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O FILME
O jovem ferreiro Balian (Orlando Bloom), que revoltado com a
recente morte do filho e da esposa matara um padre, é visitado pelo
Cavaleiro Sir Godfrey (Liam Neeson). O Cavaleiro revela a Balian
que é seu pai, e o jovem foge rumo a Jerusalém, que há 100 anos fora
conquistada dos muçulmanos, em busca de redenção - do "Reino dos Céus"
do título original. Balian é sagrado Cavaleiro e herda as posses de seu
pai em Jerusalém, onde conhece e se apaixona pela belíssima Sybilla (Eva
Green), irmã do Rei (Edward Norton, sempre de máscara) e esposa do
ambicioso Sir Guy de Lusignan (Marton Csokas), que tem interesse
em reiniciar a guerra contra os muçulmanos. Com a morte do irmão,
Sybilla é coroada Rainha e Guy, Rei. É a oportunidade de Guy liderar uma
Cruzada contra o líder sarraceno Saladino (Ghassan Massoud). Com os
Cavaleiros Templários de Guy dizimados, Jerusalém fica à mercê do
exército de Saladino, e caberá a Balian liderar a resistência ao cerco
muçulmano.
Cruzada (Kingdom of Heaven) foi uma produção de alto custo
que marcou o retorno do diretor Ridley Scott ao gênero épico histórico,
que já visitara em 1492 - A Conquista do Paraíso e o
blockbuster
Gladiador. Talvez por isso o filme tenha gerado grande
expectativa - de fato, a Fox e o público esperavam um novo fenômeno tipo
Gladiador (que recentemente ganhou uma
versão estendida
em DVD com três discos), o que não ocorreu. Isto talvez, em parte,
pela razão de que o filme, obviamente, possui temática e comentários bem
diferentes do épico anterior de Scott, lidando com um assunto bem
polêmico, principalmente após os atentados de 11 de setembro - os
conflitos entre cristãos e muçulmanos. Em prol de uma descrição
histórica mais acurada dos fatos, o filme mostra os cristãos,
especialmente os Cavaleiros Templários, como sujeitos inescrupulosos que
usam a religião apenas para conquistarem poder e riqueza; e, para
completar, retrata o sultão Saladino como um líder duro mas, acima de
tudo, justo e piedoso. Mas em vários momentos o roteiro parece não lidar
bem com estas questões, como se Scott quisesse ficar de bem com ambos os
lados. Além disso, na maior parte do tempo, as seqüências de batalha são
relegadas ao segundo plano (de fato, elas vão apenas dominar a narrativa
na parte final da projeção), o que pode aborrecer aos que buscam grandes
cenas de ação. Apesar disso tudo o filme mereceria uma melhor acolhida,
o que poderá acontecer agora em DVD. Como as outras realizações de
Scott, ele é magnificamente filmado, apresenta uma reconstrução de época
soberba e alguns desempenhos muito bons. Orlando Bloom recupera-se por
completo do papel problemático que recebeu em Tróia, e sai-se bem
como o idealista Balian. Liam Neeson, como de hábito, atua de forma
competente, e a interessante francesa Eva Green domina a tela com seus
belíssimos olhos azuis. Mas é o sírio Ghassan Massoud, como Saladino,
que brilha. Com um rosto marcante e presença magnética, ele rouba o
filme para si. Cruzada ainda conta com uma interessante trilha
sonora de Harry Gregson-Williams, mas que fica a dever um senso mais
épico. Tanto isso é verdade que Ridley Scott teve que apelar para
trechos de trilhas incidentais de outros filmes. Por exemplo, foram
utilizados trechos das trilhas de Cidade dos Anjos e O Corvo,
de Graeme Revell; e na cena em que Balian sagra os defensores de
Jerusalém como Cavaleiros, ao fundo ouvimos a pungente composição "Valhala",
que o grande Jerry
Goldsmith compôs para O 13º Guerreiro. Talvez, esta tenha
sido uma tardia homenagem ou mea culpa de Scott ao falecido
compositor, com quem rompera após os notórios problemas ocorridos em
Alien e A Lenda.
O DVD
Cruzada chega em DVD ao Brasil em duas versões, com um ou dois
discos. A versão dupla, objeto desta resenha, agrega um DVD com vários
extras relativos à produção do filme e aos fatos históricos que lhe
deram origem. O filme é apresentado em uma transferência wide
anamórfica
2.35:1 muito boa, contudo achei a imagem um tanto escura, mesmo nas
cenas bem iluminadas. O que, para compensar, praticamente impossibilita
que notemos artefatos de compressão, se existirem. Já a definição das
cores é ótima, e no conjunto a fotografia dá um tom "antiquado" ao
filme. Temos três faixas de áudio disponíveis - inglês, português e
espanhol, todas em Dolby Digital 5.1. Como de praxe, me concentrei no
áudio original em inglês, que apresenta diálogos muito claros, efeitos
direcionais perfeitos e um canal de graves bem intenso. O cerco final a
Jerusalém, com flechas e bolas de fogo cruzando os céus, torres de
assalto chocando-se contra as muralhas e milhares de guerreiros
gritando, é uma experiência auditiva impressionante. Uma pena que, pelo
jeito, a Fox daqui desistiu de incluir áudio DTS (disponível na versão
Região 1) em seus lançamentos. Por melhor que seja a faixa DD, a DTS via
de regra é mais rica e apresenta maior fidelidade. As legendas
disponíveis são português, inglês e espanhol.
OS EXTRAS
Mais um grande lançamento que ressente-se da falta de comentários de
áudio, provavelmente reservados para uma versão estendida que, dizem,
chega ano que vem. No lugar, temos O Guia do Peregrino, que são
comentários em texto (apenas em inglês) que surgem durante o filme
dentro de um quadro vermelho, sobre fatos históricos da época. O disco 1
ainda inclui um trailer da nova versão em DVD de Titanic, que
surge antes do carregamento do menu. Já o disco 2 traz vários extras
legendados em português. Quadro Interativo de Produção é um
completo making of com pouco mais de 90 minutos, dividido em três
seções (Diretor, Elenco e Equipe, nas três fases de produção - antes,
durante e após as filmagens) que podem ser vistas de uma só vez ou
selecionadas individualmente. Temos também dois documentários do
History Channel com pouco mais de 40 minutos cada um, comparando os
fatos históricos com sua versão de Hollywood, quatro featurettes
previamente
divulgados na internet (sobre Ridley Scott, Orlando Bloom,
Desenho de Produção e Figurino) totalizando 10 minutos, e um trailer de
cinema. |