A MÁSCARA DO TERROR
Direção: George A. Romero
Elenco:
Jason Flemyng, Peter Stormare, Leslie Hope, Nina Garbiras, Tom Atkins, Jeff Monahan
Distribuidora: Universal / Studio Canal
Duração: 99 min.
 

Região: 4

Lançamento: 04/07/2007

Nº de discos: 1
Cotações:
Filme
DVD

Comentários de
Jorge Saldanha

O FILME
Henry (Jason Flemyng) trabalha para uma famosa revista de moda chamada Bruiser. Tímido e inseguro, ele é um alvo fácil para as pessoas que queiram enganá-lo ou mesmo roubá-lo, como seu melhor amigo, sua esposa, o patrão cruel e até mesmo sua empregada doméstica. Henry se mantém submisso, até que um dia acorda com uma máscara cobrindo seu rosto, a qual não consegue retirar. Agora sem identidade e livre para fazer o que desejar, ele decide se vingar daqueles que o enganaram e humilharam.

O diretor George A. Romero é uma lenda do cinema de horror. Foi o primeiro de uma nova geração de cineastas que, num período que vai do final dos anos 1960 até o final dos 1970, realizaram filmes inovadores do gênero e que hoje se tornaram clássicos – alguns deles já refilmados, outros em vias de sê-lo. Apesar de ser mais lembrado por seus filmes de zumbis, Romero realizou interessantes trabalhos com outras temáticas, e neste A Máscara do Terror (Bruiser, 2000) ele traz um conto de moralidade com ecos de O Fantasma da Ópera e até mesmo V de Vingança. O filme, que possui temática similar à de uma das obras mais apreciadas de Romero, Martin, renderia um ótimo episódio de uma antologia de horror como Contos da Cripta ou Mestres do Terror. Na primeira metade da trama, repleta de alegorias, o personagem de Henry (muito bem encarnado pelo britânico Jason Flemyng) e as situações que posteriormente justificarão seus atos são bem estruturados, passando ao espectador a sensação de que, no momento em que ele assumir o controle da situação, as conseqüências serão explosivas. Seu discreto relacionamento com a ex-esposa de seu patrão (vivida pela atriz Leslie Hope, mais conhecida por ser a esposa de Jack Bauer na primeira temporada de 24 Horas), artista plástica que cria máscaras, é a peça central da história. O destino de ambos colide quando descobrem que seus cônjuges os traem, e a máscara branca e sem feições, que posteriormente será parte indissolúvel do rosto de Henry, é praticamente idêntica às que ela faz. Em sua segunda metade o filme prenuncia um pesadelo kafkiano, quando Henry acorda e descobre, horrorizado, que seu rosto está coberto pela tal máscara, soldada à sua carne. Incapaz de retirá-la ele se transforma numa espécie de fantasma anônimo, já que sua antiga vida foi deixada para trás. O horror logo cede lugar a uma sensação de poder, já que a situação lhe garante o anonimato de que precisa para se vingar de tudo que lhe fizeram. Não há explicação para o surgimento da máscara, portanto ela não passa de uma alegoria que permitirá ao diretor explorar as conseqüências do poder que traz impunidade – tema já bem abordado na obra clássica de H. G. Wells O Homem Invisível. O problema é que a partir deste ponto Romero tem problemas para melhor desenvolver a idéia, indeciso entre fazer um thriller psicológico ou um filme comum de horror. Há poucas mortes – nenhuma delas é particularmente memorável -, o suspense é básico e a conclusão acaba sendo superficial e meio clichê. Ainda assim, Romero é suficientemente criativo para habilmente encaixar suas habituais críticas a uma sociedade onde o indivíduo não passa de uma peça consumidora e, ao mesmo tempo, a ser consumida - a festa "feliniana" da revista Bruiser, palco do clímax do filme, é o símbolo final de um "Sonho Americano" que viola o indivíduo e provoca a desagregação da família. Enfim, A Máscara do Terror é uma curiosidade na filmografia do diretor que, no mínimo, merece ser conhecida.

O DVD
Além da falta de extras, seria de esperar que este DVD bem básico de A Máscara do Terror, por ser mais um lançamento da infame parceria Universal / Studio Canal, tivesse outros problemas. Surpreendentemente isto não ocorre. Parece que, desta vez, não foi utilizada uma transfer PAL (mal) convertida para NTSC, já que não consegui detectar os problemas normalmente associados a este tipo de conversão – aceleração, ghosting, ruídos em fundos escuros, etc. A transferência widescreen anamórfica na proporção original 1.85:1, apesar de não ser excepcional, é de boa qualidade, no máximo apresentando em alguns momentos granulação e cores fracas – que podem ser características da filmagem original. Fora isso, não há problemas de compressão perceptíveis. Talvez o mais grave tenha sido a falta de uma faixa de áudio multicanal, já que as duas opções de idiomas – inglês e português – são apenas Dolby 2.0. No entanto, a mixagem estéreo soa adequada à ambientação do filme (ainda que um reforço nos graves fosse bem-vindo), trazendo alguns bons efeitos surround na climática seqüência da festa. As legendas também estão disponíveis em português e inglês. Os menus foram traduzidos para o português, exceto pelo título do filme, que permanece em inglês. O principal é animado com cenas do filme.

OS EXTRAS
Infelizmente não temos o que comentar neste quesito, já que a Universal lançou este DVD de A Máscara do Terror sem qualquer extra. Nos EUA o filme foi lançado em 2001 pela Trimark / Lion's Gate, que pelo jeito não passou à Universal / Studio Canal os direitos sobre os extras, que já não eram muitos – uma faixa de áudio com comentários de George A. Romero e do co-produtor Peter Grunwald, e um vídeo musical.

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