O OLHO DO MAL
Direção: David Moreau, Xavier Palud
Elenco:
Jessica Alba, Parker Posey, Alessandro Nivola, Rade Serbedzija, Rachel Ticotin, Chloe Moretz, Tamlyn Tomita, François Chau, Aaron Paul
Distribuidora: Paramount
Duração: 97 min.

Região: 4

Lançamento: 21/07/2008

Nº de discos: 1
Cotações:
Filme
DVD

Comentários de
Jorge Saldanha

SINOPSE
Sydney Wells (Jessica Alba) é cega e ficou assim desde uma tragédia ocorrida em sua infância. Depois de se submeter a uma cirurgia, ela recupera a visão. Mas logo, sem saber se é sua imaginação, seqüela da operação ou algo terrivelmente real, inexplicáveis, obscuras e assustadoras imagens começam a atormentá-la. Sydney logo se convence de que o doador anônimo de seus olhos, de alguma forma, abriu uma porta para um mundo aterrorizante, que agora só ela pode enxergar.

COMENTÁRIOS
É notório que há tempos Hollywood sofre de uma grave crise criativa, que leva estúdios e realizadores a buscarem inspiração em quadrinhos, games e mesmo nos próprios filmes, neste caso na forma de remakes de realizações antigas ou produzidas em outros países. O gênero que talvez mais tenha se desgastado foi o do suspense/terror, o que acabou levando à onda de refilmagens de filmes asiáticos do gênero, originando títulos made in America como O Chamado, O Grito (para mim o melhor dessa leva) e Água Negra. A bola da vez é esta refilmagem do filme chinês The Eye, dirigido pelos irmãos Pang em 2002. E aí já começa o problema: a temática do original já é muito semelhante a O Sexto Sentido, e para piorar ano passado foi lançado outro filme americano muito semelhante, o fraco Luzes do Além. Isso sem lembrarmos outros filmes que lidam com espíritos e que são muito melhores, como A Espinha do Diabo, Os Outros e o recente Orfanato. Ou seja, a falta de originalidade já no nascedouro de O Olho do Mal, aliada à falta de inspiração de seus roteiristas e diretores, liquida qualquer expectativa de vermos nele algo de maior interesse.

Apesar de buscar um conceito pseudocientífico (outro recurso comum atualmente, mais detalhe na descrição dos extras), o filme entra na mais desvairada fantasia ao narrar a história da violinista cega Sydney (Jessica Alba, bonita como sempre mas totalmente deslocada no papel) que, ao receber as córneas de uma vidente mexicana, passa a enxergar espíritos e formas sinistras - estas, os “Homens das Sombras”, que nada mais são que os mensageiros da morte que vêm levar as almas para o além. Mas este novo dom de Sydney tem um propósito maior: como num filme de Shyamalan, o roteiro constrói as situações de modo a que, no final, a protagonista pratique um ato heróico. Até que cheguemos lá, temos sustos que vêm principalmente das visões das circunstâncias em que ocorreram as mortes dos fantasmas (suicídios, incêndios, etc.) e das aparições dos tais homens-sombra, tudo via de regra acompanhado por sons estridentes ou estrondosos (na verdade a causa real do susto, pelo menos se você tiver um bom home theater).

Fora esta premissa que por si não é nada original, o filme tem pouco a oferecer. Os personagens, começando por Sydney, são unidimensionais, as “surpresas” da trama são óbvias e os sustos são, para dizer o mínimo, medíocres. Os bons títulos do gênero fornecem pelo menos uma cena ou susto memorável, mas aqui você não encontrará nada disso. O Olho do Mal é um claro exemplo de que o gênero anda muito mal das pernas, e que as refilmagens asiáticas já deram o que tinham que dar. Um verdadeiro criador do gênero sabe que, para assustar ou verdadeiramente afetar o espectador, não basta um “BÚÚ” acompanhado de música (aqui a cargo de Marco Beltrami) ou sons estrondosos. Talvez isto baste para a maior parte do público-alvo de um filme desses – adolescentes que vão ao cinema procurando qualquer desculpa para se agarrarem nos namorados (as). Mas para adultos ou quem procura algo mais, ou seja, um filme que verdadeiramente perturbe, temos mais um suspense previsível (e, conseqüentemente, chato), com sustos óbvios e sem gore. Como um mero passatempo O Olho do Mal é inofensivo – não ajuda e nem prejudica com sua obviedade. Mas se você quer algo que realmente provoque e assuste, procure os filmes baratos, independentes, de realizadores ainda desconhecidos mas criativos. Esta sempre foi a fonte que injetou sangue novo e originalidade no gênero.

DVD
Para locação, a Paramount lançou aqui no Brasil o DVD simples da versão dupla norte-americana de O Olho do Mal. A transferência digital apresenta uma ótima imagem widescreen anamórfica na proporção original 2.35:1, com pretos bem sólidos e elevado contraste. Nas cenas diurnas ou bem iluminadas as cores são vivas e sólidas, já nas de suspense/horror, normalmente ocorridas à noite ou em locais escuros, nota-se o uso de filtros que dão à imagem um visual de sonho ou pesadelo, azulado – prática muito comum hoje em filmes do gênero. Também essencial nos filmes de horror, como resultado da fraqueza ou falta de originalidade do material, é o uso do som para provocar sustos na platéia. E neste aspecto o áudio Dolby Digital 5.1, em inglês e português (os mesmos idiomas das legendas), fornece um variado conjunto de recursos surround, sons altos e estridentes e música atmosférica que ajudam a criar um campo sonoro na maior parte do tempo discreto e ambiental, mas que nas horas certas faz o espectador pular da cadeira. Há momentos bem dinâmicos, como a explosão no final, onde o áudio mostra sua maior força.

EXTRAS
Esta edição para locação de O Olho do Mal traz alguns extras que abordam aspectos da produção e a temática do filme, com legendas em português (exceto o trailer), vídeo anamórfico e áudio original em inglês 2.0. Eles correspondem ao material bônus do disco 1 da edição dupla norte-americana, e assim como no próprio filme, não espere ver aqui algo que irá causar maior impressão.

  • Cenas Inéditas (11:50 min.) – Oito cenas, que podem ser vistas em conjunto ou isoladamente e que não somam em termos de história ou sustos. Algumas são mais do mesmo – Sydney tendo visões -, outras oferecem algum tipo de interesse, como aquela entre a heroína e seu mentor, o maestro (que sugere haver, por parte dele, um sentimento mais do que paternal por ela), mas que por não terem maior desenvolvimento na trama não fizeram falta na montagem final;

  • O Nascimento do Homem das Sombras (1:38 min.) – Featurette muito curto que discute a criação das entidades interpretadas pelo extremamente magro Brett A. Haworth, filmado inteiramente em tela verde. O melhor é a cena dele dançando nos créditos finais - nojenta;

  • Tornando-se Sydney (4:48 min.) – Outro curto featurette que detalha o treinamento pelo qual passou Jessica Alba para transformar-se na personagem, uma violinista cega;

  • Mundo das Sombras: Vendo os Mortos (8:32 min.) – O featurette mais longo explica como os eventos do filme poderiam ser possíveis na vida real. Isso se daria por causa de uma tal “Memória Celular” que, segundo registros médicos, faz com que receptores de órgãos também herdem certas memórias do seu doador. Que medo…;

  • Um Olhar Sobre os Efeitos Especiais (6:08 min.) – Aqui vemos como o clímax do filme foi realizado – para os storyboards da seqüência foram usados carrinhos de brinquedo, daqueles de coleção;

  • Trailer de Cinema (2:07)

MENUS
Os menus (sendo animado apenas o principal) destacam imagens da personagem de Alba, nos mesmos tons visuais do filme.

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