BLADE: TRINITY
Direção: David S. Goyer
Elenco:
Wesley Snipes, Jessica Biel, Ryan Reynolds, Kris Kristofferson, Dominic Purcell, Parker Posey, Mark Berry, John Michael Higgins, James Remar
Distribuidora: PlayArte
Duração: 123 min.

Região: 4

Lançamento: 12/07/2005

Nº de discos: 2
Cotações:
Filme:
DVD:

Comentários de
Jorge Saldanha

O FILME
Nesta terceira aventura, Blade (Wesley Snipes) passa a ser perseguido pelo FBI por ter matado um colaborador humano dos vampiros. Após ser preso, sua única esperança de fuga é um grupo de caçadores de vampiros, os “Notívagos”, liderado pela filha de seu mentor Whistler (Kris Kristofferson), Abigail (Jessica Biel), e por Hannibal King (Ryan Reynolds). Após resgatar Blade, o grupo defronta-se com o maior vampiro de todos, Drácula/Drake (Dominic Purcell), despertado pela vampira Danica Talos (Parker Posey). O primeiro BLADE iniciou, em 1998, uma série de bem sucedidas adaptações de personagens de gibis da Marvel para o cinema, e teve uma boa continuação em 2002, BLADE II, dirigida por Guillermo Del Toro (HELLBOY, 2004). A trilogia chega à sua conclusão com este BLADE: TRINITY (2004), e tudo indica que esta será a última aventura cinematográfica do personagem que consolidou Wesley Snipes como astro de ação. Na verdade, considerando que Blade sempre foi um personagem de segunda (ou até de terceira) linha na revista The Tomb of Dracula, ele até que ganhou filmes que saíram melhor que a encomenda. Esta terceira aventura (cujo título é uma referência tanto aos três filmes da série como à trinca de personagens principais) foi a estréia na direção do roteirista David S. Goyer, que também escreveu os filmes anteriores e é o responsável pelo roteiro do ótimo BATMAN BEGINS (2005). Goyer decidiu não inventar, com um roteiro apenas funcional e uma direção acadêmica. Como resultado, temos um filme menos violento e sombrio que os anteriores, que agradará principalmente pelos bem dosados efeitos visuais e cenas de luta, ao som de música techno. Além de cenas adicionais (como a do interlúdio romântico [?] de Drake e Danica) e estendidas, a versão deste DVD possui um final um pouco diferente (e para mim, inferior) do visto no cinema. O elenco de apoio é, no mínimo curioso: no papel de Drake temos o protagonista da finada série de TV JOHN DOE, Dominic Purcell; como Danica, a ex-musa do cinema independente norte-americano, Parker Posey - em caracterização desgrenhada; Ryan Reynolds, de O DONO DA FESTA (2002), garante os momentos de humor como Hannibal; e como Abby Whistler, a sarada Jessica Biel (da refilmagem de O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA [2003] e de STEALTH – AMEAÇA INVISÍVEL [2005]), simplesmente rouba a cena. Mesmo estando praticamente no mesmo nível dos filmes anteriores da trilogia, e sendo uma ótima pedida para uma sessão com pipocas, BLADE: TRINITY afundou nas bilheterias norte-americanas, o que parece ter decretado o fim das aventuras cinematográficas do caçador de vampiros (a intenção de Goyer é levar Blade para a TV, onde dificilmente seria interpretado por Snypes) e dos “Notívagos”.

O DVD
Não dá para negar que este DVD duplo, contendo a versão estendida de BLADE: TRINITY (com 10 minutos a mais em relação à versão de cinema) e muitos extras, é dos lançamentos mais caprichados que a PlayArte realizou até agora - ele está a anos-luz do DVD precário que a própria distribuidora há algum tempo lançou apenas para locação. A bela luva de cartolina tem uma foto diferente da que consta na caixa plástica Amaray para dois discos, onde além de Blade vemos Abby e King. A transferência anamórfica 2.35:1 apresenta, na maior parte do tempo, grande nível de detalhe e cores sólidas. Contudo, em uma cena mais escura pude perceber alguns artefatos de compressão, e por vezes a imagem parece desbotada e até um pouco embaçada, com um tom amarelado estranho. Pelo que vemos nos extras foi uma decisão criativa do diretor de fotografia, mas que dá a trechos do filme um visual feio. De qualquer maneira são detalhes que ganham maior relevo apenas em monitores realmente grandes. Já quanto ao áudio, não há reparos a fazer. Além de duas dinâmicas faixas de áudio Dolby Digital 5.1 em português e inglês, o filme conta com uma estupenda trilha DTS 5.1 que adiciona mais graves à mixagem, de resto caracterizada por acentuados efeitos surround. Também está disponível uma dispensável faixa de áudio Dolby Digital 2.0 em inglês, e legendas em português e inglês.

OS EXTRAS
No departamento dos extras, um lançamento muito bem servido de material adicional, todo legendado em português (inclusive os comentários em áudio), que colocará o espectador dentro do processo de produção do filme. Vamos lá:

Disco 1
Comentários em Áudio – Temos duas faixas de comentários, uma com o diretor/roteirista Goyer e os atores Ryan Reynolds e Jessica Biel (para mim a mais interessante, graças às piadas de Reynolds), e outra, mais técnica e informativa, novamente com Goyer, os produtores Peter Frankfurt e Lynn Harris, o diretor de fotografia Gabriel Beristain, o desenhista de produção Chris Gorak e o montador Howard E. Smith.

Disco 2:
Todo os extras do disco 2 são apresentados em formato wide anamórfico e áudio original em inglês (Dolby 2.0 ou 5.1): 

Por Dentro do Mundo de BLADE: TRINITY – O melhor de todos os extras, este é um longo documentário de 107 minutos que fornece muitas informações sobre a produção, cenas de bastidores, entrevistas com elenco, realizadores, equipe de produção, e muito mais. O documentário está dividido em dezesseis featurettes, que também podem ser assistidos isoladamente: “Introdução”, “O Vampiro Urbano” (desenvolvimento da história), “O Líder dos Colaboradores” (Goyer dirige), “Sangue Fresco” (elenco), “Treinamento das Criaturas da Noite” (treinamento do elenco em artes marciais), “Dos Túmulos às Torres” (locações), “Vestidos para Matar” (figurino), “Iluminação UV” (cinematografia), “Por Trás dos Fatos” (curiosidades), “Prata, Espadas e Parélios” (armas), “Criando a Destruição” (dublês), “Espada Contra Celulóide” (montagem), “A Cinza Perfeita” (efeitos), “A Batida de Blade” (trilha sonora), “Os Sons do Massacre” (edição de som), “A Cor do Sangue” (realçando as cores), “Quem Deve Morrer” (o futuro de Blade) e “Créditos Finais”;
Goyer Sobre Goyer: O Roteirista entrevista o Diretor – Segmento de cinco minutos no qual o diretor/roteirista Goyer entrevista a si mesmo. A intenção pelo jeito era fazer algo engraçado;
Final Alternativo – Felizmente este final de 1:23 min, que pretendia dar uma amostra do que seria um filme protagonizado pelos notívagos, não foi incluído nem na versão estendida. Na cena, que parece uma imitação malfeita de BUFFY, Hannibal e Abby caçam um lobisomem num cassino; 
Erros de Gravação – Longos 11 minutos de erros de gravação e outras gracinhas não muito engraçadas, que podem ser ouvidas em Dolby Digital 5.1;
Galerias: Há duas galerias, uma com vídeos (sem áudio) apresentando a progressão de alguns efeitos visuais (transformação de Drake, mandíbulas) e outra com ilustrações e textos sobre as armas que aparecem no filme.

Completando os extras, temos o trailer de BLADE: TRINITY e de outros quatro títulos da PlayArte.

MENUS
Os menus animados são bem dinâmicos, com imagens do filme num ambiente de fundos escuros.

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