|
o filme
Seria ainda possível criar mais uma nova adaptação para as
telas da obra clássica de Bram Stoker, Drácula? Sem dúvida. Mas
se teria como criar algo totalmente novo e original? Difícil.
Felizmente, aconteceu. Após anos e anos com a decadência do cinema de
horror, com vampiros punks modernos (Blade) e criaturas
CGI - geradas por computador – (Van Helsing), finalmente chegou a
cura para os fãs do horror clássico. Dracula - Pages from a Virgin's
Diary, dirigido por Guy Maddin em 2002, é o filme de vampiro que
muitos cinéfilos estavam esperando desde a fantástica adaptação de
Coppola em 1991. Mas o que torna esse novo filme tão diferente dos
demais? É um filme mudo, em branco-e-preto (com algumas cenas tingidas
de cor) e com balé. Mas não pensem que é balé filmado, com câmera
estática na frente do palco. É um verdadeiro filme, onde a câmera se
encontra livre para percorrer qualquer parte do cenário. Guy Maddin, um
diretor canadense conhecido pelo emprego de técnicas experimentais no
cinema, decidiu filmar uma adaptação dos palcos, sob a forma de balé,
mas isso não era suficiente. A grande motivação era criar uma verdadeira
homenagem aos filmes mudos, principalmente do Expressionismo Alemão, com
cenários góticos, atuações exageradas, efeitos fantásticos de sombra e
todos os demais elementos inesquecíveis dessa fase do cinema. Também
optou por usar um discreto teor erótico e muita sensualidade. Guy Madden
filmou utilizando dois formatos de película, 16mm e 8mm, e depois,
durante a edição, envelheceu o filme, inserindo granulação, riscos,
sujeiras e cortes abruptos (como se fossem frames perdidos), como se
fosse um filme dos anos 20 já deteriorado pelo passar do tempo. O
resultado é belíssimo e um prato cheio para os cinéfilos. O elenco é
excelente, com destaque para Zhang Wei-Qiang (Drácula) e Brent Neale (Renfield).
Realmente é outro fator diferencial o personagem Drácula ser
interpretado por um ator asiático, mas é uma atuação fenomenal,
magnética, que não deixa nada a dever para os anteriores intérpretes do
personagem. Ainda, Zhang é um excelente dançarino e rouba todas as cenas
em que aparece. Já Brent Neale cria um memorável Renfield baseado nos
personagens de O Gabinete do Dr. Galigari e o vampiro de Lon
Chaney em London After Midnight. Sendo o filme mudo, o
acompanhamento musical é feito de forma brilhante com o uso exclusivo
das Primeira e Segunda Sinfonias de Mahler. Concluindo,
Dracula - Pages from a Virgin's Diary é estranho, incomum, e
certamente não irá agradar ao grande público. Porém, uma vez dentro do
“clima” necessário para assistí-lo, a experiência é gratificante e
inesquecível.
O DVD
Lançado em DVD nos EUA pela Zeitgeist Films, Dracula - Pages from
a Virgin's Diary é apresentado no formato letterbox, na
proporção aproximada de 1.85:1. Infelizmente, o filme não é apresentado
em widescreen anamórfico, falha imperdoável da distribuidora. É
difícil julgar a qualidade de imagem, pois a intenção do diretor era
apresentar a pior qualidade possível. O filme é extremamente granulado,
com algumas cenas fora de foco, e com muitos arranhões e sujeiras. Mas,
como tudo isso foi opção artística, intencional, faz parte do programa e
realça suas qualidades. O áudio é apresentado em estéreo (Dolby Digital
2.0), mas é absolutamente suficiente, uma vez que só há música e alguns
efeitos sonoros (portas abrindo e fechando, passos etc).
OS EXTRAS
A seção de extras é excelente. Temos uma trilha de áudio com
comentários do diretor Guy Maddin, explicando como as cenas foram
rodadas e de quais filmes mudos ele se inspirou; vídeo de entrevistas
com o diretor e os produtores; montagem de vídeo mostrando a construção
dos cenários; entrevista no rádio com o diretor; e uma belíssima
coletânea de fotos tiradas durante as filmagens.
IMAGENS
 
 
 
 
|