderíamos atribuí-lo a Barry. Talvez sua brevidade tenha sido a causa de sua não inclusão na edição final do disco.

Retomando uma afirmação feita em outros comentários a respeito da influência que possui a música para elevar ou diminuir um filme, quando me perguntam qual é o melhor filme entre
GoldenEye ou Tomorrow Never Dies, respondo prontamente a favor deste último, mas reconheço que esta preferência se deve basicamente à música, já que nos demais aspectos ambos são bem semelhantes. Em resumo, sem a grandiosidade da trilha sonora de Tomorrow Never Dies, este trabalho ainda se mantém satisfatoriamente, mostrando os primeiras sinais do estilo mais pessoal de David Arnold na série - situação absolutamente previsível e  legítima.

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