HEROES - TERCEIRA TEMPORADA
Direção: Vários
Elenco:
Masi Oka, Adrian Pasdar, Hayden Panettiere, Milo Ventimiglia, Sendhil Ramamurthy, Jack Coleman, Greg Grunberg, Ali Larter, Zachary Quinto, James Kyson Lee, Cristine Rose, Malcolm McDowell, Robert Forster, Kristen Bell, Bruce Boxleitner
Distribuidora: Universal
Duração: 1125 min.

Região: 4

Lançamento: 18/09/2009

Nº de discos: 6
Cotações:
Filme

DVD

Comentários de
Jorge Saldanha

SINOPSE
Se nas duas primeiras temporadas de HEROES o objetivo foi unir pessoas comuns com habilidades extraordinárias e colocá-las frente a frente com a reveladora história da Companhia, a terceira é a responsável por construir um cenário tenso, pincelado com diversos confrontos e fugas, onde os Heróis terão de escolher um lado, se quiserem continuar vivos. Com uma narrativa repleta de nuances, a série evidencia nesta temporada a divisão conflituosa e surpreendente entre heróis e vilões. A sobrevivência e a permanência da espécie mutante também estão em jogo. Mistérios e segredos são revelados, novos personagens ganham projeção enquanto outros ressurgem, alguns heróis assumem novas personalidades, enfim, todos esses ingredientes dão força e atitude a esta nova etapa de HEROES, dividida em dois volumes: “Vilões” e “Fugitivos”.

COMENTÁRIOS
Admito que ficou um pouco difícil de comentar HEROES, principalmente após os problemas decorrentes da greve dos roteiristas que truncou sua segunda temporada e das tentativas, digamos, “complicadas” de Tim Kring e demais produtores para recolocar as coisas no devido lugar. Dividido em dois volumes (“Vilões” e “Fugitivos”), o terceiro ano do programa permanece intrincado, e ainda com bons momentos – mas não raro os personagens e as tramas parecem estar perdidos, sem saber que rumo tomar. E neste sentido, os já referidos dois volumes são tão parecidos quanto água e vinho, e o espectador fica sem saber afinal qual é o estilo que melhor define a série.

Um dos maiores valores de HEROES, mas que também é o início de seus problemas, são seus personagens regulares. Há um excesso deles, o que leva os roteiristas a ter de escrever demasiadas histórias e arcos, que ao final acabam sendo resolvidos (ou não) de forma insatisfatória. O interessante é que originalmente a série não teria um elenco fixo, porém Kring acabou cedendo à formula dos personagens fixos, e a primeira temporada iniciou com nada menos que 12 deles – número que posteriormente aumentou. Esta terceira temporada destaca principalmente Claire Bennet (Hayden Panettiere), seu pai Noah (Jack Coleman), Hiro Nakamura (Masi Oka) e seu parceiro Ando Masahashi (James Kyson Lee), Matt Parkman (Greg Gunberg), Mohinder Suresh (Sendhil Ramamurthy), Tracy Strauss (Ali Larter) e o vilão principal Sylar (Zachary Quinto). Claro que também temos a problemática família Petrelli, formada pela matriarca Angela (Cristine Rose), Nathan (Adrian Pasdar), Peter (Milo Ventimiglia) e o pai que todos pensavam morto, interpretado pelo veterano Robert Forster.

Como que para compensar a lentidão da curta temporada anterior, o volume “Vilões” inicia em alta voltagem, e como o título indica traz uma galeria inteira de vilões com habilidades paranormais para confrontar os heróis. Isso leva à criação de parceiras impensáveis, como a de Sylar e Noah, que por obra de Angela se unem para caçar os vilões. Mais personagens são introduzidos ou retornam, como a elétrica Elle (Kristen Bell) e a rapidíssima Daphne Millbrook (Brea Grant). A coisa esquenta de vez quando se descobre que o patriarca dos Petrelli está vivo, também possui poderes e planeja usar um exército de vilões para realizar seu plano – dar poderes a todas as pessoas. Indiscutivelmente divertido, este segmento paga um maior tributo à grande inspiração da série – os quadrinhos -, porém às vezes há excessos (como os momentos “A Mosca” de Mohinder) que lembram a risível novela tupiniquim OS MUTANTES, que era uma espécie de versão hiper-trash de HEROES.

Já no segundo volume, “Fugitivos”, o ritmo volta a diminuir e nota-se a preocupação (não totalmente bem sucedida) de desenvolver uma trama mais sólida, que remete diretamente às origens dos poderes dos Heróis. Vemos Nathan de volta à política, e liderando uma equipe secreta do governo que caça as pessoas com habilidades especiais, consideradas uma ameaça. Sylar, por sua vez, antes de enfrentar a equipe de Nathan, sai em uma jornada pessoal a fim de acertar as contas com seu verdadeiro pai, que o abandonou ainda bebê. Aliás, um dos méritos da série é ter mantido Sylar como um dos melhores e mais complexos personagens da TV atual, com todos os problemas de seu passado, a busca por uma identidade e, obviamente, sua pura malignidade. Muitos disso se deve a Quinto, que dá ao papel a nuance e ironia que são características dos maiores vilões.

Apesar de todos os percalços encontrados pelo caminho, a série também tem o mérito de nunca deixar de mostrar que seus personagens (heróis ou vilões) são, acima de tudo, humanos, e portanto sujeitos a todas as fraquezas e falhas de qualquer pessoa comum. Ironicamente, isso é visto como um defeito por muitos, que prefeririam ver os personagens como super-heróis ou super-vilões idealizados. Eles esquecem, no entanto, que a Marvel já há décadas investiu na humanização de seus personagens, e ao fazer isso criou verdadeiras obras-primas que, merecidamente, transcenderam as páginas dos gibis e hoje são ícones de qualquer mídia. E é exatamente por isso que ainda mantenho minha fé em HEROES. Pelo menos até que comece a assistir a quarta temporada...

DVD
Apesar do declínio da popularidade da série, a Universal continua dando um tratamento diferenciado ao lançamento de HEROES em DVD no Brasil, pelo menos no que se refere à embalagem. Enquanto até mesmo a badalada HOUSE chega aqui em estojos Scanavo, HEROES continua com seus seis DVDs acondicionados em embalagem Digistack envolta em luva de cartolina, ainda que com suportes para dois discos em cada face.

As transferências widescreen anamórficas 1.78:1 dos 25 episódios, dentro dos limites da definição 480p, são ótimas, capturando as imagens com cores firmes, vibrantes, e um apropriado nível de detalhes. O estilo visual característico da série é muito bem preservado em DVD. Como seria de se esperar em uma produção recente, sujeiras e ruídos inerentes à fonte inexistem, e não notei problemas maiores com artefatos digitais.

Para os padrões televisivos e do áudio lossy, a faixa original em inglês Dolby Digital 5.1 mantém o padrão dos boxes anteriores – também é ótima, portanto. Os diálogos sempre soam claros, a música é reproduzida com elevada fidelidade e a mixagem surround, nos momentos de ação ou meramente ambientais, colocam você dentro do episódio. Também há uma opção de áudio em inglês 2.0 (totalmente dispensável) e para quem gosta há a opção de dublagem em português 5.1. As legendas estão disponíveis em português e inglês.


EXTRAS
Se quanto à embalagem a Universal buscou manter o padrão dos boxes anteriores, nesta terceira temporada de HEROES a distribuidora eliminou totalmente o material suplementar – algo do que nem mesmo os últimos lançamentos da badalada HOUSE escaparam. O que é lamentável, já que o box norte-americano possui muitos extras para divertir os fãs da série – nada menos que 25 comentários em áudio (uma faixa para cada episódio), 37 cenas eliminadas, galeria de storyboards, webisódios, cinco featurettes de produção e um comercial falso da Pinehearst. Portanto, uma merecida nota ZERO neste item para a Universal.


MENUS
Os menus animados de cada disco lembram o padrão dos boxes anteriores, mas receberam alterações estéticas.

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