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SINOPSE
2019 –
30 anos após a 3ª Guerra Mundial. Na cidade de Neo-Tóquio, durante uma
disputa entre duas gangues de motoqueiros, Tetsuo atropela uma criança
prematuramente envelhecida, que escapara de um programa governamental de investigação
psíquica. Os dois são levados pelos membros desse programa, que realizam
as mais diversas experiências em Tetsuo, despertando nele poderes até
então latentes. Querendo descobrir a verdadeira natureza de seus
poderes, Tetsuo foge e resolve procurar a primeira cobaia do experimento
– Akira.
COMENTÁRIOS
Meus contatos com os
animes começaram há muito tempo, ainda nos anos 1960, através de séries
como Astro Boy e Speed Racer. Não posso dizer que sou ou
tenha sido um grande fã do gênero porque, na época, via praticamente tudo que
passava na TV, seja em desenho ou live action. Depois de adulto
só muito tempo depois, com a chegada do home video, é que retomei
algum contato com o gênero, especialmente alguns longas-metragens
relevantes, como Ghost in the Shell e este Akira –
considerado com justiça um dos maiores trabalhos da era pré-digital do
anime, se não a maior. Tanto que a obra de Katsuhiro Otomo influenciou
enormemente a forma como as histórias passaram a ser desenvolvidas,
tanto visual como narrativamente.
Como não raro acontece no mundo anime, Akira foi baseado em um
mangá (graphic novel), no caso também criado por Otomo, que explorava a obsessão do
Homem em criar armas com a capacidade de destruir a própria Terra. A HQ foi publicada inicialmente em tiras em 1982, em breve conquistando
um leal séqüito de admiradores japoneses. Katsuhiro Otomo continuou a
trabalhar como desenhista, e adicionalmente aventurou-se na animação,
realizando uma série de curtas e comerciais ao longo da década. Mas
nunca se afastou de sua obra preferida, e em 1987 teve a oportunidade de
produzir uma versão para o cinema de sua história. Apesar de, na
época, os computadores já estarem começando a ser utilizados em desenhos
animados, nas mais de duas horas de Akira Otomo procurou
manter-se fiel às técnicas mais tradicionais: cada quadro de imagem foi
desenhado e pintado em células por uma equipe de animadores, e depois
fotografados em seqüência para criar o filme final. A computação é
utilizada apenas em uma ou duas seqüências.
O
longa foi lançado no Japão em 1988, com grande sucesso – em que pese os
admiradores do mangá acharem que a história deveria ter sido adaptada em
mais de um filme. No ano seguinte Akira teve lançamento
internacional, e com sua detalhada e colorida animação, trilha sonora
dramática, personagens memoráveis e uma trama intensamente existencial,
mostrou ao mundo que o trabalho único dos artistas da animação japonesa
poderia extrapolar as limitações da tela da TV, e agradar inclusive ao
público adulto. E seu impacto no gênero foi considerável: elementos de
Akira podem ser percebidos em praticamente todos os animes e
games sci
fi produzidos no Japão a partir de seu lançamento.
DVD
A
distribuidora Focus deve ser parabenizada por disponibilizar, em nosso
mercado, uma edição desta obra essencial do anime similar à lançada no
exterior. Para os fãs, há uma lata exclusiva, contendo dois DVDs com
versões remasterizadas fullscreen (113 min.) e widescreen
(esta, 11 min. mais longa) de Akira, e vários extras. Além dos
discos a lata contém uma camiseta, cards e pôster de
colecionador. Esta resenha se refere ao disco da versão widescreen
que recebemos para avaliação, que também é vendido em separado.
A
transferência com vídeo widescreen anamórfico 1.85:1 é resultado
de um cuidadoso processo de remasterização e restauração que, quadro a
quadro, eliminou imperfeições e sujeiras da master. Aparentemente
recebemos aqui uma cópia digital de segunda geração, uma vez que a
impressão que temos ao assistir este DVD é de que houve alguma perda de
resolução. As cores são vivas e os pretos sólidos, mas eventualmente
nota-se o uso de filtro para aumentar a nitidez da imagem, o que realça
alguns problemas de compressão. O áudio em inglês Dolby Digital 5.1
destaca os efeitos sonoros e a interessante trilha musical de Shoji
Yamashiro. A mixagem traz graves consistentes, e os canais surround
são muito utilizados. O áudio original em japonês Dolby Digital 2.0 é
bom, mas obviamente não tão potente. Como eu gosto de assistir aos
filmes em seu idioma original, seja ele qual for, é uma pena que a faixa
em japonês também não seja multicanal. De qualquer forma, a dublagem em
inglês está muito bem interpretada, algo raro em animes. Adicionalmente
há a opção de áudio português 2.0, que sugiro seja esquecida a menos que
você goste das atuais dublagens nacionais – o que não é o meu caso.
Detalhe: a seleção do idioma ou legendas (em português ou inglês) é
exclusivamente via menu, não é possível fazê-la pelo controle remoto. E
a cada alteração, sempre que entrar em "Filme" no menu do DVD, você é
obrigado a assistir uma seqüência de quatro (!) comerciais
anti-pirataria da UBV. Só é possível ter acesso direto à animação por
intermédio da "Seleção de Cenas".
EXTRAS
Este DVD da versão widescreen de Akira traz extras bem
interessantes, mas infelizmente nenhum featurette ou entrevista –
reservados para o disco da versão fullscreen exclusiva da lata.
Eis o que temos aqui, além de trailers de outros lançamentos da
distribuidora:
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Trailers
(4:53) –
São dois teasers, dois trailers de cinema e um comercial de
TV de Akira, com legendas em português;
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Fotos
de Produção
–
Impressionante coleção de mais de 4.500 imagens de produção (storyboards)
e divulgação, divididas em várias seções, acompanhadas de textos em
português;
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Glossário
– Com
mais de 100 imagens e texto em português, é possível navegar pelo
glossário de A a Z pelas setas no menu ou pelas letras do alfabeto,
também mostradas no menu.
Se você
realmente é fã provavelmente investirá na lata de Akira, que no
disco com a versão fullscreen inclui, entre outros ótimos extras,
making of da produção, entrevistas com o diretor e restauradores
de vídeo e um especial sobre as músicas da trilha sonora – tudo com
legendas em português.
MENUS
Os menus em português são animados, tendo ao fundo cenas do
anime e trechos de sua trilha musical.
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