O DIA EM QUE A TERRA PAROU
Direção: Robert Wise
Elenco:
Michael Rennie, Patricia Neal, Hugh Marlowe, Sam Jaffe, Billy Gray, Frances Bavier, Lock Martin, H.V. Kaltenborn, Elmer Davis, Drew Pearson, Gabriel Heatter
Distribuidora: Fox
Duração: 92 min.

Região: 4

Lançamento: 03/08/2005

Nº de discos: 1
Cotações:
Filme:
DVD:

Comentários de
Jorge Saldanha

O FILME
Uma espaçonave de outro mundo, em forma de disco, pousa em pleno centro de Washington, e dela sai o alienígena de forma humana Klaatu (Michael Rennie), escoltado pelo ameaçador robô Gort. Após Klaatu ser alvejado por soldados, Gort neutraliza as forças militares que cercam a nave e permanece imóvel, aguardando instruções. O alienígena, ferido, é levado para um hospital e lá revela ser portador de uma importante mensagem a ser transmitida, pessoalmente, a todos os líderes da Terra. Desapontado ao saber que os líderes mundiais não estão dispostos a colocar de lado suas disputas para ouvi-lo, ele foge do hospital e mistura-se à população. Hospedado em uma pensão, Klaatu recebe a ajuda da jovem mãe Helen (Patricia Neal) e de um eminente cientista (Sam Jaffe), mas com o tempo se esgotando, ele é forçado a demonstrar seus poderes superiores em uma exibição de escala mundial. Klaatu mais uma vez é ferido pelo Exército, desta vez mortalmente, porém antes de morrer transmite a Helen um importante comando a ser dado a Gort.

O Dia em que a Terra Parou, de 1951, é um dos maiores clássicos da ficção científica do cinema, que aqui no Brasil inspirou até uma canção do Raul Seixas. Baseado num roteiro de Edmund H. North (Patton, Rebelde ou Herói), foi a primeira produção classe “A” no gênero de um grande estúdio, iniciando a onda de filmes de ficção científica dos anos 50. Também foi um dos primeiros filmes de Robert Wise como diretor, que em sua carreira nos trouxe musicais inesquecíveis como Amor, Sublime Amor (1961) e A Noviça Rebelde (1965), além de outras obras significativas da ficção científica, como O Enigma de Andrômeda (1971) e Jornada nas Estrelas, O Filme (1979). A memorável trilha sonora orquestral do grande Bernard Herrmann, reutilizada na década seguinte pelo produtor/diretor Irwin Allen em algumas das suas séries clássicas (Perdidos no Espaço, Viagem ao Fundo do Mar), foi uma das primeiras a utilizar instrumentos elétrico/eletrônicos - destacando o theremim (uma espécie de precursor do sintetizador). O então desconhecido Michael Rennie, alto, magro e de rosto anguloso, foi a escolha perfeita para interpretar o misterioso Klaatu, uma espécie de Cristo alienígena que, somente após ser morto e ressuscitar, pôde transmitir sua mensagem à humanidade. Sua imagem, ao lado do robô Gort e à frente de seu disco voador, faz parte da cultura pop – foi reproduzida até na capa de um disco do ex-Beatle Ringo Starr. O comando que a apavorada Helen dá a Gort, “Klaatu barada nikto!”, entrou para a história do cinema e recebeu uma homenagem bem humorada de Sam Raimi em seu Uma Noite Alucinante 3. Fora tudo isso, ao rever O Dia em que a Terra Parou 54 anos após seu lançamento, é impressionante constatar como o filme continua atual pelas questões que aborda. Para começar temos Klaatu, o representante de uma raça mais desenvolvida criadora de uma espécie de polícia espacial, que vem à Terra alertar que, caso continuemos a usar a energia nuclear para fins bélicos, ameaçando a segurança planetária, seremos neutralizados à força. É praticamente o mesmo recado que hoje os EUA de Bush enviam aos integrantes do “Eixo do Mal”. Além disso, substitua a “Guerra Fria” e a ameaça soviética estampada no filme pela atual guerra ao terrorismo e a ameaça islâmica para constatar que, infelizmente, não evoluímos quase nada nestas últimas décadas. De qualquer modo, a mensagem pacifista trazida pelo filme permanece, e quem sabe algum dia aqueles que usam o poder das armas finalmente a ouvirão.

O DVD

Nos EUA, o DVD de The Day The Earth Stood Still, lançado em 2002, é de face dupla com certificação THX. Mesmo nesta edição nacional da Fox Classics, mais acanhada, é fácil perceber que a Fox não mediu esforços para disponibilizar o filme em DVD com a máxima qualidade, respeitando suas características originais de produção. A transferência em preto e branco fullscreen de 2002, aqui utilizada, foi feita com base numa nova master de 35mm criada a partir dos elementos originais, e em sua transposição para o DVD foi digitalmente reparada e limpa da maior parte de imperfeições. Ainda assim uma certa granulação e alguns defeitos permanecem, sem dúvida em virtude das próprias limitações do material originalmente utilizado. Os níveis de branco, preto e a escala de cinza são sólidos e polidos. Eventualmente surge algum artefato de compressão, mas de modo geral é uma ótima apresentação de um filme com mais de meio século de idade. O áudio mono original em inglês também foi restaurado digitalmente e é claro, limpo, apesar de alguma distorção nos trechos de volume mais alto. Infelizmente a Fox não incluiu também a mixagem Dolby 2.0 estéreo presente no DVD Região 1, que garante principalmente uma reprodução de maior fidelidade da música de Bernard Herrmann. Temos também a dublagem original em português e áudio em espanhol, e legendas em português, espanhol e inglês (amarelas sobre um fundo escuro, para garantir maior contraste). Os menus são estáticos, apresentando imagens em preto e branco do filme.

OS EXTRAS

Infelizmente a edição nacional de
O Dia em que a Terra Parou perdeu alguns extras presentes no DVD da Região 1, como o ótimo documentário de 70 minutos “Making the Earth Stand Still” e uma galeria de fotos. E do que sobrou para nós, nada possui legendas em português – o que, considerando a evolução do DVD no Brasil nos últimos anos, é uma vergonha. Vejamos:

Comentários de Robert Wise e Nicholas Meyer – Esta faixa de comentários de áudio foi originalmente gravada por Wise e Meyer (este, o diretor do ótimo Um Século em 43 Minutos e de dois dos melhores filmes de Jornada nas Estrelas) para o Laserdisc norte-americano de 1995. Respondendo às perguntas de Meyer, Wise nos dá valiosas informações sobre seu envolvimento no projeto, e sobre praticamente todos os aspectos da produção (roteiro, elenco, o traje do robô Gort, a trilha de Herrmann, etc.);
Fox Movietone News – Com quase sete minutos, é um cinejornal da Fox exibido na época do lançamento do filme. Nele temos uma amostra da escalada da “Guerra Fria”, com menções à ameaça da União Soviética e às primeiras incursões dos EUA na Coréia do Norte. Também vemos cenas de uma convenção de ficção científica, onde um sujeito fantasiado de Klatu recebe um prêmio concedido ao filme, e um concurso de beleza. Vale pela curiosidade histórica;
Trailer – O trailer original do filme, com pouco mais de dois minutos, estabeleceu um padrão exagerado para divulgar os filmes do gênero, repleto de chamadas em texto do tipo “A mais fantástica ameaça já concebida nas telas” (sobre o borrachudo Gort). Divertido;
Comparando a Reconstituição – Este featurette de pouco mais de quatro minutos é composto de algumas cenas do filme, comparadas lado a lado com as masters restauradas em diferentes períodos – 1993, 1995 e 2002 (com e sem tratamento digital para DVD).

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