HELLBOY (EDIÇÃO DO DIRETOR)
Direção: Guillermo del Toro
Elenco:
Ron Perlman, John Hurt, Selma Blair, Rupert Evans , Karel Roden , Jeffrey Tambor, Doug Jones , Brian Steele, Ladislav Beran , Biddy Hodson
Distribuidora: Columbia

Duração: 132 min.
Região: 4
Lançamento: 22/03/2005

Nº de discos: 2
Cotações:
Filme:
DVD:

Comentários de
Jorge Saldanha

o filme
Hellboy inicia  em 1944, quando os nazistas utilizam o monge louco Rasputin (Karel Roden) para abrir um portal tridimensional, a fim de trazer para o mundo sete demônios com poderes suficientes para destruir o mundo. Os aliados atacam o local onde está sendo realizada a cerimônia e destroem o portal, porém não evitam que um bebê-demônio com uma grande mão de pedra, Hellboy, seja invocado. O pequeno demônio é criado pelo Prof. Bloom (John Hurt), fundador do Bureau Federal de Pesquisa e Defesa Paranormal, braço do FBI dedicado a combater as forças do mal que ameaçam o mundo. Já adulto, Hellboy (Ron Perlman, acostumado a interpretar sob pesada maquiagem desde os tempos da série de TV A BELA E A FERA), um gigante vermelho com os chifres serrados e que não dispensa um bom charuto, é um dos principais combatentes do Bureau. O nosso demônio do bem tem coração, e além de gostar de gatos nutre uma grande paixão pela sua incendiária colega Liz (Selma Blair). No entanto, Rasputin e seus seguidores retornam para finalizar o trabalho iniciado há 60 anos. Confesso que só descobri a existência dos quadrinhos de Mike Mignola quando soube da produção deste filme, nunca os li e portanto não tenho como fazer uma comparação. Dito isto, achei este HELLBOY um híbrido que lembra em alguns momentos X-MEN (uma equipe de mutantes combatendo os vilões), porém com um senso de humor muito próprio. O filme se beneficia da atuação esplêndida de Perlman, que faz de seu bizarro Hellboy um super-herói não apenas poderoso, mas principalmente simpático e bem-humorado - aliás, como o filme em si. Mesmo com cenas de ação que não fogem à rotina das produções atuais, nas quais o protagonista passa a maior parte do tempo combatendo monstrengos digitais, HELLBOY conta com os talentos do diretor Guillermo Del Toro (que busca não se render aos excessos da computação gráfica, deixando espaço para os personagens se desenvolverem), Perlman, do especialista em maquiagens Rob Bottin e do compositor Marco Beltrami, todos em seu ponto máximo. É uma grande diversão, e já com uma continuação prevista para 2006. Esta Edição do Diretor possui 10 minutos a mais de duração que a versão exibida nos cinemas. Apesar de tornar o filme um pouco mais lento (foram acrescidos, essencialmente, apenas diálogos) as cenas adicionais desenvolvem melhor alguns personagens, como os vilões e Liz.

O DVD
Os DVDs vêm acondicionados na conhecida embalagem plástica Amaray para dois discos, que por sua vez é envolta por uma luva de cartolina com uma ilustração de Hellboy (do próprio Mignola) nas cores vermelha e preta (a ilustração da embalagem plástica é a mesma da versão para locação, exceto por não apresentar o título do filme e nem incluir Abe Sapien e Liz). Já havia assistido à versão de locação que a Sony lançou por aqui há alguns meses, e não posso afirmar com toda a certeza, mas parece-me que a transferência anamórfica (1.85:1) desta Edição do Diretor é um pouco superior àquela, que já era muito boa. Fora um pouco de granulação notada nas cenas de abertura, a qualidade do vídeo é impecável. As cores são vivas, as texturas são variadas e os tons escuros são profundos, dando ao filme a atmosfera que ele requer. O áudio Dolby Digital 5.1, em inglês e português, é irrepreensível. O nível dos diálogos é perfeito, sem distorção, e a mixagem dos efeitos sonoros e da trilha musical colabora para criar uma experiência auditiva imersiva, com os canais surround e o subwoofer sendo exigidos na medida certa. As legendas em português, inglês e espanhol, são amarelas.

OS EXTRAS
Os extras começam já no disco 1, com duas faixas de Comentários de Áudio legendadas em português: a primeira com o diretor Guillermo del Toro, gravada especialmente para esta Edição do Diretor, na qual ele fala sobre quadrinhos, as influências de Jack Kirby e H.P. Lovecraft em Hellboy, as diferenças do gibi e sua adaptação cinematográfica, como ele contratou Ron Perlman para seu primeiro filme, Cronos, as cenas que foram reinseridas ou estendidas, etc.; a segunda traz a trilha sonora original isolada em 5.1 canais, com comentários do compositor Marco Beltrami. Há Storyboards de certas cenas que podem ser assistidos com o filme, no canto inferior direito da tela. O extra Quadrinhos do DVD é composto por alguns textos (apenas em inglês) de del Toro ilustrados por Mike Mignola, que podem ser assistido juntamente com o filme ou em separado. Visita ao Set "A Mão Direita de Hellboy" são cenas de bastidores de determinadas seqüências, em widescreen anamórfico, que podem ser acessadas isoladamente ou quando um ícone surgir durante o filme. Completando os extras deste disco, temos uma Seção para DVD-Rom (em inglês), que inclui Comparação entre o script e o filme, Roteiro Original (que pode ser impresso) e Anotações do supervisor de script.

Os extras do disco 2, todos legendados em português e em widescreen anamórfico (exceto quando dito o contrário), iniciam com uma pequena Introdução de Ron Perlman (que no entanto nos diz ser este o disco 3 - a prova fotográfica está aqui ao lado, falaremos mais sobre isso adiante), e seguem com:

Comentários do Elenco em Vídeo – Com mais de duas horas de duração, este é o mesmo comentário de áudio presente na Special Edition norte-americana de dois discos, com a participação de Ron Perlman, Selma Blair, Jeffrey Tambor e Rupert Evans, porém em vídeo e com a versão de cinema do filme sendo exibida em uma pequena janela. É o melhor e mais divertido extra do disco;

Workshops de Produção – este extra apresenta os seguintes segmentos:
Maquiagem e Testes de Luz - Del Toro comenta sobre a iluminação e a maquiagem de Hellboy, enquanto alguns vídeos exemplificativos são exibidos. Aqui ele aponta algumas falhas de maquiagem que ele quer corrigir em HELLBOY 2;
Efeitos Visuais – Cenas de bastidores e entrevistas com técnicos, relativas a algumas seqüências do filme, envolvendo trabalho com miniaturas e computação gráfica;

Arquivo de Perguntas e Respostas (com Guillermo del Toro, Ron Perlman e Mike Mignola)- Vídeo de 23 minutos fullscreen, gravado pela equipe de pré-produção na convenção de quadrinhos Comic-Con 2002. Entre outras coisas, del Toro fala sobre a transposição de Hellboy dos quadrinhos para a tela, o trabalho de pré-produção à época sendo feito, e porque alguns filmes baseados em gibis são ruins - tudo isso temperado por muitos palavrões (bipados). Mike Mignola fala sobre a sua criação e seu relacionamento com o filme, del Toro e Perlman, e revela que o filme passa-se em um universo paralelo do gibi! Ron Perlman é o que fala menos, mas revela ser fã de Hellboy e grande amigo de Del Toro, com quem já fez vários filmes;

Guia Rápido de Como Entender os Quadrinhos – Extra de 12 minutos no qual o criador de gibis Scott McCloud fala sobre a história dos quadrinhos e elementos da arte de Mike Mignola para Hellboy;

Galerias: Estas são, provavelmente, as mais extensas e variadas galerias presentes em um DVD já lançado no Brasil:
Arte Conceitual e Fotos de Produção – Extenso material reunido em galerias de rascunhos, fotos de produção e muito mais, você levará horas para percorrer todas as páginas desta seção;
Arte da Pré-Produção de Mike Mignola
– Vários rascunhos que Mignola fez para o filme. A galeria tem a opção de ser exibida como um slideshow com comentários do criador de HELLBOY;
Anotações do Diretor – Muitas páginas contendo anotações e rascunhos do diretor del Toro;
Fotos dos Artistas dos Quadrinhos – Esta última galeria, apesar do nome, reúne ilustrações de Hellboy feitas por vários e renomados desenhistas dos quadrinhos (inclusive do próprio Mignola).

Quanto aos extras, era isso o que teríamos a comentar sobre o material presente neste lançamento, que é de boa quantidade e qualidade. Mas você deve estar se perguntando, se o DVD é primoroso tecnicamente e os extras são tão bons, porque a cotação de apenas três estrelas? Bom, é o seguinte: até o momento, HELLBOY foi lançado em duas edições na Região 1: a já citada Special Edition com a montagem do filme exibida nos cinemas, com dois discos (o disco 1 desta edição foi lançado no Brasil somente para locação, sem qualquer extra), e uma Director’s Cut de três discos contendo uma versão com 10 minutos a mais de duração e extras adicionais, além dos que já existiam na Special Edition. Portanto, você já deve ter deduzido que esta Edição do Diretor é equivalente à Director’s Cut lançada na Região 1, porém ao invés de ter três discos, ela possui apenas dois. Resumindo: para venda direta, no Brasil, a Columbia (agora Sony também por aqui) não lançou a Edição Especial de HELLBOY, apenas a Edição do Diretor – o que seria uma decisão até interessante (já que a versão de cinema saiu para locação), não fosse pelo detalhe de ter sido eliminado um disco de extras. E pior, a distribuidora eliminou exatamente o disco que continha o melhor e mais abrangente material adicional, como se pode ver pela relação do conteúdo do disco 2 da Director’s Cut da Região 1:

- Introdução em vídeo de
Selma Blair (ela é bem mais bonita que o Ron Perlman…);
- Hellboy: Sementes da Criação: documentário de duas horas e meia sobre a produção do filme, sem dúvida o melhor extra de todos;
- Três cenas eliminadas com comentários
opcionais de Guillermo del Toro (detalhe: estas cenas NÃO estão na Edição do Diretor);
- Biografias dos personagens escritas pelo diretor;
- Cinco comparações de cenas com storyboards animados;
- Animatics;
- Análise de quatro cenas geradas em computador;
- Galeria de vídeos com esculturas de personagens em 3-D;
- Trailers e spots de TV;
- Filmografias;
- Posters.

Temos então, aqui, uma situação que pode chegar a ser surrealista: você aluga a versão de HELLBOY nas locadoras, e assiste já de saída uma propaganda anunciando o lançamento da Edição Especial de dois discos para março de 2005, onde vê a atriz Selma Blair fazendo a introdução do disco 2 e informando sobre o documentário “Sementes da Criação” (que, pelo jeito, permanecerá inédito no Brasil). Depois, você compra esta Edição do Diretor, coloca o disco 2 de extras e, na introdução, vê, lê e ouve Ron Perlman anunciar “Bem-vindos ao disco 3 de HELLBOY”...

CONCLUSÃO
Depois de tudo isso, dizer mais o que? Mesmo que um disco duplo de HELLBOY já estivesse mais do que bom para o nosso mercado (afinal, ele é um personagem que não é muito conhecido por aqui), não há justificativas para o desleixo com este lançamento "dos diabos". E só me resta protestar contra a falta de consideração das distribuidoras para com o mercado brasileiro consumidor de DVDs. Que começa com essa nefasta política de diferenciação de lançamentos para locação e venda direta (afinal, há justificativa para que o preço de um DVD de locação simples e às vezes tecnicamente precário, com um custo de produção baixíssimo, seja quase o triplo do de um DVD para venda direta duplo caprichado, cheio de extras? Seria apenas o fato de ele chegar às locadoras três meses antes, pela simples vontade da distribuidora?), e passa por lançamentos mutilados como este aqui.

MENUS
Os menus animados, com cenas extraídas do filme, merecem nota dez.

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