UM LOBISOMEM AMERICANO EM LONDRES - EDIÇÃO ESPECIAL
Direção: John landis
Elenco:
David Naughton, Jenny Agutter, Griffin Dunne, Frank Oz
Distribuidora: Universal
Região: 4
Lançamento: 2002

Nº de discos: 1
Cotações:
Filme:
DVD:

Comentários de
Jorge Saldanha

Pode se dizer que esta realização do diretor John Landis, então recentemente saído do sucesso da comédia musical Os Irmãos Cara de Pau, é a precursora do moderno "terrir", uma mistura de filme de horror e comédia que, nos anos 80, deu origem a "clássicos" como A Hora do Espanto e A Volta dos Mortos-Vivos. Porém, acima de uma comédia (o tom é predominantemente sério, sendo o humor mais irônico), Landis pretendeu atualizar os filmes de lobisomem, aquela criatura meio homem, meio lobo que fez muito sucesso nos filmes da Universal dos anos 40. Apesar da ironia e da modernização da linguagem cinematográfica, o diretor sabiamente preservou a maior característica do monstro: a de ser uma vítima, uma criatura patética incapaz de lutar contra a maldição que a atingiu e que, ao final, nos passa sentimentos de pena e compaixão ao invés de medo ou repulsa. Dois "mochileiros" norte-americanos, em uma noite de lua cheia, perambulam por uma desolada charneca inglesa após serem expulsos de um pub sugestivamente chamado de "O Cordeiro Estraçalhado". Perdidos, são repentinamente atacados por uma selvagem criatura. David (David Naughton) é ferido mas sobrevive, enquanto seu companheiro Jack (Griffin Dunne) morre com o pescoço estraçalhado. Três semanas depois David acorda em um hospital de Londres onde conhece a sensual enfermeira Alex (Jenny Agutter), com quem envolve-se romanticamente. Porém, não demora muito para o inferno de David se iniciar. Ele começa a ter visões de Jack, agora um morto-vivo em decomposição, que vem avisá-lo de que ele é um lobisomem e que precisa suicidar-se para evitar que mate pessoas inocentes. Obviamente David acha que está louco e não dá ouvidos ao seu defunto amigo. Até que, certa noite, em uma das mais impressionantes seqüências de transformação já vistas na tela (pelo menos até o advento dos efeitos de computação gráfica), o rapaz transforma-se em uma besta quadrúpede que sai pelas ruas de Londres à noite, em busca de vítimas.

Um Lobisomem Americano em Londres é, acima de tudo, uma grande homenagem a um gênero que, um ano antes, fora revivido no Grito de Horror de Joe Dante. Nos diálogos encontramos diversas referências aos clássicos, como a citação de David a Bela Lugosi e a Lon Chaney, Jr., a chegada ao pub que lembra A Estalagem Maldita, a perseguição no metrô que evoca a Sangue de Pantera, etc. Os momentos antológicos de horror/humor incluem o ataque do lobisomem dentro de um cinema (que exibe um hilário filme pornô fake) e a destruição em Piccadilly Circus. O hoje consagrado Rick Baker (MIB II), autor da elaborada transformação e da caracterização cada vez mais deteriorada do zumbi Jack, ganhou o primeiro Oscar da categoria de Melhor Maquiagem. Outro destaque é a trilha sonora, que utiliza de forma inteligente a clássica canção "Blue Moon" em diferentes versões, e um escasso, porém excelente score de autoria do magistral Elmer Bernstein. Para esta edição de 20º aniversário, o filme teve vídeo (widescreen anamórfico) e áudio (Dolby 5.1) remasterizados, e o DVD possui quase uma hora de extras, que incluem comentários de áudio dos atores, cenas cortadas, entrevista com John Landis, entrevista com Rick Baker, Foco nos Efeitos Técnicos, comparação entre storyboards e o filme, galeria de fotos.

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