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SINOPSE
Fox
Mulder (David Duchovny) e Dana Scully (Gillian Anderson) voltam a se
unir para investigar o caso da agente do FBI Monica Bannan que, num
piscar de olhos, em meio a um frio cortante e uma calma ilusória, é
misteriosamente sequestrada. Obviamente este não é um sequestro comum,
já que desafia os limites da ciência, do sobrenatural e dos
aterrorizantes vácuos entre um e outro, revelando ser um caso digno dos
tempos em que ambos atuavam no Arquivo X. No entanto, a busca pela
mulher desaparecida também causará conflitos entre os parceiros.
COMENTÁRIOS
Na
cultuada série de TV
ARQUIVO X, que
durou nove temporadas, seu criador e também roteirista e diretor
eventual Chris Carter soube mesclar com perfeição, pelo menos durante os
cinco primeiros anos, elementos de ficção científica, sobrenatural e
suspense, todos embalados em teorias conspiratórias governamentais de
grande apelo junto ao público. Dez anos antes deste segundo filme, a
série chegara aos cinemas com ARQUIVO X: O FILME, focado no arco
principal da série (a conspiração envolvendo os preparativos de uma
invasão alienígena da Terra) e que foi uma ponte entre a quinta e a
sexta temporadas. O longa fez um sucesso apenas mediano, e uma das
razões para isso é que parte do público que não acompanhava a série na
TV simplesmente não entendeu direito sua trama.
Por muitos anos se falou num segundo filme, porém um litígio judicial
entre Chris Carter e a Fox adiou o projeto, que finalmente chegou às
telas em 2008. Como seria de se prever, o novo filme trouxe uma história
totalmente autônoma para atrair espectadores casuais, que faz apenas
referências breves e secundárias a elementos da série de TV. No entanto,
é incompreensível que um projeto há tantos anos acalentado pelos fãs e
pelos próprios realizadores, sendo que muitos já haviam perdido a
esperança de que um dia ele se tornasse realidade, tenha se revelado um
filme fraco, onde pouca coisa funciona. Para começar, o enredo de Chris
Carter e de outro veterano da série, Frank Spotnitz, ao mostrar Scully
legalmente trabalhando como médica, esquece que, ao final da série, não
apenas Mulder mas também ela fugira do FBI. Além disso, o script
é uma salada de frutas que se baseia em duas tramas que nunca se
combinam – a obsessão de Scully em curar um garoto com o uso de células
tronco (uma tentativa de Scully se redimir pela perda do bebê
William) e a obstinação de Mulder em ajudar o FBI a localizar a agente
desaparecida (a tentativa de Mulder se redimir pela abdução e morte de
sua irmã), num caso que envolve um padre pedófilo (Billy
Connolly), um casal de homossexuais e as experiências de um cientista
maluco russo com transplantes de membros e cabeças!
Alguns dos melhores
episódios da série tinham elementos bizarros, porém tão bem executados
que se tornaram clássicos. Aqui, no entanto, foi tudo mal costurado e
realizado, a ponto de termos apenas um tedioso episódio de quase duas
horas de duração que poderia muito bem caber nos 45 minutos padrão do
programa. A escalação do elenco também não ajudou. Não vou nem perder
tempo falando do péssimo rapper Xzibit, mas Amanda Peet, como a
agente que busca auxílio de Mulder (que, de procurado pelo FBI
rapidamente é perdoado e aceita trabalhar no caso, sem maiores
explicações fora o já batido mote “Eu Quero Acreditar” do personagem),
está totalmente deslocada no filme. Idem o via de regra ótimo Billy
Connolly, com um visual desgrenhado que em nada ajuda a seu personagem.
Quanto a Duchovny e Anderson, nem mesmo a tensão sexual entre seus
personagens, que por muito tempo ajudou a impulsionar a série, existe
aqui. Nada é declarado, mas fica bem claro pelas cenas de intimidade que
Mulder e Scully já há anos vivem maritalmente. Momentos que há
alguns anos fariam os fãs vibrarem, como o casal se beijando ou abraçado
na cama, agora apenas provocam bocejos. O filme somente lembra um pouco
os bons tempos da série quando surge em cena o sempre bem-vindo Mitch
Pileggi como Walter Skinner, ex-chefe do casal de agentes. Porém isso
acontece quase no final, tarde demais para salvar o filme de ser uma
experiência frustrante – que também inclui uma enigmática tentativa de
fazer humor com o presidente Bush e uma trilha sonora de Mark Snow que
simplesmente perdeu as características únicas que possuía na série.
Dificilmente alguém teve paciência de ficar no cinema até ao final dos
créditos, mas em DVD é mais fácil de se conferir a bizarrice final do
filme – uma cena onde Mulder e Scully, em trajes de banho e a bordo de
um bote a remo, trocaram o ambiente gélido do filme pelo sol e pelo mar
e, aparentemente, estão indo rumo à tão almejada felicidade – com
direito a acenos de despedida para a câmera. Infelizmente, pelo que se
viu no filme, ambos e a própria franquia ARQUIVO X embarcaram isso sim
num final melancólico e totalmente dispensável, que nos privará de
assistirmos à invasão alienígena prevista na série para 2012.
DVD
Enquanto nos EUA ARQUIVO X – EU QUERO ACREDITAR recebeu uma edição em
DVD com dois discos, aqui a Fox optou por lançar apenas uma edição
simples, embalada na famigerada Amaray Slim. Além disso, o DVD da
Região 2 inclui duas versões do filme – a exibida nos cinemas e uma
versão do diretor contendo algumas cenas adicionais e fotos de
bastidores que surgem nos créditos finais. No Brasil recebemos apenas
esta versão do diretor, com o vídeo preservando o aspecto original do
cinema de 2.35:1 em uma transferência de qualidade muito boa. No
entanto, em um filme que se passa a maior parte do tempo em meio ao frio
e à neve, achei que várias cenas com tonalidades “quentes” ou amareladas
simplesmente ficaram deslocadas. Também notei alguns ruídos e artefatos,
que talvez me passassem despercebidos antes de ter conhecido o Blu-ray.
No entanto, atualmente é difícil para mim assistir a qualquer coisa em
DVD e não encontrar deficiências inerentes à definição standard.
O
DVD traz faixas de áudio em inglês, português e espanhol, todas em Dolby
Digital 5.1. Em todas se destaca o eficiente sound design, que
compensa a escassez de cenas de ação com uma ambientação que coloca você
no meio da movimentação de um hospital ou de dezenas de agentes do FBI.
A trilha musical soa intensa e com ótima fidelidade, e quando necessário
o subwoofer se faz presente de forma eficaz. Menus (animados) e
legendas estão disponíveis em português, inglês e espanhol.
EXTRAS
A edição nacional em DVD de ARQUIVO X – EU QUERO ACREDITAR, certamente
como reflexo da péssima bilheteria do filme no Brasil, perdeu o segundo
disco que traz um documentário em longa metragem que seria de especial
interesse para os fãs da franquia. Ainda por cima, a Fox eliminou alguns
dos extras presentes no disco do filme, como trailers e galerias de
fotos. Então, vamos ao que sobrou – os vídeos estão em formato
widescreen anamórfico, com áudio em inglês 2.0 e legendas em
português:
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Comentários em Áudio
– Esta faixa de comentários traz Chris Carter e Frank Spotnitz
discutindo todos os aspectos do filme. Pena que a Fox não
disponibilizou legendas em português para ela. E principalmente, é
uma pena que o filme dificilmente motivará alguém a ouvir os
comentários da dupla;
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Cenas Excluídas
– Temos três cenas que ficaram de fora tanto da versão de cinema
como da versão do diretor, cada uma delas com a duração de
aproximadamente dois minutos e com o mesmo aspecto 2.35:1 do filme;
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Chris Carter: Depoimentos
– Por aproximadamente seis minutos, Carter fala sobre meio ambiente
e elogia a Fox pela política de reciclagem aplicada à produção do
filme. Preciso falar algo mais?
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Partes do Corpo: Efeitos Especiais de Maquiagem – Com oito minutos, este
é um interessante featurette que agradará aos espectadores
mais mórbidos, já que o técnico em efeitos de maquiagem Bill Terezakis mostra as detalhadas réplicas de cadáveres mutilados e
partes de corpos utilizados no filme;
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Erros de Gravação
– Provavelmente melhores que o filme em si, temos 10 divertidos
minutos de erros de filmagem;
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"Dying
2 Live" com Xzibit
– Slideshow de fotos de produção, com quatro minutos de
duração, acompanhados pela música do rapper Xzibit. Sugiro
que seja assistido com o volume no zero.
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