O EXORCISTA - A VERSÃO QUE VOCÊ NUNCA VIU
Direção: William Friedkin
Elenco: Max Von Sydow, Ellen Burstyn, Jason Miller, Linda Blair, Lee J. Cobb
Distribuidora: Warner
Região: 4
Lançamento: 2001

Nº de discos: 1
Cotações:
Filme:
DVD:

Comentários de
Jorge Saldanha

Hoje, é difícil de avaliar o impacto e a repercussão gerados por O Exorcista, quando de seu lançamento em 1973. Os meios religiosos e cinematográficos ficaram estupefatos com a história (que teria sido baseada em uma possessão demoníaca real ocorrida nos EUA) e as imagens chocantes mostradas na tela, em muito ajudadas pelos efeitos de maquiagem, hoje um tanto datados, elaborados pelo premiado Dick Smith. Ao final, a Igreja Católica louvou a sua mensagem positiva, com a vitória de Deus sobre o Demônio, e as platéias de todo o mundo lotaram as salas de exibição para assistir a um dos filmes mais aterrorizantes do cinema, indicado para 10 Oscars (ganhou dois, de roteiro e de som), que até hoje mantém sua capacidade de perturbar até mesmo aos mais estóicos espectadores. Dirigido por William Friedkin, então um nome quente em Hollywood após a consagração obtida com Operação França, e adaptado por William Peter Blatty a partir de seu controvertido bestseller, O Exorcista gerou uma série de imitações e filmes tendo o Diabo como tema, e também ficou famoso pela “maldição” que teria acompanhado muitos dos integrantes de sua equipe.Do elenco principal, apenas Ellen Burstyn e Max Von Sydow mantiveram uma carreira de qualidade. O pior, sem dúvida, foi reservado a Linda Blair, que ficou tão marcada por sua personagem que nunca mais conseguiu arranjar um papel decente, sendo condenada a penar, por toda a eternidade, em filmes de segunda. Foi, até, exorcizada novamente (por Leslie Nielsen) no “besteirol” A Repossuída.

Blair interpreta Regan, uma menina que vive com sua mãe (Burstyn) em Washington. Ela passa a ter um comportamento estranho, o que leva a mãe a pedir ajuda aos melhores psiquiatras do estado para descobrir o problema da filha. Os médicos suspeitam de uma espécie rara de esquizofrenia, mas aparentemente não há nada de errado com a saúde da menina. O estado de Regan piora, e ela começa a sofrer convulsões sobrenaturais e alterações na voz, tornando-se cada vez mais agressiva. Os fenômenos progressivamente tornam-se mais bizarros (a menina começa a levitar e girar a cabeça), e os próprios psiquiatras acabam recomendando a realização de um exorcismo. Jason Miller e Max Von Sydow encarnam, à perfeição, os dois padres que arriscam a sanidade e suas próprias vidas no clássico ritual que é o ponto alto do filme. Apesar de avalizada pelo diretor William Friedkin (dizem que com alguma relutância), esta nova versão, que possui como subtítulo A Versão que Você Nunca Viu, foi considerada por muitos apenas como uma jogada de marketing do estúdio, a fim de faturar mais com um produto já muito explorado.

O fato é que o filme, quando de seu 25º aniversário, já havia recebido um tratamento de luxo em DVD. Esta nova versão, além de acrescentar referências e imagens subliminares do demônio, possui 11 minutos de cenas inéditas, que incluem novos testes físicos aos quais Regan é submetida; um diálogo após uma sessão de exorcismo, entre os padres Karras (Miller) e Merrin (von Sydow), no qual Merrin afirma que Satã quer fazê-los duvidar de sua fé (na versão original, a cena é breve e muda); a famosa cena, incluída no documentário do DVD dos 25 anos, na qual Regan desce a escada como uma aranha, cabeça virada e sangue escorrendo da boca; e um novo final, no qual o padre Dyer (o reverendo William O'Malley) encontra o tenente Kinderman (Lee J. Cobb) e os dois tem uma conversa amigável sobre filmes, o que remete a uma conversa anterior de Kinderman com Karras. Este final mais otimista foi considerado por muitos um equívoco, que retirou a essência do encerramento da versão original. Mas fãs e críticos foram unânimes em elogiar o novo, remixado e remasterizado áudio do filme, agora mais assustador do que nunca em Dolby Digital 5.1. Além dos efeitos sonoros assustadores, a trilha sonora (na qual se destaca “Tubular Bells”, de Mike Oldfield) ajuda a criar o clima perturbador da obra. Este novo DVD, se comparado com o da edição de 25 anos, é discreto em matéria de extras, já que inclui apenas
2 trailers de cinema, 4 comerciais de TV e 2 comerciais de rádio.

DVDs COMENTADOS