GABRIEL: A VINGANÇA DE UM ANJO
Direção: Shane Abbess
Elenco:
Andy Whitfield, Dwaine Stevenson, Samantha Nobel, Michael Piccirilli
Distribuidora: Sony
Duração: 113 min.

Região: 1, 4

Lançamento: 12/03/2008

Nº de discos: 1
Cotações:
Filme
DVD

Comentários de
Jorge Saldanha

SINOPSE
O anjo caído Sammael (Dwaine Stevenson) quer espalhar a escuridão. Com a ajuda de seus demônios, ele está transformando o Purgatório – a Terra - num lugar de trevas, vícios, crueldade e violência. A vitória de Sammael estava garantida até a chegada de Gabriel (Andy Whitfield), o último dos sete arcanjos da Luz e o mais nobre guerreiro já visto desde que Michael, seu antecessor, desapareceu. Rapidamente a coragem de Gabriel ameaça dizimar o mal de Sammael e redimir Jade (Samantha Nobel), o anjo perdido. Mas Sammael possui uma última carta na manga: o segredo do seu próprio passado, um conhecimento que pode destruir Gabriel para sempre.

COMENTÁRIOS
Volta e meia a Austrália solta uns “filminhos” que acabam consagrando seus diretores e atores. Mad Max revelou o diretor George Miller e o astro Mel Gibson; com Razorback o diretor Russel Mulcahy garantiu seu passaporte para Hollywood; e muitas outras produções da terra dos cangurus colocaram em evidência o talento de Nicole Kidman, Hugh Jackman, Sam Neill, Cate Blanchett, e por aí vai. Agora chega a vez deste pequeno filme chamado Gabriel: A Vingança de um Anjo, escrito e dirigido pelo desconhecido Shane Abbess, lançado fora da Austrália diretamente em DVD. Em uma visão superficial, o filme está longe de ser original – com sua trama de confrontos entre anjos do bem e do mal, segue a linha de títulos como Anjos Caídos e até mesmo Constantine – e não chega a ser particularmente impressionante. Pelo contrário, muitos o criticaram pela pobreza da produção, as cenas de ação econômicas e o estilo visual inspirado em filmes como Matrix e Equilibrium.

Dito isto, vamos ao fato: Gabriel foi rodado por 150.000 dólares, que é uma soma irrisória até mesmo para o atual padrão de uma produção para a TV. E sob este aspecto, deve-se tirar o chapéu para o que Abbess conseguiu realizar – escreveu um roteiro interessante, contratou dois bons atores (ainda que também desconhecidos) para os papéis principais, e com eficazes efeitos visuais criou uma cidade sombria e atmosférica, que fazem com que o longa pareça ter custado muito mais. Gabriel poderá agradá-lo por suas boas atuações e os confrontos bem realizados, por vezes há uma perceptível perda de ritmo graças ao excesso de diálogos, mas felizmente esses momentos não duram muito.

Dificilmente este filme conseguirá catapultar a carreira de Shane Abbess ou de alguma outra pessoa nele envolvida, mas se eu fosse o executivo de algum grande estúdio, tomaria coragem e daria chance a ele para realizar uma produção com maiores recursos. Afinal, em tempos onde muitos milhões são torrados em porcarias como Ultravioleta e 10.000 A. C. (este, a pior coisa que vi nos últimos anos), vale a pena apostar num diretor criativo que teve uma estréia
promissora, e que merece ser descoberta entre os inúmeros lançamentos que são feitos diretamente em DVD.

O DVD
Como já dito acima, Gabriel é um filme de baixo orçamento, ainda que por vezes não pareça. Seus maiores problemas advêm da falta de recursos, como a impossibilidade de serem criados cenários mais elaborados. Para disfarçar os sets baratos e as locações em prédios abandonados, o diretor teve de usar pouca iluminação, o que ajudou a criar um efetivo clima sombrio, mas que, por ser um recurso de uso intensivo, acaba incomodando. Isso, além do fato de ter sido usado vídeo digital e não película para capturar as imagens, obviamente compromete a imagem no DVD. Ainda assim, temos alguns visuais fortes e atraentes numa boa transferência que apresenta o filme em widescreen anamórfico na sua proporção original 2.35:1. O áudio original em inglês é Dolby Digital 5.1 (nos idiomas português, espanhol e tailandês é 2.0). Mesmo sendo de baixo orçamento, a mixagem é de boa qualidade, com diálogos claros, efeitos surround variados e graves consistentes. Além dos idiomas já citados, temos legendas também em chinês e coreano.

OS EXTRAS
Temos no DVD alguns poucos extras, que sobraram do DVD americano. Ao contrário do que é praxe na Sony, nenhum deles foi legendado em português: 

  • Especial: Gabriel (wide anamórfico, inglês 2.0, 29:31) – Dos três making ofs existentes no DVD Região 1, que juntos totalizavam aproximadamente 90 minutos, infelizmente ficamos apenas com este que é o terço inicial da história da produção do filme desde o roteiro até sua finalização, passando por alguns momentos tumultuados. Aparentemente, um pouco antes do início das filmagens, a companhia responsável pela produção caiu fora e os realizadores tiveram que utilizar outra bem mais cara. Isto encolheu consideravelmente o orçamento que já era pequeno, e o filme correu grande risco de ser cancelado. Mas graças à determinação dos realizadores e do elenco (muitos tiveram que trabalhar de graça), e 30 dias e 150.000 dólares depois, o filme estava pronto. Sem dúvida um feito respeitável, dado o que vemos na tela.

  • Cenas Eliminadas (letterbox, áudio inglês 2.0) – Três cenas dispensáveis que ficaram de fora da montagem final do filme, que somadas duram pouco mais de oito minutos.

  • Trailers – Prévias de três lançamentos da distribuidora em DVD.

MENUS
Os menus, apesar de estáticos, são interessantes.

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