JORNADA NAS ESTRELAS: ENTERPRISE - TEMPORADAS COMPLETAS
Direção: Vários
Elenco:
Scott Bakula, Jolene Blalock, Connor Trinneer, Dominic Keating, John Billingsley, A.T. Montgomery, Linda Park
Distribuidora: Paramount
Duração: 4227 min.
 

Região: 4

Lançamento: 2005/2006

Nº de discos: 27
Cotações:
Filme:
DVD:

Comentários de
Jorge Saldanha

A SÉRIE
O ano é 2151, quase noventa anos após o contato inicial da humanidade com a raça dos Vulcanos. A primeira nave da Frota Estelar capaz de atingir a velocidade de dobra 5 é lançada, e finalmente a Terra poderá explorar o espaço profundo. Antes de iniciar sua missão de exploração, a Enterprise NX-01 deverá levar um alienígena Klingon, único sobrevivente de uma nave que caiu na Terra, para o seu mundo natal. Contrários ao lançamento da Enterprise, sob o comando do Capitão Jonathan Archer (Scott Bakula), os Vulcanos relutantemente cedem, porém designam a Subcomandante T'Pol (Jolene Blalock) como Oficial de Ciências da nave. O que Archer não sabe é que os Sulibans, alienígenas geneticamente alterados que seguem as ordens de um misterioso visitante do futuro e que abateram a nave Klingon, tentarão a todo custo raptar seu passageiro.

Jornada nas Estrelas: Enterprise, ainda exibida no Brasil pelo canal pago AXN mas já cancelada nos EUA, surgiu com a intenção de injetar sangue novo na popular franquia da Paramount, porém tomando o caminho inverso daquele que seria o esperado. Com a ação ambientada no século XXII, antes portanto das aventuras clássicas de Kirk, Spock e McCoy, a série daria ênfase às explorações de um capitão no comando de uma nave com poder de fogo limitado e tecnologia antiquada. Seria uma Jornada nas Estrelas retrô, mais realista, já que se passaria em um período de tempo menos distante no futuro do que as demais produções da franquia. As diferenças com as outras séries, aliás, iniciam já na abertura, onde é utilizada uma canção no lugar dos majestosos temas orquestrais habituais. Até mesmo a marca Star Trek estava ausente do título da série em suas duas primeiras temporadas, o que demonstrava a intenção de atrair também aqueles que não eram fãs da criação de Gene Roddenberry. Mas a proposta de inovação foi tímida, tendo predominado episódios que pareciam uma mistura da Série Clássica com A Nova Geração, utilizando elementos presentes em todas as séries da franquia: teletransporte, naves com dispositivos de camuflagem, torpedos fotônicos, viagens no tempo (muitas), etc. Além disso, ao invés de destacar aspectos relevantes para a cronologia futura do universo de Jornada nas Estrelas, foi introduzida uma tal Guerra Fria Temporal e novos vilões, os Sulibans. Adicionalmente, muitos episódios com tramas “descartáveis” ou que contrariavam cânones estabelecidos nas outras séries começaram a dar a impressão de que uma grande oportunidade estava sendo perdida: a de efetivamente mostrar as bases da fundação da Federação dos Planetas Unidos, ou os fatos que levariam à guerra Terra/Romulus. No lugar disso, a dupla de produtores/roteiristas Rick Berman/Brennon Braga preferiu mostrar entre outras coisas Borgs e Ferengis, para o horror dos fãs mais radicais. Em seu terceiro ano a série deu uma guinada: após um ataque à Terra por parte de uma raça alienígena desconhecida, os Xindis, a Enterprise é enviada a uma zona do espaço chamada Expansão Délfica, a fim de impedir que os Xindis terminem de construir a arma que poderia destruir de vez nosso planeta – como se vê, um evento de grandes proporções mas que nunca fora mencionado na história de Jornada nas Estrelas. Com ênfase nos combates espaciais e efeitos visuais, os produtores fizeram uma temporada mais voltada à ação e que, no final das contas, acabou sendo melhor que as duas que a precederam. Mesmo assim, os índices de audiência declinantes, e boatos sobre o cancelamento da série mostravam que era hora de novas mudanças. Entrou em cena Manny Coto, da finada série de TV Odissey 5: após ter escrito vários roteiros da terceira temporada, ele recebeu de Berman e Braga carta branca para conduzir a série no seu quarto ano (que estréia no AXN em setembro). E ele já começou dando um jeito de acabar com a Guerra Fria Temporal e os Sulibans, e a partir daí criou mini-arcos de episódios relacionados, finalmente, a eventos de importância na cronologia de Jornada nas Estrelas. A quarta temporada de Enterprise é considerada de longe a melhor da série, trazendo episódios excelentes, mas infelizmente este esforço chegou tarde demais. Com a saturação do público pela franquia, que já levara o filme Nêmesis a naufragar nas bilheterias em 2002, os índices de audiência não se recuperaram a ponto de salvar a série do cancelamento, três temporadas antes do previsto.

O DVD
S
e no exterior Jornada nas Estrelas já saturou, aqui no Brasil ainda há todo um mercado a ser explorado. Na TV paga a franquia ainda possui episódios inéditos, e as séries recém estão começando a sair em DVD. Menos de um mês após lançar a primeira temporada da Série Original, a Paramount lançou a primeira temporada de Enterprise no Brasil, e mais: lançou todas as temporadas de ambas as séries por aqui até o início de 2006. Apesar de muitos preferirem ter em DVD A Nova Geração ou Deep Space Nine, a estratégia de lançamento da distribuidora foi acertada: começou os lançamentos no Brasil com a Série Original, de longe a mais conhecida aqui, e com a mais recente, um produto que utilizou tecnologia de ponta em sua produção. Além de contar com efeitos especiais em CGI de padrão (quase) cinematográfico, Enterprise é uma série perfeita para ser vista em DVD: ela foi totalmente gravada em vídeo de alta definição e com som digital multicanal. Os boxes nacionais possuem uma embalagem diferente dos originais da Região 1 (onde, a exemplo dos demais boxes de Jornada nas Estrelas lançados por lá, e dos próprios boxes da Série Clássica lançados aqui, os discos estão dentro de uma embalagem plástica especial, reproduzida ao lado), mas ainda assim de ótima qualidade. Os discos estão em suportes plásticos que se abrem como as folhas de um livro, envoltos em uma luva de cartolina. São sete DVDs nos três primeiros boxes e seis no quarto, contendo todos os episódios de 44 minutos de cada temporada, e extras em boa quantidade. Mantendo a tradição dos lançamentos de Jornada nas Estrelas, os menus animados são um show à parte. Ao carregar o disco, vemos cenas em CGI de modelos específicos de naves mostradas na série (no primeiro box, a própria Enterprise), após o que entra o menu de seleção de conteúdo com o mesmo estilo de gráficos dos displays de cada nave. Como seria de esperar, por ter sido a série rodada em formato digital de alta resolução, a qualidade da imagem é excelente, com vídeo em formato wide anamórfico 1.78:1. Quanto ao som, temos somente o áudio original em inglês Dolby Digital 5.1, uma vez que a série, até agora, somente foi exibida no Brasil pela TV paga e com legendas, e a Paramount infelizmente não encomendou uma dublagem em português especial para os DVDs. As legendas disponíveis são português e inglês. Cada box inclui um encarte contendo a relação de episódios e textos como “A História até o Momento” (posicionando os eventos da série na História), e outros específicos sobre elementos da franquia.

OS EXTRAS
Para começar, mais uma vez parabéns à Paramount por legendar em português todos os extras. Ou quase todos. Cada disco traz, junto dos episódios, caso existirem, suas respectivas cenas eliminadas (que não possuem finalização de áudio e efeitos), em formato wide anamórfico. Determinados episódios possuem faixas de comentários de áudio e de texto, estes de Michael e Denise Okuda. Mas o principal do material bônus fica para o último disco de cada box, que contém vários featurettes relativos à produção da série, elenco e outros elementos de produção. Alguns extras são recorrentes, como os que destacam os melhores momentos de cada temporada, segredos de produção e erros de gravação (alguns dos melhores erros são cortesia de Jolene Blalock, a T'Pol. Graças a ela, a palavra "caca" nunca mais será a mesma). Os extras são todos em fullscreen ou letterbox, com áudio em inglês Dolby 2.0. Há também Easter Eggs ocultos nos menus dos discos de extras (que nos boxes da terceira e quarta temporada não foram legendados), e trailers da atração do Star Trek Experience em Las Vegas, Borg Invasion, e da Série Clássica em DVD.

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