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A SÉRIE
Rose Tyler, funcionária de uma loja de departamentos de Londres, leva
uma vida típica de uma jovem da classe média baixa - ordinária e
rotineira - até que uma noite os manequins da loja ganham vida e tentam
matá-la. Ela é salva por um estranho que se identifica apenas como “Doutor”,
que luta para neutralizar uma presença alienígena que pretende aniquilar
a raça humana. Ela descobre que seu novo amigo é o último sobrevivente
dos Time Lords, raça alienígena capaz de viajar no tempo. Em sua nave TARDIS,
que tem a aparência de uma cabine telefônica da polícia, o Doutor combate o
Mal onde
quer que
ele
esteja. Fascinada, Rose aceita o convite do Doutor e embarca na viagem
de sua vida, na qual testemunhará a destruição da Terra daqui a cinco
bilhões de anos, voltará ao passado onde conhecerá o escritor Charles
Dickens, encontrará formas de vida e invasores mais estranhos do que
jamais poderia imaginar e, é claro, seu verdadeiro amor.
Em 1963
estreou na Inglaterra uma série que se tornaria lendária entre os fãs de
ficção científica, apesar de ser praticamente desconhecida em outros
países: Doctor Who. Nela acompanhamos as aventuras do misterioso
Doutor que, a bordo da sua espaçonave
Tardis (que por fora
aparenta ser pequena, mas por dentro é
enorme) viaja pelo tempo e pelo espaço enfrentando formidáveis inimigos
alienígenas e, quase sempre, salvando a raça humana da destruição. Tudo
em histórias temperadas com os típicos humor e ironia ingleses. De 1963
a 1989, sete atores deram vida ao Doutor, até que a série (no gênero a
de mais longa duração), progressivamente vitimada por roteiros ruins e
valores de produção precários, fosse encerrada. Em 1996
foi feita uma tentativa de introduzir o Doutor às novas gerações, num
telefilme produzido pela Fox estrelado por Paul McGann, porém ele foi considerado
demasiadamente americanizado e o projeto não foi adiante. Finalmente, em
2004, a BBC encarregou Russell T. Davies de escrever e produzir uma nova
série de Doctor Who que apresentasse o Time Lord para os
espectadores do século 21. O ator Christopher Eccleston (Extermínio)
foi contratado para ser o 9º Doutor, e a atriz e cantora Billie Piper
foi escalada para interpretar Rose Tyler, sua jovem companheira de
viagens. Com Davies comandando uma talentosa equipe de roteiristas,
responsáveis por tramas imaginativas enriquecidas por personagens
adoráveis e elaborados efeitos CGI e de maquiagem, a série conseguiu o
feito de ser fiel às suas origens (ela dá um show de continuidade,
resgatando antigos inimigos do Doutor com sua aparência original e até
mesmo mantendo o clássico tema musical eletrônico de Ron Grainer, agora
enriquecido com samplers orquestrais) e agradar mesmo àqueles que
nunca haviam visto sequer um dos antigos episódios. O interessante é que
Doctor Who, considerado por muitos um programa para crianças,
trata de assuntos relevantes como vida e morte, a ambigüidade entre o
bem e o mal, a manipulação de informações pela mídia e a própria cultura
da televisão com muita inteligência, ironia, sarcasmo, humor e, por
vezes, alto drama, tudo de uma forma raramente vista em séries do
gênero. O Doutor virou mania (de novo) na Inglaterra em 2005, porém seus
horizontes foram alargados a partir de sua exibição nos EUA no início de
2006. O sucesso de Doctor Who chegou também à América, o
que sem dúvida foi um fator decisivo para que hoje o programa seja
exibido também no Brasil, pelo canal pago People + Arts.
A série ganhou o prêmio máximo da ficção científica, o
Hugo, pelos episódios da primeira temporada "The Empty Child" e "The Doctor Dances", e foi tão
bem sucedida que o galante personagem Capitão Jack, interpretado por
John Barrowman e introduzido no episódio “The Empty Child”, ganhou uma
série própria: Torchwood. A partir da segunda temporada da nova
versão de Doctor Who, David Tennant
substituiu Eccleston no papel principal.
O
DVD
Doctor
Who: The Complete First Series
foi lançada nas Regiões 1 e 2 num box digipack com cinco DVDs que
simula o exterior da Tardis,
envolto numa luva plástica.
Os
discos trazem os treze episódios da temporada - "Rose", "The End of the
World", "The Unquiet Dead", "Aliens of London", "World War Three",
"Dalek", "The Long Game", "Father's Day", "The Empty Child", "The Doctor
Dances", "Boom Town", "Bad Wolf" e "The Parting of the Ways" - em vídeo
widescreen anamórfico 1.78:1
e áudio original em inglês Dolby Digital 5.1.
A imagem das transferências
traduz para o DVD o look
peculiar da série, apesar de carecer de brilho e contraste. Não sei se
isso é problema das transferências ou da própria filmagem, pois na TV já
havia reparado este detalhe. Ressalte-se que este box da Região 1 contém
conversões para NTSC das transferências originais PAL da Região 2, o que
pode explicar a falta de níveis de preto mais sólidos. Porém
elas não apresentam as mazelas que assolam os títulos da francesa Studio
Canal lançados no Brasil pela Universal, como ghosting perceptível. O áudio multicanal
é bom para uma produção para a TV, com um imersivo uso dos efeitos surround.
Mas às vezes os diálogos soam um pouco baixos em relação à música e
efeitos sonoros, e as freqüências baixas ficam saturadas nos momentos em
que o subwoofer é acionado. Os
menus, animados, são ótimos e de fácil navegação. Por ser um lançamento
R1, este box não traz legendas em português – apenas em inglês.
Disponível inicialmente na Inglaterra pela BBC, o box foi lançado
nos EUA pela Warner, que pelo jeito dificilmente o colocará no mercado
nacional. Portanto se você conhece a série, gosta de sua proposta,
entende / lê razoavelmente inglês e pode arcar com o salgado custo da
importação, este título é altamente recomendável.
OS
EXTRAS
No
departamento dos extras, este primeiro box de Doctor Who é
impressionante. Os realizadores da série documentaram todas as etapas de
sua produção – desde as primeiras reuniões com os roteiristas até a
finalização dos efeitos especiais, disponibilizando o material no
site da BBC. Infelizmente uma parte interessante dele (como erros de
gravação e cenas eliminadas) não foi incluída neste box, e mesmo
assim sobrou uma grande quantidade de extras espalhados pelos cinco
discos, quase todos em formato de vídeo widescreen anamórfico e
com áudio (e legendas) em inglês 2.0:
Comentários
em áudio –
Cada um dos treze episódios traz comentários informativos e divertidos
de Davies e outros envolvidos na produção. Infelizmente Christopher
Eccleston não está presente em nenhum, Piper está em apenas um e
Barrowman em dois – o que é uma pena já que eles são os três principais
membros do elenco na temporada;
Trailers
– Há uma variedade de chamadas da série nos quatro discos de episódios;
BBC
Breakfast: Entrevista com Christopher Eccleston
– Extraído de um programa da BBC transmitido na época da estréia da
série, este é o único segmento que traz uma participação significativa
do ator. Apesar de ser relativamente curto (não chega aos 12 minutos), é
um dos melhores extras por estar focado no cara que, afinal de contas,
deu nova vida ao Doutor;
Featurettes
de produção
– Cada episódio traz pelo menos um featurette a ele vinculado,
focalizado em aspectos específicos da produção e com duração variando,
aproximadamente, de cinco a 15 minutos. São eles: "Destroying the Lair"
(efeitos especiais do primeiro episódio), "Making Doctor Who with
Russell T Davies" (depoimento do produtor executivo / redator chefe da
série), "Waking the Dead - Mark Gatiss Video Diary" (bastidores das
filmagens de "The Unquiet Dead"), "Laying Ghosts -The Origin of "The
Unquiet Dead"" (a criação do roteiro do episódio), "Deconstructing Big
Ben" (os efeitos da cena da destruição do Big Ben em "Aliens of London"),
"On Set with Billie Piper" (bastidores das filmagens de "Dalek" gravados
pela própria atriz), "Mike Tucker's Mocks of Balloons" (efeitos
especiais da cena dos balões em "The Empty Child"), "Designing Doctor
Who" (os vários modelos usados na série) e "The Adventures of
Captain Jack" (entrevista com o ator John Barrowman, que
premonitoriamente diz que seria uma ótima idéia fazerem uma série só
para seu personagem);
Doctor Who
Confidencial
– Narrado por Simon Pegg, astro e um dos criadores do divertidíssimo
Todo Mundo Quase Morto (Shaun of The Dead), este é um grande
e excelente making of de 165 minutos dividido em 14 capítulos. Os
13 primeiros tratam de cada um dos 13 episódios, com uma visão geral das
histórias, equipes e outros detalhes a eles relativos. O capítulo final
mostra os bastidores da filmagem do episódio de Natal "The Christmas
Invasion", já com David Tennant como o Doutor. Apenas este making of
já daria a este box a nota máxima no quesito dos extras - além de
extenso ele é o maior exemplo de que os extras podem ser longos e
detalhados sem chegarem a ser cansativos, mantendo o interesse do
espectador.
IMAGENS
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