BLADE II - O CAÇADOR DE VAMPIROS
Direção: Guillermo Del Toro
Elenco:
Wesley Snipes, Kris Kristofferson, Ron Perlman, Leonor Varela, Norman Reedus
Distribuidora: PlayArte

Região: 4

Lançamento: 2003

Nº de discos: 2
Cotações:
Filme:
DVD:

Comentários de
Jorge Saldanha

Em 1998, Blade, O Caçador de Vampiros foi saudado como uma das poucas adaptações de quadrinhos para o cinema que funcionou. Ali fomos apresentados ao caçador de vampiros Blade (Wesley Snipes, que desde Passageiro 57, de 1993, descobriu sua vocação para ser um herói de ação bem remunerado), ele mesmo um meio-vampiro, que juntamente com seu mentor Whistler (Kris Kristopherson) dedica sua vida para combater os sugadores de sangue, principalmente aquele que o transformou no que ele é ao atacar sua mãe, pouco antes do parto. Recheado de efeitos especiais, cenas de ação bem coreografadas e beneficiado pela excelente forma física de Snipes (que é de fato praticante de artes marciais), o filme foi um grande sucesso de bilheteria. Assim, seria inevitável uma continuação, que finalmente chegou em 2002. Desta vez com direção do mexicano Guillermo Del Toro (responsável pelos atemorizantes Kronos, Mutação e A Espinha do Diabo), que é fã assumido de HQs e animês, Blade 2 - O Caçador de Vampiros mostra a inesperada aliança do herói com o vampiro Damaskinos, líder do Conselho das Sombras, a fim de derrotar uma nova espécie de vampiros, surgidos através de mutação. Conhecidos como Reapers e liderados pelo feroz Nomak, eles têm uma sede insaciável de sangue e, para alimentar-se, não caçam apenas humanos, mas também membros de sua própria comunidade. Para livrar-se dessa ameaça, que poderá eliminar ambas as raças em pouco tempo, Damaskinos coloca Blade no comando de um grupo de combatentes conhecido como "Blood Pack", sendo que um de seus integrantes é a própria filha do vampiro, a bela Nyssa.

Del Toro não teve medo de fazer um filme que em vários momentos quase beira o trash, com muitas cenas violentas e gráficas materializadas na tela em um ótimo trabalho de maquiagem, animatrônicos e efeitos em CGI, estes cortesia da ILM de George Lucas. Definitivamente não é um filme para todos os gostos, e quem espera um filme de super-herói à la Homem-Aranha, poderá se surpreender com a violência. Se o DVD do Blade original, lançado aqui pela Warner, já era bem suprido de extras, este também impressiona. Há tempos que a PlayArte (que, à exceção da trilogia O Senhor dos Anéis, vem distribuindo no Brasil os títulos do estúdio New Line) devia o lançamento de DVDs à altura dos similares lançados nos EUA pela New Line em sua Platinum Series. Este DVD duplo, seja tanto no aspecto técnico quanto em seu material adicional, está quase à altura da versão Região 1. Vejamos:

Disco 1: O Filme 
Apresenta a versão original exibida nos cinemas (117 min.), em widescreen anamórfico 1.85:1, otimizado para monitores 16x9, com duas faixas de comentários em áudio, uma com o diretor Guillermo del Toro e o produtor Peter Frankfurt, outra com o roteirista David Goyer e o astro Wesley Snipes (vale a pena serem conferidas, Del Toro e Snipes são caras bem divertidos). Há duas faixas de áudio em inglês, Dolby Digital 5.1 EX, DTS 6.1 ES, e uma em português, esta em Dolby 2.0 Surround. Através do controle remoto, é possível selecionar uma faixa de áudio Dolby Digital 5.1 que apresenta somente o score musical de Marco Beltrami isolado. Mas atenção, esta opção não está disponível para seleção nos menus (animados) do DVD. O filme apresenta uma qualidade de imagem muito boa, com ótimo contraste e uma gama de cores à altura da versão exibida nos cinemas (a maioria das cenas foi filmada em tom amarelado, para contrastar com o azulado utilizado no primeiro filme). De acordo com a iluminação e a saturação de cores em alguns momentos, percebe-se um pouco de granulação, mas perfeitamente aceitável já que ainda foi utilizado o velho e bom filme... Agora, o áudio é indubitavelmente excelente, e valoriza sobremaneira o filme. Ao contrário de muitos outros títulos que disponibilizam áudio em Dolby Digital e DTS, aqui é praticamente impossível notar diferenças de qualidade entre um e outro. Os graves são explosivos e a separação de canais é acentuada mas naturalmente distribuída, o que cria uma ambiência excepcional. Infelizmente, ocorreu uma falha grave com a faixa de áudio DTS na primeira tiragem deste título: ela simplesmente estava fora de sincronia com a imagem. Segundo a PlayArte, o problema foi posteriormente corrigido, mas silenciou quanto a substituir os DVDs que apresentaram este defeito. Aqueles que não dispensam a dublagem em português infelizmente terão que se contentar com uma muito inferior faixa em Dolby Surround 2.0 - mas ainda assim, de boa qualidade. Este disco 1 é praticamente o mesmo que a distribuidora lançou no final de 2002 exclusivamente para locação. Outro ponto negativo, nele há alguns trailers de outros lançamentos da PlayArte com péssima resolução e alto grau de pixelização (parecem ter sido transferidos para o DVD a partir de uma fita VHS gasta), destoando por completo do restante do material, de elevada qualidade.

Disco 2: Extras da Edição Especial 
Neste segundo disco há uma avalanche de extras (todos legendados em português) que satisfará o mais fanático fã de Blade e aqueles que, de um  modo geral, gostam de chafurdar nos mais diversos aspectos da produção de um filme. A Oficina de Produção apresenta 5 seções, sendo que a principal é "O Pacto de Sangue", um documentário  dividido em capítulos que dura respeitáveis 83 minutos, com mais 15 minutos de material adicional. O capítulo final é dedicado à trilha sonora de Beltrami, onde podemos assistir a discussões do compositor e o diretor sobre a concepção musical e acompanhar sessões de gravação. Na "Análise de Seqüências", 6 cenas do filme são apresentadas de um modo que permite explorar praticamente todo o processo de produção. Podemos ler páginas importantes do script original e compará-las com a cena filmada. Depois podemos ver storyboards e a adição de efeitos, gravações em vídeo feitas durante a filmagem e, finalmente, a versão definitiva da cena como ficou no filme. Em "Efeitos Visuais" temos featurettes sobre o trabalho da ILM, principalmente na substituição dos atores nas cenas de luta por "dublês CGI" e na criação da fantástica mandíbula dos Reapers. Também temos 53 minutos de "Relatórios de Progresso", vídeos feitos originalmente pelo técnico em maquiagem especial Steve Johnson nos EUA,  para serem enviados para o diretor que estava em Praga, onde foram feitas as filmagens. Saindo da seção de efeitos temos "Agenda", que inclui alguns conceitos iniciais do diretor (com uma introdução em vídeo), anotações do supervisor do script e páginas do roteiro para 3 cenas que nunca foram filmadas. Ao final desta seção, temos uma grande "Galeria de Arte" que inclui fotos de desenhos de produção, separadas em 6 assuntos. A segunda grande seção deste disco é a de Cenas Deletadas e Alternativas - nada menos que 16 delas, todas em widescreen anamórfico e Dolby Digital 5.1, que somam 24 minutos de duração. As cenas podem ser assistidas juntas ou individualmente. Adicionalmente, podemos escolher entre ouvir os diálogos originais ou os comentários do diretor e do produtor. Del Toro, principalmente, não hesita em "detonar" de modo divertido grande parte do material descartado, inclusive utilizando linguagem chula. A seção final do disco é Material Promocional, e inclui o "Guia de Sobrevivência do Game Blade II", "Kit Promocional", basicamente notas de produção e biografias do elenco e equipe, trailer de cinema e trailer teaser (ambos em 16x9 e DD 5.1), e o clipe "Child of the Wild West" de Cypress Hill e Roni Size (áudio 2.0).

Blade II, apesar de algumas falhas (o áudio DTS sem sincronia e os trailers com péssima imagem), é dos DVD mais caprichados já lançados pela PlayArte, estando à altura das edições especiais que tem chegado ao nosso mercado através das majors. Só espero que o título venda bem e que isso estimule a distribuidora a aprimorar seu controle de qualidade, continuando a investir na melhoria de seus lançamentos. Ela e principalmente nós, consumidores, somente teremos a ganhar.

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