HEROES - PRIMEIRA TEMPORADA
Direção:Tim Kring, Vários
Elenco:
Hayden Panettiere, Masi Oka, James Kyson Lee, Sendhil Ramamurthy, Jack Coleman, Adrian Pasdar, Milo Ventimiglia, Ali Larter, Noah Gray-Cabey, Greg Grunberg, Zachary Quinto
Distribuidora: Universal
Duração: 1010 min.

Região: 4

Lançamento: 29/08/2007

Nº de discos: 6
Cotações:
Filme
DVD

Comentários de
Jorge Saldanha

A SÉRIE
O geneticista indiano Mohinder Suresh (Sendhil Ramamurthy) retoma o trabalho de seu pai, que investigava pessoas comuns que, ao redor do mundo, estão adquirindo superpoderes. Nos Estados Unidos ele descobre não ser o único que está interessado nos "heróis", que por sua vez deverão se unir para evitar que uma explosão nuclear destrua Nova York. Porém, um misterioso assassino começa a eliminá-los, um por um, a fim de assimilar seus dons extraordinários.

Até a estréia de Lost, em 2004, fazia tempo que uma série de ficção científica não atingia uma larga audiência. O sucesso da série de J. J. Abrams abriu caminho para uma nova leva de programas sci fi que, a partir de 2005, chegaram à TV trazendo de volta a narrativa serializada, ou seja, cada episódio é continuação direta do anterior, todos fazendo parte de um arco desenvolvido ao longo da temporada. Mas séries como Surface, Invasion e Threshold fracassaram, não sendo renovadas para uma segunda temporada. Até que chegou 2006 e com ele veio Heroes, cujo conceito inicial não era muito animador, assemelhando-se ao da franquia X-Men e de outras séries de boa repercussão, como The 4400 e Supernatural. Apesar disso Heroes, baseada tanto na ficção científica como nos quadrinhos, fez furor entre os nerds de todo o mundo, e mais – a jornada de seus personagens cativantes acabou conquistando o público em geral, fazendo dela a série de maior audiência da NBC. Há algo de épico e profundamente humano na história de pessoas que descobrem ter superpoderes e têm de se unir para "salvar a líder de torcida e salvar o mundo", e as audiências adoraram.

Acima de tudo, a série é bem sucedida porque o criador Tim Kring (da série Crossing Jordan) e seus roteiristas criaram um arco complexo que prende o espectador dosando bem suspense, ação e drama, nele destacando personagens bem desenvolvidos, interpretados por um elenco que soube torná-los memoráveis. São eles o japonês Hiro (Masi Oka), fã de Jornada nas estrelas que possui a habilidade de teletransportar-se no tempo e no espaço; a líder de torcida Claire (Hayden Panettiere), que possui uma capacidade de regeneração que a torna praticamente indestrutível; Peter Petrelli (Milo Ventimiglia), que consegue assimilar os poderes dos outros heróis; o irmão de Peter, Nathan ( Adrian Pasdar), um político ambicioso que pode voar; a stripper Niki (Ali Larter), que possui como alterego a superforte (e má) Jessica; seu companheiro D. L. (Leonard Roberts), capaz de atravessar objetos sólidos; o filho do casal, Micah (Noah Gray-Cabey), que faz o que quer com aparelhos eletrônicos; Isaac Mendez (Santiago Cabrera), desenhista que em seus quadros e gibis retrata eventos do futuro; Matt Parkman (Greg Grunberg), policial com o poder de ouvir pensamentos; e o vilão Sylar (Zachary Quinto), que possui a mesma habilidade de Peter mas que, para assimilar o poder de alguém, precisa devorar seu cérebro!

Em Heroes os nerds podem deliciar-se com as inúmeras referências aos quadrinhos (principalmente o já citado X-Men e a graphic novel de Alan Moore Watchmen, que em breve também virará filme), que influenciaram até o tratamento gráfico da série, e à ficção científica. Entre as participações especiais destacam-se as de Malcom McDowell, de Laranja Mecânica e Um Século em 43 Minutos; Christopher Eccleston, astro da primeira temporada da nova versão da clássica série inglesa Doctor Who; Eric Roberts, que foi o vilão "The Master" no telefilme de 1996 baseado em Doctor Who; e George Takei, o Senhor Sulu da Série Clássica de Jornada nas Estrelas. O personagem de Eccleston, que possui o poder da invisibilidade, chama-se Claude, uma referência direta ao ator Claude Rains, que foi O Homem Invisível no cinema. Takei interpreta o pai de Hiro, que anda numa limusine com as placas NCC 1701 - o número de registro da nave estelar Enterprise. Numa curiosa "troca de favores", Zachary Quinto, graças ao seu papel como Sylar, foi escalado para interpretar o Sr. Spock no próximo filme de Jornada nas Estrelas, a ser dirigido por J. J. Abrams. Já Stan Lee, o criador da Marvel, faz uma pequena ponta no estilo das que ocorrem nos filmes baseados nos quadrinhos da editora. É uma espécie de benção do criador de X-Men e tantos outros super-heróis a Heroes, uma série que soube tratar com carinho suas fontes de inspiração. O último episódio trouxe uma resolução do arco da primeira temporada que, após tanto tempo gasto no seu desenvolvimento, pode ser considerada um tanto quanto decepcionante e anti-climática. Mas, quando no final do episódio, já temos a introdução da segunda temporada, ficamos ansiosos por sua continuação. Aqui no Brasil a primeira temporada da série já foi exibida no canal pago Universal, e deverá chegar à TV aberta ano que vem pela rede Record.


O DVD
É bom notarmos que a Universal, pelo menos num lançamento importante como esse (tanto que foi simultâneo com os EUA), resolveu voltar a caprichar na apresentação e na qualidade técnica do produto final. Começando pela embalagem: o box nacional de Heroes foi disponibilizado em duas versões de embalagem, e a que avaliei era a bonita digistack com seis DVDs, envolta numa luva de cartolina que externamente traz o logo Heroes ocupando toda a sua frente. A parte interna da embalagem está decorada com os desenhos de Tim Sale. Detalhe: pelo menos neste box a relação de extras não está impressa na parte de trás da luva, mas sim num adesivo que nela foi colado - sinal de que a decisão sobre quais incluir (ou não) foi de última hora. O áudio original em inglês é Dolby Digital 5.1 de ótima qualidade, que faz bom uso de todos os canais e realça os efeitos sonoros e a música. Também está disponível a dublagem em português, mas apenas em Dolby 2.0.

Quanto ao vídeo, o formato dos 23 episódios da temporada está (graças a Deus!) em widescreen anamórfico na proporção original 1.78:1. Sem qualquer perda de imagen, as transferências oferecem uma qualidade muito superior à da transmissão pela TV, com cores claras e firmes, níveis de preto satisfatórios e sem artefatos de compressão visíveis. Nas cenas mais escuras, alguma granulação, mas dentro do esperado. As legendas estão disponíveis em português e inglês, porém mais uma vez o controle (ou falta) de qualidade da Universal faz uma vítima. No disco 1
, ao selecionarmos as legendas em inglês o que temos na verdade é uma segunda opção de legendas em português, absolutamente igual à outra. Ou seja, quem por acaso quiser assistir aos quatro primeiros episódios com legendas em inglês, dançou. Além disso, quando selecionada a dublagem em português, nos diálogos em japonês só haverá tradução acionando as legendas integrais em português, quando o ideal seria que nesses trechos automaticamente entrassem as legendas em português. Testei isso nos meus dois players de mesa, e os resultados foram os mesmos.

OS EXTRAS
Já neste quesito a distribuidora não teve tanta consideração com o consumidor brasileiro. Por si o material bônus do box da primeira temporada de Heroes é interessante e numa quantidade razoável. Contudo, se comparado com o do box de sete discos da Região 1, ele é bem mais pobre já que a Universal daqui cortou vários extras importantes disponibilizados lá fora – a versão estendida inédita do episódio piloto, com 73 minutos e que introduzia o personagem de Matt Parkman numa trama de terrorismo que foi descartada, os comentários de áudio (12), um featurette sobre a trilha incidental, um game interativo e a maior parte das cenas eliminadas, que no original totalizavam 50. Aparentemente o objetivo disso foi eliminar um disco do box. Objetivo atingido, ficamos com o seguinte (felizmente, está tudo legendado em português, com formato de tela letterbox):

  • Cenas Eliminadas – Distribuídas em cinco discos do box, temos 15 cenas eliminadas que, em alguns casos, representam diálogos eliminados de cenas que permaneceram nos episódios;

  • Making of da série (10:00 min.)Traz uma visão geral da criação e o desenvolvimento do programa, com depoimentos de Tim Kring e de membros do elenco. Inclui cenas gravadas na convenção de quadrinhos Comicon, em 2006, quando foi exibida a versão original e estendida do piloto – e que, graças à Universal, continuará inédita para nós;

  • Efeitos Visuais (8:45 min.) Interessante, mas também curto featurette sobre os efeitos visuais da série - que depende menos deles do que se poderia supor. O supervisor de efeitos visuais revela que Masi Oka, antes de ser o Hiro, trabalhou com efeitos visuais na ILM (Industrial Light and Magic) de George Lucas. Mas, graças à ridícula tradução das legendas, você só vai descobrir isso de entender inglês;

  • Making of de dublês (10:22 min.)Featurette dedicado ao trabalho com dublês nas cenas de ação. Destaque para Masi Oka e George Takei treinando kendo;

  • Tim Sale e os desenhos de Isaac Mendez (11:26 min.)Interessante visão do trabalho do artista Tim Sale, que já desenhou HQs para a Marvel e a DC Comics e que em Heroes foi o responsável pelas pinturas de Isaac Mendez e pelo gibi The 9th Wonder, que retrata as aventuras de Hiro;

  • Perfil dos personagens – Textos em português sobre os personagens Nathan Petrelli, Peter Petrelli, Niki / Jessica Sanders, D.L. Hawkins, Micah Sanders, Claire Bennet, Hiro Nakamura, Isaac Mendez, Mohinder Suresh e Matt Parkman. Faltou o vilão Sylar.

MENUS
Os bonitos menus animados simulam os quadrinhos de um gibi, alternando desenhos de Tim Sale com cenas da série. Nos menus dos episódios foi incluída a opção de seleção de capítulos.

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