ARQUIVO X – EU QUERO ACREDITAR
Direção: Chris Carter
Elenco:
David Duchovny, Gillian Anderson, Amanda Peet, Billy Connolly, Xzibit, Mitch Pileggi, Callum Keith Rennie
Distribuidora: Fox
Duração: 104 min.

Região: 4

Lançamento: 04/03/2009

Nº de discos: 1
Cotações:
Filme
DVD

Comentários de
Jorge Saldanha

SINOPSE
Fox Mulder (David Duchovny) e Dana Scully (Gillian Anderson) voltam a se unir para investigar o caso da agente do FBI Monica Bannan que, num piscar de olhos, em meio a um frio cortante e uma calma ilusória, é misteriosamente sequestrada. Obviamente este não é um sequestro comum, já que desafia os limites da ciência, do sobrenatural e dos aterrorizantes vácuos entre um e outro, revelando ser um caso digno dos tempos em que ambos atuavam no Arquivo X. No entanto, a busca pela mulher desaparecida também causará conflitos entre os parceiros.

COMENTÁRIOS
Na cultuada série de TV ARQUIVO X, que durou nove temporadas, seu criador e também roteirista e diretor eventual Chris Carter soube mesclar com perfeição, pelo menos durante os cinco primeiros anos, elementos de ficção científica, sobrenatural e suspense, todos embalados em teorias conspiratórias governamentais de grande apelo junto ao público. Dez anos antes deste segundo filme, a série chegara aos cinemas com ARQUIVO X: O FILME, focado no arco principal da série (a conspiração envolvendo os preparativos de uma invasão alienígena da Terra) e que foi uma ponte entre a quinta e a sexta temporadas. O longa fez um sucesso apenas mediano, e uma das razões para isso é que parte do público que não acompanhava a série na TV simplesmente não entendeu direito sua trama.

Por muitos anos se falou num segundo filme, porém um litígio judicial entre Chris Carter e a Fox adiou o projeto, que finalmente chegou às telas em 2008. Como seria de se prever, o novo filme trouxe uma história totalmente autônoma para atrair espectadores casuais, que faz apenas referências breves e secundárias a elementos da série de TV. No entanto, é incompreensível que um projeto há tantos anos acalentado pelos fãs e pelos próprios realizadores, sendo que muitos já haviam perdido a esperança de que um dia ele se tornasse realidade, tenha se revelado um filme fraco, onde pouca coisa funciona. Para começar, o enredo de Chris Carter e de outro veterano da série, Frank Spotnitz, ao mostrar Scully legalmente trabalhando como médica, esquece que, ao final da série, não apenas Mulder mas também ela fugira do FBI. Além disso, o script é uma salada de frutas que se baseia em duas tramas que nunca se combinam – a obsessão de Scully em curar um garoto com o uso de células tronco (uma tentativa de Scully se redimir pela perda do bebê William) e a obstinação de Mulder em ajudar o FBI a localizar a agente desaparecida (a tentativa de Mulder se redimir pela abdução e morte de sua irmã), num caso que envolve um padre pedófilo (
Billy Connolly), um casal de homossexuais e as experiências de um cientista maluco russo com transplantes de membros e cabeças!

Alguns dos melhores episódios da série tinham elementos bizarros, porém tão bem executados que se tornaram clássicos. Aqui, no entanto, foi tudo mal costurado e realizado, a ponto de termos apenas um tedioso episódio de quase duas horas de duração que poderia muito bem caber nos 45 minutos padrão do programa. A escalação do elenco também não ajudou. Não vou nem perder tempo falando do péssimo rapper Xzibit, mas Amanda Peet, como a agente que busca auxílio de Mulder (que, de procurado pelo FBI rapidamente é perdoado e aceita trabalhar no caso, sem maiores explicações fora o já batido mote “Eu Quero Acreditar” do personagem), está totalmente deslocada no filme. Idem o via de regra ótimo Billy Connolly, com um visual desgrenhado que em nada ajuda a seu personagem. Quanto a Duchovny e Anderson, nem mesmo a tensão sexual entre seus personagens, que por muito tempo ajudou a impulsionar a série, existe aqui. Nada é declarado, mas fica bem claro pelas cenas de intimidade que Mulder e Scully já há anos vivem maritalmente. Momentos que há alguns anos fariam os fãs vibrarem, como o casal se beijando ou abraçado na cama, agora apenas provocam bocejos. O filme somente lembra um pouco os bons tempos da série quando surge em cena o sempre bem-vindo Mitch Pileggi como Walter Skinner, ex-chefe do casal de agentes. Porém isso acontece quase no final, tarde demais para salvar o filme de ser uma experiência frustrante – que também inclui uma enigmática tentativa de fazer humor com o presidente Bush e uma trilha sonora de Mark Snow que simplesmente perdeu as características únicas que possuía na série.

Dificilmente alguém teve paciência de ficar no cinema até ao final dos créditos, mas em DVD é mais fácil de se conferir a bizarrice final do filme – uma cena onde Mulder e Scully, em trajes de banho e a bordo de um bote a remo, trocaram o ambiente gélido do filme pelo sol e pelo mar e, aparentemente, estão indo rumo à tão almejada felicidade – com direito a acenos de despedida para a câmera. Infelizmente, pelo que se viu no filme, ambos e a própria franquia ARQUIVO X embarcaram isso sim num final melancólico e totalmente dispensável, que nos privará de assistirmos à invasão alienígena prevista na série para 2012.

DVD
Enquanto nos EUA ARQUIVO X – EU QUERO ACREDITAR recebeu uma edição em DVD com dois discos, aqui a Fox optou por lançar apenas uma edição simples, embalada na famigerada Amaray Slim. Além disso, o DVD da Região 2 inclui duas versões do filme – a exibida nos cinemas e uma versão do diretor contendo algumas cenas adicionais e fotos de bastidores que surgem nos créditos finais. No Brasil recebemos apenas esta versão do diretor, com o vídeo preservando o aspecto original do cinema de 2.35:1 em uma transferência de qualidade muito boa. No entanto, em um filme que se passa a maior parte do tempo em meio ao frio e à neve, achei que várias cenas com tonalidades “quentes” ou amareladas simplesmente ficaram deslocadas. Também notei alguns ruídos e artefatos, que talvez me passassem despercebidos antes de ter conhecido o Blu-ray. No entanto, atualmente é difícil para mim assistir a qualquer coisa em DVD e não encontrar deficiências inerentes à definição standard.

O DVD traz faixas de áudio em inglês, português e espanhol, todas em Dolby Digital 5.1. Em todas se destaca o eficiente sound design, que compensa a escassez de cenas de ação com uma ambientação que coloca você no meio da movimentação de um hospital ou de dezenas de agentes do FBI. A trilha musical soa intensa e com ótima fidelidade, e quando necessário o subwoofer se faz presente de forma eficaz. Menus (animados) e legendas estão disponíveis em português, inglês e espanhol.

EXTRAS
A edição nacional em DVD de ARQUIVO X – EU QUERO ACREDITAR, certamente como reflexo da péssima bilheteria do filme no Brasil, perdeu o segundo disco que traz um documentário em longa metragem que seria de especial interesse para os fãs da franquia. Ainda por cima, a Fox eliminou alguns dos extras presentes no disco do filme, como trailers e galerias de fotos. Então, vamos ao que sobrou – os vídeos estão em formato widescreen anamórfico, com áudio em inglês 2.0 e legendas em português:

  • Comentários em Áudio – Esta faixa de comentários traz Chris Carter e Frank Spotnitz discutindo todos os aspectos do filme. Pena que a Fox não disponibilizou legendas em português para ela. E principalmente, é uma pena que o filme dificilmente motivará alguém a ouvir os comentários da dupla;

  • Cenas Excluídas – Temos três cenas que ficaram de fora tanto da versão de cinema como da versão do diretor, cada uma delas com a duração de aproximadamente dois minutos e com o mesmo aspecto 2.35:1 do filme;

  • Chris Carter: Depoimentos – Por aproximadamente seis minutos, Carter fala sobre meio ambiente e elogia a Fox pela política de reciclagem aplicada à produção do filme. Preciso falar algo mais?

  • Partes do Corpo: Efeitos Especiais de Maquiagem – Com oito minutos, este é um interessante featurette que agradará aos espectadores mais mórbidos, já que o técnico em efeitos de maquiagem Bill Terezakis mostra as detalhadas réplicas de cadáveres mutilados e partes de corpos utilizados no filme;

  • Erros de Gravação – Provavelmente melhores que o filme em si, temos 10 divertidos minutos de erros de filmagem;

  • "Dying 2 Live" com XzibitSlideshow de fotos de produção, com quatro minutos de duração, acompanhados pela música do rapper Xzibit. Sugiro que seja assistido com o volume no zero.

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