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Senhores do CrimE
(LOCAÇÃO)
Direção: David Cronenberg
Elenco: Josef Altin, Viggo
Mortensen, Vincent Cassel, Mina E. Mina, Aleksandar Mikic, Armin
Mueller-Stahl, Sarah-Jeanne Labrosse, Naomi Watts, Lalita Ahmed,
Sinéad Cusack, Jerzy Skolimowski, Badi Uzzaman, Doña Croll, Raza
Jaffrey, Tatiana Maslany
Distribuidora: PlayArte
Duração: 96 min.
Região: 4
Lançamento: 02/07/2008
Nº de discos: 1
Cotações:
Filme
   
DVD
  
Carlos Dunham (Comentários), Edinho Pasquale (DVD e
Extras)
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SINOPSE
O brutal Nikolai (Viggo Mortensen) está diretamente ligado ao crime
organizado de Londres, agindo como motorista para a Máfia Russa. Sua
existência é colocada em risco quando seu caminho se cruza com o de Anna
(Naomi Watts) - que está em busca da verdade sobre uma paciente morta.
COMENTÁRIOS
Nos anos 80 e 90, o canadense David
Cronenberg atingiu um status (bastante exagerado) de cineasta de
primeira grandeza, devido, principalmente, a filmes ambientados quase
que em um universo paralelo, composto por pessoas rigorosamente normais
mas que habitavam (ou penetravam) em tramas, ambientes e situações
bizarras: VIDEODROME, A MOSCA, GÊMEOS - MÓRBIDA SEMELHANÇA, MISTÉRIOS E
PAIXÕES... filmes que têm em comum o fato de trazerem um contraste entre
a aparente normalidade cotidiana de seus personagens e a completa
bizarria que se observa ao redor deles. Mas é só. Fora essa
característica, nenhum deles merece ser definido como um grande filme.
Nem mesmo como algo, ao menos, bom.
No novo século, porém, o cineasta amadureceu, e trocou os filmes
bizarros das décadas passadas por uma dissecação do universo da
violência. A conclusão a que se chega é que, além de trocar de estilo,
Cronenberg amadureceu. E muito. Seus dois últimos filmes são,
disparados, os melhores que realizou em sua carreira: primeiro, o
extraordinário MARCAS DA VIOLÊNCIA, de 2005. Agora, esse brilhante
SENHORES DO CRIME (EASTERN PROMISES, 2007), que a Playarte lança agora
em DVD para locação.
SENHORES DO CRIME nos traz a investigação de Anna (Naomi Watts, um
esplendor em todos os sentidos), uma pacata enfermeira descendente de
imigrantes russos que tenta a todo custo esclarecer a tragédia que
vitimou Tatiana - uma adolescente de 14 anos, também descendente russa,
morta ao dar a luz. Paralelamente, o filme nos apresenta o misterioso
franco-atirador Nikolai, um russo que almeja ascender cada vez mais em
sua carreira na máfia de seu país. Permeando a trajetória de Anna,
Nikolai, Tatiana e de todos os demais personagens, as manchas de
violência que surgem, ou melhor dizendo, não surgem - porque já existem
- no cotidiano da comunidade de imigrantes russos na América. Um clã
onde qualquer deslize é pago com a morte e que não permite que suas
tradições sejam rompidas.
Encontra-se exatamente nesse ponto a grande semelhança de SENHORES DO
CRIME (e também de MARCAS DA VIOLÊNCIA) com os filmes anteriores de
Cronenberg: a normalidade com que o estranho convive com o cotidiano -
principalmente porque nada é tão estranho ao coração do ser humano
quanto o Mal. Em SENHORES DO CRIME, tanto o Bem, representado por Anna,
quanto o Mal, representado pela máfia russa, estão tão plenamente
inseridos no dia-a-dia de sociedade e personagens que, por mais que o
Bem (sempre a figura de Anna) lute bravamente contra as forças do Mal (e
também o contrário), a brilhante direção de Cronenberg apresenta tal
luta de forma absolutamente natural, sem nenhum arroubo de estilo, sem
nenhuma ênfase no que se passa. O resultado dá uma dimensão mítica ao
confronto, e é infinitamente superior ao que provavelmente seria obtido
caso o cineasta buscasse alguma forma de enfatizar a violência.
Entre o Bem e o Mal, entre Anna e a máfia russa, insere-se a figura de
Nikolai, em desempenho que candidatou Viggo Mortensen ao mais recente
Oscar de melhor ator. Nikolai é um matador, um assassino, um monstro.
Mas também é o herói que salva um neném de ser assassinado e compromete
sua carreira ao mandar para a Europa um senhor de idade que seus
superiores mandaram executar. Nikolai é o Bem e o Mal. Nikolai não é nem
o Bem nem o Mal. Nos olhares de Viggo Mortensen, nas nuances que
apresenta, percebe-se, sem que o ator utilize uma palavra do texto para
isso, que o personagem se julga, e se sente, como sendo o nada. Mesmo
promovido em sua carreira, ele se sente rebaixado, o inferior, o looser
por excelência. Tudo isso, repetimos, sem que Mortensen recorra a uma
única palavra do texto - apenas expressões, sentimentos e a belíssima
fotografia em tons escuros de Peter Suschitzky transmitem isso. Regidos,
obviamente, pela extraordinária direção de um cineasta que, hoje,
demonstra que passou a fazer jus à fama há tempos recebida e que prova a
cada filme que a normalidade com que trata o estranho e o sinistro
funcionam muito melhor quando estranho e sinistro se traduzem não em
homens-moscas ou televisões vivas, mas definidos por um câncer social
(infelizmente tão realista e verdadeiro) como é a violência.
DVD
Para começar, uma informação importante: a edição nacional não
difere da americana, contém a mesma qualidade de imagem (bem
interessante, sem grandes imperfeições e granulações muito aparentes
para quem tem uma TV de maior definição, com boa coloração e conntraste).
O áudio, no idioma original, está com os seus devidos 5.1 canais, sem
grandes sensações de ambiência, exceto em algumas cenas onde os canais
surround são mais exigidos. O subwoofer mal é sentido. Já
a dublagem em português está em apenas dois canais e é boa, mantém
alguma fidelidade ao idioma original. Os extras são parcos, mínimos.
Volto a dizer: o que nos “anima” é que não há nada a menos da edição
original, americana. É um filme para um público especial, que poderá
fazer sucesso nas locadoras.
EXTRAS
Há, antes do menu inicial, um trailer das
revistas “PlayArte News” e “PlayArte Kids”, sem opção para interrupção.
Ainda antes do menu inicial, são exibidos os trailers de
Anamórfico,
Número Nove e
O Suspeito, que podem ser
“pulados” mas não adiantados (nem há a opção de acionamento direto para
o menu inicial), ou seja, quase que uma imposição para serem vistos, o
que incomoda. Além disso, há dois featurettes:
-
Segredos e Histórias
– Com 10 minutos, este featurette é bem “basicão”, com
depoimentos de elenco e equipe técnica, com algumas cenas de
bastidores, onde se discute a trama do filme.
- Marcado para Toda a Vida – Já este
outro featurette mostra, seguindo a mesma premissa no
anterior, a importância das tatuagens no contexto do filme e a sua
realidade, a da máfia russa, com quase 7 minutos.
MENUS
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