WHEN A STRANGER CALLS
Música composta por
James Dooley

Selo:
Lakeshore Records
Catálogo:
LKS-33859
Ano: 2006
Faixas:
1. The Carnival
2. Fateful Drive
3. The House
4. Exploring
5. Have you checked the children?
6. Tiffany
7. Knock, Knock, Who's There?
8. Curtain Call
9. 60 Seconds
10. Inside the House
11. Stranger
12. Hunting Jill
13. Gotcha!
14. The Hospital
15. Aftermath

Duração: 60:35

Cotação:


Comentário de
J
orge Saldanha

 
Vamos falar sobre outra dispensável refilmagem de um filme de horror. Não, não é A Profecia (um dos meus filmes favoritos, não posso imaginá-lo sem Gregory Peck, Lee Remick e, principalmente, o clássico score de Jerry Goldsmith). Agora estou falando sobre When a Stranger Calls: o original é um filme de 1979 cujo primeiro ato mostra uma babysitter (Carol Kane) que, atormentada pelos telefonemas de um sádico anônimo, descobre que as ligações ameaçadoras são feitas de dentro da própria casa, e escapa viva por um fio. Assustador hein? Este nunca foi um favorito, mesmo assim é um thriller bem construído e climático, que fornece ao espectador alguns sustos genuínos e, obviamente, serviu de inspiração para uma memorável seqüência em Pânico.

Agora chega esta nova versão dirigida por Simon West (o cara por trás de Con Air e Lara Croft: Tomb Raider), estrelando Camilla Belle como a apavorada (e sexy) babysitter, onde toda a trama gira em torno do memorável primeiro ato do filme original. Quando um Estranho Chama fez uma boa bilheteria no seu fim de semana de estréia, mas também mereceu várias críticas ruins, sendo classificado como "incapaz de dar medo
", "indiferente", "chato", "barulhento", e a lista de adjetivos continua neste padrão.

O score foi composto por James Michael Dooley, mais conhecido por seus trabalhos para games (Socom 3, US Navy Seals)
e animações (First Flight, Over The Hedge, A Christmas Caper); contudo ele não é exatamente um novato no gênero, já que previamente colaborara com Hans Zimmer no score de The Ring. Repleto de boas intenções, Dooley iniciou as sessões de gravação em Praga, primeiramente com uma seção de 50 instrumentos de corda, e depois com uma seção de 32 instrumentos, composta unicamente por violoncelos e contrabaixos. O restante do score foi gravado em Seattle com os 85 instrumentistas da North West Sinfonia.

Para as primeiras faixas da partitura, como "The Carnival", "Fateful Drive", "The House" e "Exploring", Dooley providenciou uma música intrigante, com a finalidade de construir um ambiente de medo e ameaça à espreita, baseada principalmente em
samples sonoros com a orquestra tradicional, utilizando principalmente as cordas e o piano, em destaque. Apesar da falta de uma maior variedade de harmonias, é um início promissor e o material carrega algumas boas idéias do compositor. Infelizmente, após 20 minutos deste tipo de música ambiental você começa a ficar entediado: lá vem as mesmas notas do piano sobre as cordas, com alguns sons metálicos aqui, um sample eletrônico ali, uma batida de coração lá, e de novo e de novo...

Mas não se preocupe, afinal este é um filme de Simon West – o que significa "quanto mais barulhento, melhor". Despejada na segunda metade da partitura, há uma generosa dose da obrigatória, amorfa e clichê música de horror, via de regra em alto volume. É óbvio que West pediu a Dooley uma série cues musicais caóticas para reforçar seus truques baratos, a fim de compensar sua incapacidade de gerar a mínima quantidade de suspense que seria necessária. O que ouvimos não tem qualquer elemento de coesão, a música não nos leva a parte alguma. Não há desenvolvimento, não há resolução - apenas baques e sons rascantes de violinos.

Conseqüentemente, o score de Dooley é repetitivo, intrusivo, exagerado e interminável na maior parte dos 60 minutos de duração do CD. A última faixa, "Aftermath", oferece a melhor interpretação do motivo em cordas e piano da babysitter, e para mim é a melhor parte do álbum. Após ouvi-la, fico imaginando se Dooley poderia realizar um trabalho melhor com o material de que dispunha, e com o tipo de orientação que ele certamente recebeu do diretor. Na minha opinião, temos aqui um claro exemplo de como um diretor ruim pode ser um elemento negativo na criação de um compositor. Melhor sorte na próxima vez, Mr. Dooley.

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