DRÁCULA DE BRAM STOKER (EDIÇÃO DE LUXO)
Direção: Francis Ford Coppola
Elenco:
Gary Oldman, Winona Ryder, Anthony Hopkins, Keanu Reeves, Richard E. Grant, Cary Elwes, Bill Campbell, Sadie Frost, Tom Waits, Monica Bellucci, Michaela Bercu, Florina Kendrick
Distribuidora: Sony
Duração: 127 min.

Região: 4

Lançamento: 13/11/2007

Nº de discos: 2
Cotações:
Filme
DVD

Comentários de
Jorge Saldanha

O FILME
O Conde Drácula (Gary Oldman) adquire uma propriedade em Londres, e o jovem advogado Jonathan Harker (Keanu Reeves) viaja à Transilvânia para fechar o negócio. Com Harker em seu castelo, Drácula - um vampiro imortal - logo descobre que a noiva do rapaz, Mina (Winona Ryder), possui uma impressionante semelhança com seu amor há muito perdido. O Conde aprisiona Harker e vai para a Inglaterra em busca de Mina. Renfield (Tom Waits) e Lucy (Sadie Frost) são vítimas do vampiro, e quando o Professor Abraham Van Helsing (Anthony Hopkins) descobre que Drácula é o responsável, lidera um grupo que tentará salvar Mina e destruir a criatura das trevas.

O clássico livro de Bram Stoker, Drácula, foi publicado na Inglaterra em 1897, dando origem ao maior personagem da mitologia dos vampiros. Após passar pelo teatro, a obra recebeu inúmeras adaptações para o cinema e a TV, iniciadas pelo clássico do expressionismo alemão Nosferatu (1922). As mais célebres continuam sendo as produzidas pela Universal nos anos 1930 e 1940, estreladas por Bela Lugosi, e as da produtora Hammer lançadas a partir do final dos anos 1950, com Christopher Lee no papel do sinistro Conde. Em 1979 a Universal lançou uma nova versão com Frank Langella no papel principal, atribuindo ao Conde uma sensualidade praticamente inexistente nas anteriores. Porém foi em 1992 que o livro recebeu sua mais caprichada e fiel adaptação cinematográfica, em um projeto que o afamado Francis Ford Coppola (trilogia O Poderoso Chefão, Apocalipse Now) dirigiu para a Columbia. Para destacar que o filme se propunha a ser a mais fiel adaptação da clássica obra, ele foi batizado como Drácula de Bram Stoker, porém muitos consideram que ele deveria se chamar, na verdade, “Drácula de Francis Ford Coppola”. Mesmo que mantendo a base do livro de Stoker, o roteiro toma liberdades como a de, através de flashbacks, ligar Drácula à figura histórica de Vlad, O Empalador (coisa que Stoker nunca fez diretamente), e criar uma origem para o vampirismo do Conde - após blasfemar pela morte de sua amada, Drácula é castigado com a maldição do sangue. Também, aprofundando a abordagem iniciada pelo Drácula de 1979, o Conde de Coppola torna-se um sedutor, e a história de amor entre ele e Mina passa a ser o fio condutor de toda a trama. A característica mais marcante do filme é o seu estilo visual refinado e único: mesmo contando com elevados valores de produção e mesmo tecnologia digital, Coppola optou por utilizar apenas técnicas de efeitos visuais tradicionais (ainda que aprimoradas ao longo de décadas) como efeitos de luz e fumaça, pinturas de fundo e retro projeção. A maior exceção talvez sejam os excelentes efeitos de maquiagem, bem mais avançados que nas versões anteriores. O aspecto visual também é enriquecido pelos sofisticados desenho de produção e figurinos, e a construção de grandes cenários. A excelente trilha musical ficou a cargo do maestro polonês Wojciech Kilar, que realizou um dos melhores scores da década. Talvez o maior problema de Drácula de Bram Stoker seja o de não se assumir como um legítimo filme de horror - o que, aliás, não seria mesmo a intenção de Coppola, que preferiu mostrar Drácula quase sempre não como um vilão assustador, mas sim como uma criatura sofredora, amaldiçoada pelo vampirismo e pela perda de seu grande amor. O longa alterna momentos onde o diretor habilmente consegue criar uma atmosfera ameaçadora e ao mesmo tempo sensual (neste sentido, o primeiro encontro de Harker com as noivas de Drácula - sendo uma delas a deslumbrante Monica Bellucci em início de carreira), com outros onde os personagens, e a trama em si, parecem não saber direito para onde ir. Isto é ainda mais realçado pela dupla de norte-americanos Reeves e Ryder, claramente mal escalados para os seus papéis e incapazes de falarem com um sotaque britânico convincente. Hopkins, por sua vez, dá a seu Van Helsing um ar excêntrico, meio amalucado, inexistente no livro de Stoker. Em compensação Oldman, apesar de não possuir o tipo físico compatível com o de um Conde sedutor, e por vezes exagerar na atuação, revela-se um Drácula adequado à proposta do diretor, mesmo quando sob pesada maquiagem. Para mim Drácula sempre foi e será aquele vampiro impiedoso, calado, com o rosto pálido e os olhos vermelhos de Christopher Lee, mas é inegável que este Drácula de Bram Stoker é a mais bem produzida adaptação do conhecido vampiro para as telas, possuindo méritos que a destacam das outras versões.

O DVD
Com esta nova Edição de Luxo de Drácula de Bram Stoker, a Sony faz justiça a um projeto pelo qual Coppola lutou incansavelmente por anos, até finalmente conseguir concretizá-lo. São dois DVDs acondicionados em uma embalagem Amaray, que possui uma arte de capa no mínimo discutível. O filme está apresentado em seu aspecto original widescreen anamórfico 1.85:1. Comparativamente com o DVD anterior, não percebi avanços significativos na qualidade da imagem, que já era anamórfica – apesar de, alegadamente, para esta Edição de Luxo a Sony ter utilizado uma nova transferência de alta definição, a mesma para o lançamento do filme em Blu-ray. As cores são firmes e os níveis de preto são adequados, mas percebe-se em determinadas seqüências alguma granulação e, pelo menos na versão em DVD, a falta de uma maior nitidez (problemas que, sem dúvida, são bem menos aparentes em telas de menores dimensões). Dada a importância do fator visual nesta produção, acho que deveria ter havido maior capricho da Sony nesta nova transferência, que se não é pior que a do DVD antigo, também não é significativamente melhor. Mais satisfatório é o áudio original em inglês, agora Dolby Digital 5.1, que realça os efeitos surround e a magnífica partitura de Kylar. Apesar de não ser excepcional, o som vem de todos os canais, imergindo o ouvinte no campo sonoro do filme. Também estão disponíveis dublagens em francês (5.1), português e espanhol (ambas 2.0). As legendas disponíveis são português, inglês, espanhol, francês e coreano.

OS EXTRAS
Fãs de Coppola e do filme apreciarão bastante os extras presentes nesta Edição de Luxo de Drácula de Bram Stoker. Na maior parte do tempo eles se concentram no que é o ponto mais forte da produção - seu visual. De lamentar não haver pelo menos um pequeno featurette sobre sua antológica trilha incidental.

Disco 1

  • Comentários em áudio de Francis Ford Coppola – O único extra presente neste disco é uma faixa de comentários em áudio do diretor, felizmente legendada em português (palmas para a Sony), que pode ser acessada diretamente selecionando-se a opção “Assista o Filme com Francis Ford Coppola”. Antes dos comentários em áudio, vemos um vídeo gravado por Coppola, com 3:55 min., onde ele comenta seu envolvimento com a obra de Stoker. Logo após inicia o filme acompanhado de seus comentários, nos quais ele fornece várias informações gerais sobre a produção, e muitas vezes comenta sobre aspectos específicos do que está aparecendo na tela. O entusiasmo de Coppola com o projeto, ainda hoje, transparece durante todos os comentários, sempre interessantes.

Disco 2
Os extras do segundo DVD estão divididos em três seções: Documentários (com vídeo anamórfico, áudio em inglês 2.0 e legendas), Cenas Excluídas e Trailers.

  • O Sangue é a Vida - O Making of de Drácula (27:47) – Entrevistas de Coppola e seu elenco nos sets de filmagem combinam-se com muitas cenas de bastidores, neste documentário que aborda variados aspectos da produção. Só a inclusão de uma discussão acalorada entre Oldman e Coppola já faz este extra valer a pena;

  • Figurino - Design de Eiko Ishioka (14:02) - Featurette que destaca, merecidamente, o trabalho da figurinista Ishioka. Ela e outros membros relevantes da equipe são entrevistados, e os personagens e seus figurinos são examinados;

  • Efeitos Visuais de Drácula (18:44) - Francis Ford e seu filho Roman, que foi o diretor de segunda unidade, discutem a fotografia e os efeitos visuais "das antigas” usados para criar a assustadora e eficaz ambientação de Drácula;

  • Método e Loucura - Visualizando Drácula (12:04) – Neste featurette o foco é a discussão do conceito visual do filme, e as influências que teve vindas da arte clássica, do livro e das versões para o cinema anteriores;

  • Cenas Excluídas – Temos doze cenas excluídas, estendidas ou alternativas, algumas que não fariam diferença na versão final do filme, e outras que, se incluídas, lhe dariam outras perspectivas. Podem ser vistas em seqüência ou separadamente;

  • Trailers – Sem dúvida os destaques são o trailer de cinema (2:37) e o trailer teaser (1:30) de Drácula de Bram Stoker. Os demais são prévias de outros lançamentos em DVD da Sony, como O Albergue Parte II, Pumpkinhead IV e Motoqueiro Fantasma.

Completando os extras neste disco 2 ainda há, no submenu dos documentários, um Easter egg de fácil localização. Ao selecioná-lo assistimos a um vídeo de 15 segundos, onde Oldman interpreta Drácula de forma humorística.

MENUS
O menus principais são animados, dos melhores que já vi recentemente. No disco 1 vemos uma estranha tapeçaria, sobre a qual cruzam estranhas sombras e silhuetas de personagens, enquanto ao fundo toca uma arrepiante seleção da trilha musical. O menu do disco 2 é ainda melhor, usando como fundo uma cena do filme onde Drácula sobe com Harker as escadas do castelo. Após eles entrarem em um corredor, ficamos em companhia apenas de sons sinistros e de uma sombra demoníaca que aparece de tempos em tempos. Os submenus em ambos os discos são silenciosos e estáticos, porém todos são formatados para a proporção 16x9.

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