A.I. – INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
Direção: Steven Spielberg
Elenco:
Haley Joel Osment, Jude Law
Distribuidora: Warner
Duração: 109 min.
 

Região: 4

Lançamento:
2002
Nº de discos: 2
Cotações:
Filme:
DVD:

Comentários de
Jorge Saldanha

Quando faleceu em 1999, o lendário cineasta Stanley Kubrick deixou pendente o projeto de A.I. – Inteligência Artificial, uma espécie de versão sci-fi de Pinóquio em desenvolvimento já há 15 anos. Baseado no conto de Brian Aldiss "Supertoys Last All Summer Long", a história envolve um menino robô tentando ser um garoto real. Como se vê, um tema – a máquina em busca de humanização – já largamente explorado no gênero, em obras que vão desde os livros de Isaac Asimov, adaptações cinematográficas como O Homem Bicentenário (Asimov) e Blade Runner (Phillip K. Dick), a Jornada nas Estrelas (o andróide Data). Dizem que, para complicar ainda mais, Kubrick, ao invés de um ator mirim, queria utilizar um boneco animatrônico ou uma versão em CGI, o que, entre outras coisas, teria levado o cineasta a entrar em contato com o supervisor de efeitos Dennis Muren, da ILM de George Lucas, e com seu colega Steven Spielberg. O fato é que, com a morte de Kubrick, Spielberg assumiu o projeto, concluído como uma espécie de homenagem póstuma a Kubrick, que nos legou obras-primas do gênero como 2001 – Uma Odisséia no Espaço e Laranja Mecânica.

O filme resultante marca o retorno de Spielberg à ficção científica, mas também é um híbrido com momentos nos quais a intenção do diretor de E.T. em materializar o encantamento e a fantasia, emocionando o espectador, se choca com o estilo mais frio de Kubrick e sua visão pessimista sobre o futuro e a própria humanidade. Haley Joel Osment é David, um menino artificial ("Meca") programado para amar, que é adotado por casal cujo filho sofre de uma grave doença e está em criogenia. O pequeno robô esforça-se por conquistar seu direito a um lar e o amor da mãe (Frances O´Connor), mas tudo começa a dar errado quando o filho verdadeiro recupera-se e volta para casa. Os conflitos entre o "Meca" David e seu irmão "Orga" levam o casal a descartar-se do pequeno robô. Abandonado na floresta, David, com seu ursinho falante Teddy (um superbrinquedo remanescente da história original), inicia sua jornada em busca da Fada Azul do conto de Pinóquio, já que ele acredita que ela possa transformá-lo em um menino de verdade (único modo de conquistar o amor da mãe). Ele conhece o gigolô "Meca" interpretado por Jude Law, que irá ajudá-lo. Após escaparem de uma arena onde "Mecas" sem licença são destruídos, a busca os leva a uma Manhattan inundada pelo derretimento das calotas polares, onde David conhece o cientista que o criou (William Hurt). É lá que, sob o mar, David encontra a Fada Azul, em um epílogo que seria mais condizente ao estilo de Kubrick.

Spielberg, porém, resolve ir adiante e cria um novo final que se passa mais 2000 anos no futuro, que envolve  extraterrestres (ou "Mecas" super-evoluídos, isto não fica claro no filme), e um breve reencontro de David e sua mãe. Nele Spielberg busca mexer diretamente com as emoções do espectador, e sem dúvida é a maior fonte das críticas que o filme recebeu. A verdade é que A.I. funciona melhor para aqueles que o considerarem um genuíno filme de Spielberg, e esquecerem por completo o que o filme teria sido caso comandado por Kubrick. É uma obra tecnicamente requintada que possui um dos melhores scores que John Williams produziu recentemente, e a interpretação dos atores, principalmente de Law como o robô sedutor, é muito boa. A.I. é aquele tipo de filme que está nas listas de melhores e piores filmes do ano simultaneamente, e cujo real valor somente poderá ser melhor avaliado daqui a alguns anos. Mas desde já recebe da Warner um DVD de luxo, uma edição dupla com vários extras, muitos criados exclusivamente para o DVD. Dentre eles, destacam-se um documentário explicando como A.I. chegou às telas, entrevistas com Steven Spielberg, Haley Joel Osment e Jude Law, making ofs sobre desenho de produção, iluminação e figurino, documentário sobre a criação dos robôs, incluindo uma visita ao estúdio de Stan Winston, entrevista com o pessoal da ILM sobre a criação dos efeitos visuais, visita ao Skywalker Sound e - imperdível - entrevista com John Williams sobre a criação da trilha sonora. Mas atenção, assista aos extras somente após ter visto o filme.

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