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Em 1998, Blade, O Caçador de Vampiros
foi saudado como uma das poucas adaptações de quadrinhos para o cinema
que funcionou. Ali fomos apresentados ao caçador de vampiros Blade (Wesley
Snipes, que desde Passageiro 57, de 1993, descobriu sua vocação
para ser um herói de ação bem remunerado), ele mesmo um meio-vampiro,
que juntamente com seu mentor Whistler (Kris Kristopherson) dedica sua
vida para combater os sugadores de sangue, principalmente aquele que o
transformou no que ele é ao atacar sua mãe, pouco antes do parto.
Recheado de efeitos especiais, cenas de ação bem coreografadas e
beneficiado pela excelente forma física de Snipes (que é de fato
praticante de artes marciais), o filme foi um grande sucesso de
bilheteria. Assim, seria inevitável uma continuação, que finalmente
chegou em 2002. Desta vez com direção do mexicano Guillermo Del Toro
(responsável pelos atemorizantes Kronos, Mutação e A
Espinha do Diabo), que é fã assumido de HQs e animês, Blade 2 - O
Caçador de Vampiros mostra a inesperada aliança do herói com o
vampiro Damaskinos, líder do Conselho das Sombras, a fim de derrotar uma
nova espécie de vampiros, surgidos através de mutação. Conhecidos como
Reapers e liderados pelo feroz Nomak, eles têm uma sede
insaciável de sangue e, para alimentar-se, não caçam apenas humanos, mas
também membros de sua própria comunidade. Para livrar-se dessa ameaça,
que poderá eliminar ambas as raças em pouco tempo, Damaskinos coloca
Blade no comando de um grupo de combatentes conhecido como "Blood Pack",
sendo que um de seus integrantes é a própria filha do vampiro, a bela
Nyssa.
Del Toro não teve medo de fazer um filme que em vários momentos quase
beira o trash, com muitas cenas violentas e gráficas
materializadas na tela em um ótimo trabalho de maquiagem, animatrônicos
e efeitos em CGI, estes cortesia da ILM de George Lucas. Definitivamente
não é um filme para todos os gostos, e quem espera um filme de
super-herói à la Homem-Aranha, poderá se surpreender com a
violência. Se o DVD do Blade original, lançado aqui pela Warner,
já era bem suprido de extras, este também impressiona. Há tempos que a
PlayArte (que, à exceção da trilogia O Senhor dos Anéis, vem
distribuindo no Brasil os títulos do estúdio New Line) devia o
lançamento de DVDs à altura dos similares lançados nos EUA pela New Line
em sua Platinum Series. Este DVD duplo, seja tanto no aspecto técnico
quanto em seu material adicional, está quase à altura da versão Região
1. Vejamos:
Disco 1: O Filme
Apresenta a versão original exibida nos cinemas (117 min.), em
widescreen anamórfico 1.85:1, otimizado para monitores 16x9, com
duas faixas de comentários em áudio, uma com o diretor Guillermo del
Toro e o produtor Peter Frankfurt, outra com o roteirista David Goyer e
o astro Wesley Snipes (vale a pena serem conferidas, Del Toro e Snipes
são caras bem divertidos). Há duas faixas de áudio em inglês, Dolby
Digital 5.1 EX, DTS 6.1 ES, e uma em português, esta em Dolby 2.0
Surround. Através do controle remoto, é possível selecionar uma faixa de
áudio Dolby Digital 5.1 que apresenta somente o score musical de
Marco Beltrami isolado. Mas atenção, esta opção não está disponível para
seleção nos menus (animados) do DVD. O filme apresenta uma qualidade de
imagem muito boa, com ótimo contraste e uma gama de cores à altura da
versão exibida nos cinemas (a maioria das cenas foi filmada em tom
amarelado, para contrastar com o azulado utilizado no primeiro filme).
De acordo com a iluminação e a saturação de cores em alguns momentos,
percebe-se um pouco de granulação, mas perfeitamente aceitável já que
ainda foi utilizado o velho e bom filme... Agora, o áudio é
indubitavelmente excelente, e valoriza sobremaneira o filme. Ao
contrário de muitos outros títulos que disponibilizam áudio em Dolby
Digital e DTS, aqui é praticamente impossível notar diferenças de
qualidade entre um e outro. Os graves são explosivos e a separação de
canais é acentuada mas naturalmente distribuída, o que cria uma
ambiência excepcional. Infelizmente, ocorreu uma falha grave com a faixa
de áudio DTS na primeira tiragem deste título: ela simplesmente estava
fora de sincronia com a imagem. Segundo a PlayArte, o problema foi
posteriormente corrigido, mas silenciou quanto a substituir os DVDs que
apresentaram este defeito. Aqueles que não dispensam a dublagem em
português infelizmente terão que se contentar com uma muito inferior
faixa em Dolby Surround 2.0 - mas ainda assim, de boa qualidade. Este
disco 1 é praticamente o mesmo que a distribuidora lançou no final de
2002 exclusivamente para locação. Outro ponto negativo, nele há alguns
trailers de outros lançamentos da PlayArte com péssima resolução e alto
grau de pixelização (parecem ter sido transferidos para o DVD a partir
de uma fita VHS gasta), destoando por completo do restante do material,
de elevada qualidade.
Disco 2: Extras da Edição Especial
Neste segundo disco há uma avalanche de extras (todos legendados em
português) que satisfará o mais fanático fã de Blade e aqueles que, de
um modo geral, gostam de chafurdar nos mais diversos aspectos da
produção de um filme. A Oficina de Produção apresenta 5 seções,
sendo que a principal é "O Pacto de Sangue", um documentário dividido
em capítulos que dura respeitáveis 83 minutos, com mais 15 minutos de
material adicional. O capítulo final é dedicado à trilha sonora de
Beltrami, onde podemos assistir a discussões do compositor e o diretor
sobre a concepção musical e acompanhar sessões de gravação. Na "Análise
de Seqüências", 6 cenas do filme são apresentadas de um modo que permite
explorar praticamente todo o processo de produção. Podemos ler páginas
importantes do script original e compará-las com a cena filmada.
Depois podemos ver storyboards e a adição de efeitos, gravações
em vídeo feitas durante a filmagem e, finalmente, a versão definitiva da
cena como ficou no filme. Em "Efeitos Visuais" temos featurettes
sobre o trabalho da ILM, principalmente na substituição dos atores nas
cenas de luta por "dublês CGI" e na criação da fantástica mandíbula dos
Reapers. Também temos 53 minutos de "Relatórios de Progresso", vídeos
feitos originalmente pelo técnico em maquiagem especial Steve Johnson
nos EUA, para serem enviados para o diretor que estava em Praga, onde
foram feitas as filmagens. Saindo da seção de efeitos temos "Agenda",
que inclui alguns conceitos iniciais do diretor (com uma introdução em
vídeo), anotações do supervisor do script e páginas do roteiro
para 3 cenas que nunca foram filmadas. Ao final desta seção, temos uma
grande "Galeria de Arte" que inclui fotos de desenhos de produção,
separadas em 6 assuntos. A segunda grande seção deste disco é a de
Cenas Deletadas e Alternativas - nada menos que 16 delas, todas em
widescreen anamórfico e Dolby Digital 5.1, que somam 24 minutos
de duração. As cenas podem ser assistidas juntas ou individualmente.
Adicionalmente, podemos escolher entre ouvir os diálogos originais ou os
comentários do diretor e do produtor. Del Toro, principalmente, não
hesita em "detonar" de modo divertido grande parte do material
descartado, inclusive utilizando linguagem chula. A seção final do disco
é Material Promocional, e inclui o "Guia de Sobrevivência do
Game Blade II", "Kit Promocional", basicamente notas de
produção e biografias do elenco e equipe, trailer de cinema e trailer
teaser (ambos em 16x9 e DD 5.1), e o clipe "Child of the Wild
West" de Cypress Hill e Roni Size (áudio 2.0).
Blade II, apesar de algumas falhas (o áudio DTS sem sincronia e
os trailers com péssima imagem), é dos DVD mais caprichados já lançados
pela PlayArte, estando à altura das edições especiais que tem chegado ao
nosso mercado através das majors. Só espero que o título venda
bem e que isso estimule a distribuidora a aprimorar seu controle de
qualidade, continuando a investir na melhoria de seus lançamentos. Ela e
principalmente nós, consumidores, somente teremos a ganhar. |