2001: UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO (EDIÇÃO ESPECIAL)
Direção: Stanley Kubrick
Elenco:
Keir Dullea, Gary Lockwood, William Sylvester
Distribuidora:
Warner
Duração:
148 min.

Região:
A, B, C

Lançamento:
22/09/2008

Nº de discos:
1

Cotações:
Filme -

BD -

Comentários de
Jorge Saldanha

SINOPSE
Obra essencial da ficção científica, 2001: Uma Odisséia no Espaço, vencedor do Oscar® de Melhores Efeitos Especiais de 1968, mostra o drama entre a máquina e o homem envolto em música e movimento, um trabalho tão influente que Steven Spielberg o comparou com o "Big Bang" dos realizadores de sua geração. Talvez seja o maior trabalho do diretor Stanley Kubrick (que escreveu o roteiro junto com Arthur C. Clarke) que ainda inspira e fascina inúmeras gerações. Antes de sua viagem pelo futuro, Kubrick visita nosso passado ancestral, para depois saltar milênios para o espaço colonizado, onde o astronauta Bowman (Keir Dullea), após duelar com um computador enlouquecido, entra em contato com as forças criadoras da vida inteligente na Terra.

COMENTÁRIOS
2001: Uma Odisséia no Espaço é um belo e intrigante filme que provocou controvérsia e mudou os rumos da ficção científica no cinema, quando foi lançado há mais de quatro décadas. Apesar de há tempos já termos deixado o ano de 2001 para trás, e ainda estarmos longe de possuir as maravilhas tecnológicas que vemos na tela, assistir a este verdadeiro balé de imagens cósmicas baseado no conto de Arthur C. Clarke “A Sentinela” ainda é uma experiência fascinante. Com roteiro do próprio Clarke e de Kubrick, foram gastos três anos nas filmagens, tendo a produção iniciado em dezembro de 1965.

Durante a primeira meia hora de filme, acompanhamos a rotina de uma tribo de macacos vegetarianos, há cerca de quatro milhões de anos (Kubrick usa atores em roupas de macacos e uns poucos animais reais). Subitamente um grande monólito negro surge, atraindo a atenção dos antropóides. A partir do instante em que tocam a sua superfície lisa, os pacíficos símios tornam-se carnívoros, territoriais, e começam a usar os ossos de suas presas como armas, a fim de manter os macacos de outras tribos longe dos seus domínios. Após um rápido confronto entre dois grupos, vencido pelos “eleitos” do monólito, um osso é lançado para o ar e começa a cair em câmara lenta, transformando-se em uma nave espacial. Com esse corte clássico, o filme encerra a narrativa do alvorecer do homem na Terra e avança milhões de anos no futuro, entrando em seu segmento intermediário.

Acompanhamos então a chegada do ônibus espacial do Dr. Heywood Floyd (William Sylvester), um cientista, à estação orbital (outro grande momento, ao som do “Danúbio Azul” de Strauss). De lá Floyd vai para uma base lunar, onde ficamos sabendo que fora feita uma descoberta assombrosa, a primeira evidência de vida extraterrestre inteligente - um monólito que estivera enterrado por pelo menos quatro milhões de anos... Passamos para o último segmento (e mais longo) do filme, onde um ano e meio depois a grande espaçonave Discovery 1 está a caminho de Júpiter. David Bowman (Keir Dullea) e Frank Poole (Gary Lockwood) controlam a nave com a ajuda de HAL 9000, o mais sofisticado computador dotado de inteligência artificial já construído. A tripulação é completada por mais três membros mantidos em hibernação, e nem Bowman ou Poole conhecem sua real missão. Mas ao final de sua viagem, Bowman descobre o segredo que era de conhecimento apenas de HAL, e ruma para um destino representado por um turbilhão de imagens cujo significado, por décadas, gerou incontáveis discussões.

Clarke, na seqüência 2010: O ANO EM QUE FAREMOS CONTATO, filmada por Peter Hyams em 1984, bem que tentou. Mas o ideal é que cada espectador absorva as idéias de Clarke/Kubrick, transformadas em soberbas imagens, e tire suas próprias conclusões. Juntamente com os ainda hoje impecáveis efeitos visuais criados por uma equipe liderada por Douglas Trumbull, a música de 2001 é um capítulo à parte. Stanley Kubrick encomendara a trilha sonora para o veterano compositor
Alex North, mas acabou utilizando peças de música clássica compostas por, entre outros, Aram Khatchaturian, Richard Strauss, Johann Strauss, etc. Para ler nosso extenso artigo sobre a música de 2001, clique aqui. Ainda hoje o filme surpreende pelo perfeccionismo de seus efeitos visuais – tanto que, ao contrário de filmes como STAR WARS (1977) e JORNADA NAS ESTRELAS – O FILME (1979), eles nunca foram refeitos e permanecem até hoje intocados -, porém o mais importante é que esta obra-prima dificilmente será superada por ter praticamente inaugurado uma nova linguagem cinematográfica.

À época do lançamento, Kubrick deliciou-se com a confusão provocada por seu filme, afirmando que deliberadamente manteve muitas perguntas sem resposta porque sua intenção era aguçar a curiosidade dos espectadores. Afinal, o que é o monólito? Quem o criou e o colocou na Terra? Para onde foi Bowman ao entrar no enorme monólito de Júpiter? O renascimento do astronauta ao fim do filme significa o próximo estágio evolutivo do homem, após ter entrado em contato com seu Criador? Kubrick nunca responde. Mas hoje isso não importa muito, pois “2001” foi um verdadeiro divisor de águas no cinema de ficção científica, que continuará a intrigar e maravilhar aqueles que tiverem a sorte de assisti-lo no cinema ou no mínimo em uma TV de tela grande, de preferência reproduzindo este primoroso lançamento em alta definição.


O BD
Ao longo da história do home video, 2001: Uma Odisséia no Espaço recebeu várias edições em VHS, Laserdisc, DVD, HD-DVD e agora, finalmente, em Blu-ray, e temos de parabenizar a Warner por disponibilizar este clássico de Kubrick (entre outros) em alta definição também no Brasil. O filme, remasterizado para HD numa transferência anamórfica 1080p/VC-1, nunca me pareceu mais bonito - e olhe que tive a oportunidade de assisti-lo em 1969 no falecido formato Cinerama / 70mm, para o qual foi originalmente rodado no aspect ratio 2.2:1. Para começar, as cores são magníficas, sempre ricas e estáveis. Os tons de pele são perfeitamente saturados, e as cores básicas são vistas de forma vibrante. O contraste é excelente, os níveis de preto são fortes e o elevado nível de detalhes, mesmo em cenas mais escuras, revela elementos que antes passavam despercebidos. Eventualmente temos alguma granulação inerente à fonte, mas de modo geral a transferência é limpa, livre de artefatos ou ruídos e sem o uso perceptível de filtros como edge enhancement ou DNR.

Quanto ao áudio, há várias faixas multicanais Dolby Digital disponíveis (inglês,
francês, alemão, italiano, espanhol e castelhano), mas a melhor é a faixa em inglês sem compressão PCM 5.1 (48 kHz/24-Bit/6.9 Mbps), que realça o meticuloso sound design do filme (ao contrário das barulhentas produções de hoje, cada som é ouvido individualmente, o que torna determinadas seqüências especialmente dramáticas – como o passeio espacial de Bowman, onde o único som que ouvidos é sua exasperante respiração). Também valorizadas são as músicas eruditas da trilha sonora, que ressoam em seu home theater com ótima fidelidade e graves sólidos. Os diálogos sempre soam límpidos, mesmo quando ouvimos os tons suaves da voz de HAL. As cenas nas naves são acompanhadas por uma discreta mas natural ambientação sonora. Acredito que, pela primeira vez, podemos em nossas casas apreciar por inteiro a complexidade do sound design do filme – preste atenção e você poderá distinguir sons como ecos ao longe, ruídos de ventiladores e válvulas, e de outras máquinas a bordo da Discovery. É claro que esta é uma mixagem feita nos anos 1960, com certa limitação nos canais traseiros, e por esta razão neste em outros quesitos ela mostra a sua idade. Ainda assim, temos aqui este grande filme na forma exata com que foi feito para ser assistido e ouvido. Acho que não poderíamos esperar nada melhor que isso.

De resto, temos legendas para o filme em p
ortuguês (do Brasil), chinês, dinamarquês, castelhano, holandês, inglês, finlandês, alemão, italiano, coreano, espanhol e até norueguês, porém os menus estão apenas em inglês. Estes (estáticos) seguem o padrão dos BDs da Warner – somente serão acessados no final do filme, ou se você acioná-los durante a reprodução.


OS EXTRAS
Há algum tempo a Warner já lançara aqui 2001: UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO em um DVD duplo trazendo vários extras, que agora se fazem presentes também neste Blu-ray. Provavelmente eles não representam o que seria definitivo em termos de material suplementar deste clássico (seria desejável, por exemplo, uma faixa de comentários em áudio baseada em aspectos técnicos do filme). Mas de certa forma, os documentários incluídos (todos em resolução standard 480p) compensam isto. Cabe alertar que as legendas em português (apenas de Portugal) dos documentários só podem ser acionadas via controle remoto, já que não há uma opção de menu específica para isso. Por fim, optei por utilizar, nos títulos dos extras, a tradução usada no DVD duplo nacional.

  • Comentário em áudio com Keir Dullea e Gary Lockwood – Os intérpretes dos astronautas Bowman e Poole evitam entrar em maiores discussões sobre o impacto cultural do filme e suas interpretações, preferindo falar sobre Kubrick, a produção e o ambiente nos sets. Ambos são bem humorados, e se não agregam novidades ao que já se sabe sobre “2001” (inclusive deixam de comentar algumas cenas importantes), pelo menos dividem conosco suas impressões pessoais sobre a experiência. Infelizmente, não há opção de legendas em português;

  • 2001: O Making Of de um Mito (43 min.) – O extra mais importante presente (ao lado da entrevista em áudio com Kubrick) é este documentário feito para a TV inglesa em 2001 que traz longos depoimentos de membros do elenco e da equipe, do próprio autor Arthur C. Clarke, e de diretores, produtores e outros profissionais da indústria do cinema. É um documentário interessante do início ao fim, que registra desde as reações iniciais negativas ao filme até seu posterior reconhecimento como obra-prima;

  • A Perspectiva de Kubrick: O Legado de 2001 (21 min.) – Este Segundo documentário concentra-se na influência que o filme teve na carreira dos vários diretores, produtores, técnicos em efeitos visuais, etc., entrevistados - entre eles George Lucas e Steven Spielberg;

  • A Visão de um Futuro Passado: A Profecia de 2001 (22 min.) – Aqui temos uma interessante abordagem das tecnologias que o filme previu ou inspirou, e o que ainda está para vir. Curiosamente, algumas como o videofone foram acabar nos computadores, graças à internet – cuja criação, aliás, nenhum escritor de ficção científica conseguiu prever;

  • 2001: Uma Odisséia no Espaço - Um Olhar Atrás do Futuro (23 min.) – Documentário promocional feito nos anos 1960 (por isso, o único não-anamórfico, fullscreen), que trata dos designs e sets criados para a produção;

  • O Que Tem Aí? (21 min.) – Este documentário apresentado por Keir Dullea tem como base a sempre fascinante discussão sobre o espaço, e a possibilidade da existência de vida inteligente fora da Terra. Inclui entrevistas de Arthur C. Clarke da década de 1960;

  • 2001: FX e o Início de uma Arte Conceitual (10 min.) – Encerrando os documentários, temos este featurette que trata de algum dos vanguardistas efeitos visuais do filme, além da arte conceitual inicial;

  • Olhe: Stanley Kubrick (4 min.) – Montagem com fotos tiradas por Kubrick para a revista Look, nos anos 1940;

  • Entrevista com Stanley Kubrick de 21/11/1966 (77 min.) – Agregando um enorme valor ao pacote de extras presente, temos esta entrevista em áudio com Kubrick realizada por James Bernstein em 1966. Indiscutivelmente trata-se de uma preciosidade, porque como qualquer fã do diretor sabe, Kubrick raramente falava com a imprensa e nesta entrevista ele não faz jus à fama que ganhou de ser um sujeito difícil. A maioria das suas respostas são gentis e elaboradas, divulgando até mais informações do que se poderia supor. Uma verdadeira raridade, mas infelizmente sem opção de legendas;

  • Trailer (1:51) - Completando os extras, temos o trailer de cinema.

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